Me, myself and the world wide web


John Mayer e o hino dos inocentes

Por Vini*

A gente nasce chorando. Não é rindo, não é plantando bananeira, nem dizendo “olá, mundo, cheguei”. É na lágrima mesmo. E, se você não chora, o médico dá um tapinha na bundinha. Isso me fez pensar: nascer dói? Não sei se alguém saberia responder categoricamente.

Pouca gente tem lembranças sólidas da primeira infância. Eu mesmo tenho um esboço do dia em que rabisquei com giz de cera a parede branca do apartamento novo que tínhamos acabado de mudar. Um flash aqui e outro acolá.

Estou meio nostálgico estes dias, confesso. A razão? Meu fotolog.

Ninguém mais usa fotolog hoje em dia. Lembro-me de como era difícil conseguir registrar um domínio por lá. Claro que na época era muito oba-oba. Uma moda de internet que veio e se foi, aparentemente. Resolvi entrar na onda também.

Claro que um fotolog não é feito apenas de boas ideias. Mas, felizmente, Deus inventou o botão “Delete”, como forma de balancear nossa andança na corda bamba da dignidade. Fotos egocêntricas, fotos trash, fotos amadoras-querendo-ser-profissionais, fotos genuinamente boas, uma salada de fruta com megapixels variados. É engraçado acessar o endereço e rever aquilo tudo. Parece que foi em outra vida.

E, realmente, acredito que tenha sido em outra vida. Claro que o que sou hoje se deve ao que fui. Mas às vezes me pego analisando detalhes, circunstâncias, pessoas e contextos e chego à conclusão de que estamos constantemente renascendo. Mais de uma vez, se for preciso. Às vezes, morrendo com dor, outras nascendo mais felizes.

Ter a internet como diário-vivo da mudança é agradável, mas incomoda ao mesmo tempo. Somos filhos da globalização, não há como negar. Fui pioneiro da internet dial-up, como todo bom nerd, e confesso sentir falta do barulhinho do modem se conectando.

A internet, forçosamente, foi e é um meio de comunicação muito presente. Os registros ficam por aí. Alguns já apagados, outros salvos, alguns indeléveis. Quem nunca se arrependeu de um ato de má comunicação feito pela web que atire o primeiro teclado. Para alguns, o nosso amigo “Delete” resolve; para outros, resta a ressaca moral e a espera pelo nosso outro grande amigo “Tempo” fazer sua mágica.

Mas nada levado a muito ferro e fogo, afinal, nenhum crime foi cometido. Tropeços e desacertos todo mundo comete. E é gostoso lembrar deles com a certa inocência ou falta de experiência que trazem consigo. Aliás, ouso dizer que a internet nos encoraja a errar mais, porque há aquela certa segurança de haver um monitor entre nós e os nossos interlocutores.

E mesmo achando que foi em outra vida, deixo meu fotolog lá. Um dia, se der vontade, publico novas fotos, para mostrar meus novos eus. Ou no meu flickr, ou em qualquer outra nova ferramenta que o Google ou o Yahoo! nos der.

*Vini narra sua saga, onlinemente, tentando galgar degraus na escala da dignidade, aqui, às terça-feiras.

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Arquivado em lição de vida, sentimentos phinos, teoria da dignidade, vergonha própria, Vini

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