O boogie woogie, o tempo e a phinesse

Tiozão na Balada: Don't.

Por Vini*

A saga de uma pessoa phina nunca termina. Para reles mortais, ela pode começar a qualquer tempo, até mesmo após os trinta e cinco. Entretanto, devo advertir que, com o passar do tempo, a caminhada pode se tornar mais penosa, afinal, o corpinho já não tem mais o vigor de outrora (especialmente se você não se dedica à atividade física de forma regular).

Eu, 25, prestes a fazer 25-bis. (A idéea de fazer 26 é uma coisa com a qual não me acostumei ainda, logo estou “in denial”, obrigado por perguntar.) Sexta-feira à noite. Belo Horizonte. Talvez um edredon tivesse sido a pedida mais indicada, acompanhado de um livro. Mas ter vida social é supostamente necessário, e é sempre bom desfrutar da companhia dos amigos.

Após uma pesquisa, achamos a balada da noite: Demodée. A proposta era excelente. O melhor das décadas de 60, 70, 80 (Bjomeliga, Dany!) e 90 em um ambiente bem legal. Algo à moda antiga, sem nenhuma referência a uma década específica. Um quadro com uma photo de Uma Thurman ao melhor estilo Pulp Fiction que por si já fazia valer a noite.

O problema é que ao olhar ao meu redor, o alarme soou com força: Danger, Will Robinson, DANGER!!!! Aparentemente, as pessoas deixaram suas faixas e compressas em seus sarcófagos e, após assinar os papéis do divórcio, deixaram seus filhos Tereza Cristina e Tadeu Robledo com a babá Zuleika Andréia e foram chacolhar o esqueleto na balada. Aquela coisa, paquerar um broto, mora?

Se havia pessoas com trinta e cinco, eram bebês. Eu era um feto. Quarentões e quarentonas. Cinquentões e cinquentinhas. Havia apenas um outro casal de amigos nos 20 e poucos que, como eu, só foram lá dançar até a panturilha doer (Dany, bjomeliga de novo, gateenha).

O nome do bar deveria ser 2nd Chance. Ou Last Chance. (Ou Take Me Home Now Cause I Don’t Wanna Be Old and Single Club.) A ironia do destino é que as pessoas escutavam músicas que originalmente escutavam quando eram jovens. Toda recriação do ambiente para tentar consertar os erros do passado. Porque os senhores e senhoras do recinto queriam pegação, phino leitor. Nada mais que isso.

“Nossa, Vini, limpa o veneno que não para de escorrer”.

Eu ainda não acabei.

O que mais me chocou foram as danças. MEU DEUS, AS DANÇAS! Jesus Luz me chicoteia porque Madonna teria um derrame se visse a cena. Descobri vários passos de dança novos (ou antigso, questão de ponto de vista):

* “Bracinhos de Tiranossauro Rex”: Junte-os bem rente ao corpo, forme um ângulo de 45 graus e comece a balançar.

** “Marco o tempo com a mão, porque não tenho ritmo”: Ainda com os braços bem próximos ao corpo, desça-os até a altura das coxas e faça movimentos verticais ao som da música.

*** “Eu tenho braços e me sinto desconfortável”: Finja que você é um polvo com braços soltos ao ar.

**** “Ombreiras pelo México, olé!”: Finja que você tem molas nos ombros e os jogue para cima e para baixo, freneticamente.

Claro que experimentei ao vivo todas estas danças com os mestres. Quase fui lá pedir ajuda para saber se eu fazia certo, mas me contive pois a emoção seria tamanha. Ou então ia agarrar uma quarentona gateenha e cheia de swing e gingado, fácil.

Do outro lado da cidade, um evento de axé, no Mineirão. Não consigo entender o contexto de um estádio de futebol cheio de gente loira de abadá. Não tecerei maiores comentários, portanto. Acho que os tios e tias neo-solteirões deviam ter ido para lá.

E a balada estava ótima. Dancei, ri, me diverti. Mas não entendo as pessoas. A noção e auto-crítica são perdidas com a idade? Estarei eu sendo preconceituoso e inventando limites temporais que não existem?

A verdade é que não sei e nem posso responder. Quando eu virar um quarentão, talvez eu saiba. Mas espero, sinceramente, que eu saiba me portar. Porque dançar eu sempre saberei.

*Vini está na fase nerd-recluso-quero-livro-e-dvd. Balança a pema, ocasionalmente, e a pena aqui, às terças-feiras.

6 Comentários

Arquivado em vergonha alheia, Vini

6 Respostas para “O boogie woogie, o tempo e a phinesse

  1. Bruno

    “A noção e auto-crítica são perdidas com a idade?” -Nem sempre. As pessoas simplesmente realizam que tem menos tempo agora e não se importam com as críticas alheias.
    “Estarei eu sendo preconceituoso e inventando limites temporais que não existem?” Sim! Poxa Vini, pode ser só minha opinião, mas os quarentões e cinquentinhas têm mais o que fazer e realmente não estão preocupados com as novidades do dancing floor e com o que nós, twentysomethings, pensamos sobre eles! Let them have fun!!

    Mas que bom que vc se divertiu. Eu, sem a menor dúvida, teria amado uma baladinha assim! Beijo.

  2. Jouviã

    tô beirando os trinta e isso já é motivo o suficiente pra sair correndo de um lado para o outro da casa nú aos gritos, melhor não pensar no resto.

  3. Depois não digam que eu não avisei…

    … mas da próxima vez, me convida pra essas festinhas baphos? Atóron!😡

  4. Bruno

    Onde eu digitei “dancing floor” (oi?), leia-se “dancefloor”. Obrigado!

  5. rafieldshow

    que as pessoas com mais de 35 anos tinham vida social, eu já sabia. o que me assustou mesmo foi perceber que elas mtas (mas MTAS MESMO!) e vê-las todas num mesmo lugar fazendo suas dancinhas estranhas.

    mas refletindo um pouco, acho que cheguei a uma conclusão parecida com a do bruno: a gente vai ficando mais sem vergonha à medida que envelhece. acho que as pessoas realmente pensam que não têm mais nada a perder, afinal, a juventude elas já não têm mais… então qual é o problema de ir pra balada, fazer a dancinha do tiranossauro rex e (tentar) pegar alguém?

    e digo mais: nós também viveremos a nostalgia da nossa juventude. só que com outros dance moves (que serão tão antiquados quanto os que a gente viu) e numa boate que toque o melhor dos anos 90, 2000 e 2010.

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