Guia prático para a vida na sociedade moderna com phinesse (Volume 01)

Para. Olhe. Pense

Pare. Olhe. Pense

Por Vini*

Os deuses sabem o quanto acho difícil viver em sociedade. Mas a verdade é que Aristóteles disse que somos animais políticos e, desde então, ninguém apresentou ideia melhor -e ficou por isso mesmo. Apesar de não ser muito fã da ideia (e como não pensei em nada melhor também), acato as normas de conduta que permitem a co-existência de mais de seis bilhões de indivíduos neste pequeno planetinha azul.

O problema é que, 2010 anos depois de Cristo, as pessoas insistem em ser mal educadas, agindo como se estivessemos na Idade da Pedra. Certos seres deviam dizer “Uga-Buga-Uga”, ao invés de “Oi, como vai?”, já que poucos conseguem dominar a importância da função fática da linguagem.

Tendo isso em mente, preparei um pequeno guia para as pessoas dominarem o básico para conviverem com outros Homo sapiens de uma forma minimamente civilizada. São situações-problema com as quais o homem moderno se depara cotidianamente, mas (pasmem!) não sabe como se comportar. A cartilha abaixo dá a resposta de como proceder em uma dada situação difícil. Se você conhece algum humanoide que tem dúvidas quanto às regras abaixo e não sabe se portar nos cenários descritos, por favor, passe adiante.

01. O elevador – esta misteriosa caixa de caminhos verticais. Se você espera o elevador chegar, é bem possível que alguém esteja dentro dele. Ora, a pessoa que está neste compartimento não pretende viver lá dentro eternamente. Ela precisa sair e respirar o ar do mundo exterior. Assim, quando o elevador parar, espere TODOS saírem de seu interior para que você possa entrar. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Lembre-se disso. Desta forma, não fique na frente do elevador, obstruindo a passagem de quem deseja sair, afinal, ninguém quer sair de lá e dar de cara com sua cara, a não ser que você seja extremamente bonito ou gatinha (o que, todavia, não justifica a eventual falta de modos).

02. Portas e portões de prédios – estas passagens dotadas do fantástico poder de abrir e fechar. Se você vive em um condomínio, não é você apenas o dono e senhor de todo o prédio. Outros seres também lá habitam. Cada um tem seus próprios bens e prezam pelo maravilhoso direito de propriedade, que só o capitalismo nos proporciona. Assim, ao sair, feche as portas. Você não mora no prédio da Mãe-Joana, onde entra qualquer estranho que bem entender. A segurança e bom senso agradecem, obrigado, afinal porteiro algum é super-homem.

03. Filas – onde inexoravelmente todos são iguais. Você não é o ser mais atarefado do universo. Existem outras pessoas que também têm seus afazeres. Como resolver quem tem prioridade? Simplesmente se usa um critério cronológico. Quem chegou primeiro tem preferência e vai na frente. Quem chega depois vai atrás. Furar fila pra quê? Você não tem superpoderes para reverter o tempo e chegar antes. Contente-se com seu lugar, afinal, outros estarão atrás de você. Apenas chegue mais cedo da próxima vez. E, ao chegar sua vez, não enrole. Seja solidário e lembre-se de que existem pessoas sofrendo em linha reta como você sofreu.

04. Faixas de Pedestres – o abstrato feixe de retas brancas. Caros motoristas, pedestres não têm carros, mas têm compromissos, deadlines e obrigações. Se o Poder Público resolveu pintar faixas brancas no chão, não o fez movido por sentimento artístico. Para tudo há um propósito nesta vida. Assim, reduza a velocidade – mesmo se não houver um semáforo – e deixe o ser não motorizado realizar a sua travessia, com calma e paz. Caros pedestres, não atravassem em lugares inapropriados e sem olhar. Você não é de ferro e pode machucar a si e aos demais.

05. Aparelhos em academia – desvendando os mistérios no fabuloso templo do corpo. Não é só você que paga mensalidade, gato(a). Existem outros que também procuram esculpir seus corpos. Aparelho não é lugar para tricotar e fofocar. Se você vê que outros querem desfrutar da máquina, tenha isso em mente. Não precisa correr, claro. Respeite seus intervalos de descanso e seja educado e ofereça para revezar o aparelho. E lembre-se que o aparelho não é seu e que a língua é o único músculo que não foi feito para se malhar na academia (ao menos enquanto se malham os outros).

06. Bares, restaurantes e afins – o grande encontro dos boêmios. Você está lá, desfrutando seu happy hour com amigos e se divertindo. Ótimo, fico feliz por você. Agora a sua diversão não é a mais legal, seu grupo de amigos não é o mais simpático e suas piadas não são as mais engraçadas. Rir alto e gritar: NÃO. Lembre-se de que o ouvido dos demais não é penico. Se o lugar oferece música ambiente, é provável que os outros clientes queiram ouvi-la também. Além disso, eles tem a própria conversa que não quer ser ofuscada por seus berros de hiena.

07. Crianças em supermercado – domando pequenos diabinhos. Não é todo mundo que pode bancar babás para os rebentos. Se você vai levar a sua prole às compras, que seja por motivo de última necessidade. Lembre: a criança não é o Senna, então nada de ela pilotar o carrinho. Pirraça com choro alto porque ela quer comprar não sei o quê? Além de mostrar que você é um péssimo pai e mãe e repercutir de forma desfavorável no desenvolvimento da criança, pirraça que não se cuida é de uma grosseria tamanha. Ninguém é obrigado a dividir seus fracassos na educação infantil. E, novamente, temos a audição como um dos sentidos que nós mais prezamos.

08. Falar o que vem à mente – a liberdade de expressão conhece limites. Nem todos são igual ao Lula e podem falar qualquer coisa e gozar de 80% de aprovação popular. Lembre-se de que palavras são armas e, se você não sabe manejá-las, tenha mais cuidado que o normal, pois pode acabar machucando alguém ou, no mínimo, fazer Fernando Pessoa se revirar nos túmulo em todos seus heterônimos.

Futuramente, será lançada a cartilha didática ilustrada, para melhor compreensão. Se ficou alguma dúvida ou se há alguma ideia a ser acresentada, avise-nos, afinal, faz parte da missão deste blog prestar esse tipo serviço de utilidade pública. E é seu dever, como cidadão phino e consciente, educar os menos afortunados no quesito phinesse.

*Vini sabe que existem muitos maus entendedores e diz palavras inteiras, aqui, toda terça-feira.

1 comentário

Arquivado em avisei que era bafona, vergonha alheia, Vini

Uma resposta para “Guia prático para a vida na sociedade moderna com phinesse (Volume 01)

  1. Di

    Quero uma cartilha dessas.

    ADOREI o post Vini. Bem a cara do EBDP.

    Beijo😉

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