Vinte e cinco, vinte e seis

Dividir um teto: meloso e feliz assim?


Por Vini*

Sábado à noite. Com a vida social em espera, fico baixando músicas e batendo papo no Windows Live Messenger, depois de tentar colocar em dia alguns dos meus seriados (sem muito sucesso nesta tarefa, todavia).

Conversa vai, conversa vem, eis que meu amigo me solta a frase: “Namorido está com a família”. Eu, neófito na arte de relacionamentos e compromissos, vou no meu dicionário emocional e confirmo aquilo que já tinha em mente, mas relutava em admitir: namorido é o namorado que mora junto.

Fiquei feliz pelo meu amigo. Afinal, quando vi o casal há meses, o namorido estava indeciso entre os vários relacionamentos paralelos e meu amigo. Cinco meses fazem toda a diferença. Foram morar juntos.

Meu dileto amigo é seis meses mais novo que eu. Atualmente, tem 25 e meio (quase). O seu namorido, uns 28, 29, penso. E aí a ficha cai: eu entrei na faixa etária onde as pessoas estão moving in together? Dividindo apartamentos? Alguém dá um stop no relógio biológico, porque fiquei tonto obrigado.

Eu sempre andei na contramão da evolução das espécies. Darwin iria adorar bater um papo com Freud e discutir minha pessoa.

Aí me veio à mente o seguinte pensamento: se eu não tive nenhum relacionamento sério, duradouro e monogâmico, como lidar se eu encontrar um ser que já teve isso tudo e espera se mudar com a sua próxima cara-metade (eu, hipoteticamente falando)?

Não tenho mais paciência para pessoas de vinte e poucos anos. Não que eu seja melhor que elas, mas é que já estou em um outro degrau da vida. Sei que existem coisas que não posso exigir delas. Fico muito feliz com o que tem a me oferecer, e agradeço se me surpreenderem. Mas não tenho muitas expectativas.

No outro lado da corda, os balzaquianos me dão uma certa preguiça. Porque muitos dos exemplares que conheci são arrogantes e prepotentes. De tão obcecados com sua estadia na idade adulta, assumem posições inflexíveis como se tivessem a maturidade de decisões eternas, corretas e imutáveis. Mecanismo de autoproteção, porque não querem sofrer como antes, talvez.

E nós? Seres do meio desses vinte anos? O que fazemos? Como se estabelecer uma vida profissional de sucesso já não fosse o difícil suficiente e consumisse tantas energias. Temos que colocar um freio na vida loca e dizer adeus aos mais novos sedentos por novas experiências? Já é hora de achar alguém para viver feliz e consolidado na próxima década?

Mas como não me encaixo em nenhum desses modelos, vou buscando uma terceira via. E novas pessoas que queiram uma saída diferente para esses dilemas se apresentem, por favor.

*Vini expõe seus dramas de um quarto de século aqui, às terça-feiras.

4 Comentários

Arquivado em sentimentos phinos, Vini

4 Respostas para “Vinte e cinco, vinte e seis

  1. Di

    Oi querido Vini,

    ai, super me identifiquei no teu post!
    hehehehe

    mas é assim, tambem não tenho paciências para novatos.

    ótimo post.

    Beijos e boa semana.

    p.s.: Avisa os phinos que estou voltando hoje ao mundo blogueiro.

  2. Jouviã

    *insira aqui alguma sentença de desespero*

  3. Salve, Vini!
    Pois saiba que esse é o tipo de coisa que não tem hora para acontecer nem necessariamente deve ser vivida. Acontece! Se assim tiver que ser.
    Pasme! Tenho 23 anos e estou há 2 em um namoro. Novo: há 2 meses, passei a ser “namorido” do meu namorido. e assim estamos. Eu, em meus vinte e poucos anos.
    Porém, meu companheiro está nos trinta e pouco. E pra mim, isso faz toda a diferença.
    Pra ele, a diferença está na minha menor idade e maior responsabilidade. Tenho uma cabeça BEM diferente de tantos outros caras da minha idade.
    Juntamos as escovas porque assim queríamos. E tudo é muito gostoso.
    Cada um acha seu jeito na sua hora. Sei que é clichê, mas é assim mesmo.
    Gay ou hétero, tudo igual.

    Abraço!
    Matheus
    do virandojornalista.blogspot.com

  4. Bruno

    Quase virei ‘namorido’ aos 20 e agora, beirando os 23, parece que fui solteiro a minha vida inteira, tanto tempo faz que terminei o namoro. Mas concordo com o Matheus quando diz que isso ‘não tem hora pra acontecer’. Sou esperançoso, ponto.
    Não se desespere, caro Jouviã! Ja vi gente encontrar a tampa pra sua panela aos 50 e poucos… hehe

    Ótimo post, Vini.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s