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Sobre Rafa

Ele só quer o phino da bossa

Estar perto não é físico

Por Rafa*

Sei que faz tempo que não apareço por aqui. Na verdade, não tenho muita coisa pra dizer ultimamente sobre a phinesse, cada vez mais rara. Mas não pensem que abandonei vocês.

É que há tantos filmes pra ver no cinema, tantas bandas novas pra escutar, outras coisas pra escrever. E, quando decidi me manifestar neste espaço, era pra sair engraçado, divertido.

Não estou triste, não fiquem preocupados. Mas estou melancólico. Sinto frio, mesmo com muita roupa. Sinto saudades de algo que nunca tive. E claro, sinto falta de você, que hoje não vai me ler, muito menos me ver. Dormir comigo então…

Nem espero mais, e tu sabe disso. Mas é que, sei lá, tanto tempo ausente por aqui; tantas ausências das duas partes.

Leitor, não me leve a mal, mas hoje você não vair rir. As piadas são as velhas, nada supreendente aconteceu. E eu nunca trabalhei tanto. E estou tão feliz.

A lição do dia: estar perto não é físico. Não entendeu. Vai ver “Os Famosos e os Duendes da Morte”. O nome não ajuda, mas é tão bom. Fica mais fácil compreender.

Volto em breve, mais engraçado. Ou triste. Phino, com certeza.

*Rafa escreve aqui às segundas. Adiantou porque faz tempo que não aparece.

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Estou mais phino essa semana, e você?

Por Rafa*

Estou mais phino essa semana, como vocês já devem ter percebido pelo título da coluna de hoje. Nada tem a ver com a teoria da dignidade ou com os dois quilos que perdi. Tem tudo a ver com os amigos queridos que estão lançando seus livros.

Hoje, em Sampa, é a vez da Ju arrasar. Pra quem não conhece a gata e a história dela, eu conto, resumidamente. A fofíssima Juliana Carvalho tava no final da adolescência e de repente se viu numa cadeira de rodas.

No livro, ela mostra que, sim, é possível ser phina, mesmo com uma inflamação na medula. Maior orgulho da moça, hoje vou lá dar um beijo nela e pegar autógrafo.

Outro gaúcho que vai bombar é o Flávio Wild, mais conhecido neste espaço como o administrativo, lembra dele? Olha só as fotos e a capa do livro. Pra deixar a coluna de hoje mais phina ainda, tem um trecho de um de seus contos. O lançamento é amanhã, em Porto (queria tanto ir…).

“Véspera do Palio, noite de verão aos pés de Siena. As ruas de ontem são hoje e para sempre. Pessoas sem rosto, sem data. Cruzei a Piazza Il Campo vigiado pela terracota dos palácios: o piso de ladrilhos oblíquos, sua forma igual a concha de um molusco. Fachadas de pedra ocre enfeitadas por célebres janelas. Bandeiras tremulam nos nichos, nas sacadas. Vermelhas, azuis, brancas. E pelas balaustradas os pombos do tempo, infatigáveis, vigiam aquele céu, aquela terra, em nome de um Deus piedoso.
Dentro das muralhas da cidade, nas praças, pelas ladeiras estreitas, não se distingue morador ou visitante. Difícil encontrar nesse cenário aquele que nada sabe e vai percorrer o mesmo caminho todos os dias, insensível ao lugar. Os que andam por Siena não conhecem hábito e rotina. Possuem no olhar um êxtase. São viajantes imóveis, penetrando nos instantâneos imaginários. Porque é Siena quem captura qualquer alma humana e a faz saborear as ruas pedregosas, os degraus, o fino silêncio medieval, como se todos fossem filhos.”

(trecho do conto “Silêncio em Siena”, de Flávio Wild)

Não é muito bem relacionado este colunista de vocês?

*Rafa acredita na máxima “diga-me com quem andas que te direi quem és”. Com os phinos aqui, às segundas; com os elegantes, por aí, nos outros dias.

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E se não tiver legal?

toda trabalhada pra flertar no baile

toda trabalhada pra flertar no baile

Por Rafa*

No supermercado, em frente a ameixas lindas, amiga gata diz pro bofe:

– Olhando pra essas ameixas lindas, dá até vontade de ser saudável… (abre um semisorriso, à espera de uma resposta)

(silêncio)

O flerte é uma arte. Uns nascem com o dom. Outros não; entre estes, eu, claro. Já tive meus momentos de superação, quando disse uma vez pro gatinho que, se ele fizesse de novo a “quebradinha” na dança, eu me apaixonava. Bola dentro.

Mas na maioria das vezes falo merda, erro, nunca sai como tem que sair, mesmo depois de ensaiar horas e horas. Tem uns que se dão bem no esporte, outros na escola, outros no jogo da conquista…

O mais doído é ser cantado e vir o galanteio errado. Tu tá lá, louco pra dizer um sim, e o cara diz merda.

– E aí, tudo bem?

– Melhor agora.

Sério, não dá, não consigo, não aceito.

Pior foi uma vez que eu tava lá, louco pra dar uns beijos e o gatinho manda SMS assim:

E AI, VAMOS TOMAR UM DRINQUE?

E eu lá sou homem de convidar pra tomar DRINQUE, EM CAIXA ALTA?

Enfim, hoje passei aqui só pra dizer que tá difícil. Ninguém mais coopera nesse mundo. Não sei até quando aguento ir pra buaty, sei lá, parece que as pessoas enfenharam e a idade começou a pesar mais e mais. O que se diz, como se chega?

Daí o jovem me ensina que não se chega mais. Que se beija direto, sem enrolação. E eu acredito. E tento. São 5h30 da madruga, já na famosa hora da chepa, e vislumbro um gatinho. Mas estou cansado, minha cara deve estar péssima, mas, vamos lá, seguir os conselhos da juventude.

E começo a beijar o gatinho sem nenhuma comunicação inicial. Só que está não-bom, o beijo não encaixa. Ele se afasta dois passos pra trás e me diz, sem rodeios:

– Não tá legal.

Juro e repito, ele proferiu as seguintes palavras, com uma carinha de nojo pra mim: – Não tá legal. E desaparece.

Enfim, no meu tempo, a gente inventava uma desculpa e ia no banheiro, fingia que ia pegar uma bebida e não voltava mais. Então é essa a vida melhor que nos prometeram, “sem a hipocrisia que insiste em nos rodear”?

Vai, me colore que tô bege.

*Rafa segue na luta aqui, às segundas, e tenta não desistir por aí, nos outros dias.

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London Eye

Oh, my eyes...

Oh, my eyes...

Por L’Andreis*
(direto de Londres)

Atrações turísticas: melhor não vê-las, mas sem vê-las, com sabê-las? Este é o espírito que deve te levar até a London Eye. A fila pode estar grande, os turistas barulhentos, mas lá em cima, dentro da cápsula meio sputinik, tudo para e você só consegue ter olhos para aquela cidade que se aguenta em pé e organizada depois de tanto tempo.

Sao 10 milhões de pessoas e mais de 50 mil turistas diários. É gente demais. Ainda bem que todos podem desfrutar de ver o parlamento e o Big Ben iluminados à noite. E, lá de cima, a vista é ainda mais bonita.

Se você é como eu e olha com desconfiança para qualquer programa de estrangeiro em passeio, de o braço a torcer para a roda gigante que honra o adjetivo e tem uma posição tão estratégica que até Napoleão, com a derrota comemorada ali ao sul, pela ponte de Waterloo, iria invejar.

Por 5 libras, você pode ter o audioguide, que sempre enriquece o passeio. Se estiver com tempo, faca uma visita na estreia da cidade para se localizar e outra à noite, para se despedir de Londres em grande estilo. Há quem diga que a vista é mais bonita que a torre Eifel.

*L’Andreis ja conquistou Londres, agora vai tomar conta de Berlim. Escreve aqui, às quintas, e, sempre, no twitter @carolandreis.

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O canapé e a phinesse

Vai um canapé aí, bee?

Vai um canapé aí, bee?

Por Rafa*

Rafa vai a uma festa com a sua calça vermelha, sim, para provar que é possível ser ousado e ter bom gosto (calma bee, é uma da Adidas). Mas não só pra isso. Tem muito a ver com “se tiver algum outro gatinho na festa que goste de meninos, que me olhe, que me queira…” (FIM)

Na mesa de queijos e quitutes montada por amiga phina em sua festa com temática espanhola, gata loira de vestido vermelho pergunta:

– Posso te fazer um canapé?

Fico sem jeito, afinal, bondade no munto tem limites e ninguém sai a esmo fazendo canapés para o ser alheio sem intenções, no mínimo, malignas.

– Pode, claro.

Elaz faz um canapé com uva e queijo, uma delícia.

– Gostei, adorei. Muito obrigado.

– De nada. (abre aquele sorriso)

O tempo passa e evito que meus olhares se cruzem com os da moça de vestido vermelho. Vou ter um segundo contato com ela quando estou no comando das pick-ups, apresentando o meu set-list argentino, que não animou.

– Oi, tu vai demorar muito pra parar de tocar?

– Uma três ou quatro músicas.

Me empolgo com a galera que resolve requebrar até o show quando resolvo atacar com a brasilidade. Fafá de Belém, Zeca Pagodinho, Seu Jorge, marchinhas… Loira do vestido vermelho reaparece:

– Falta muito ainda?

– Só umas três ou quatro músicas.

A gata fica louca da vida.

– TU JÁ TINHA ME DITO ISSO DA OUTRA VEZ. ENTÃO NÃO VOU TOCAR MAIS, PORRA. E JÁ SEI QUE TU É UMA BICHONA.

Fico sem reação. O que fazer para manter a phinesse numa hora dessas?

A lição: nunca aceitar canapés de estranhos. Ou melhor, de estranhas.

*Rafa mantém a classe aqui, às segundas; nos outros dias, até tenta.

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Revendo o conceito de phinesse

óculos escuros na primeira fila? tão 2001...

óculos escuros na primeira fila? tão 2001...

Por Rafa*

Um phino é facilmente reconhecido de longe. Bem-vestido, mas sem afetação; tem andar discreto, porém firme; postura correta, sem parecer estar fazendo esforço. Nada tem a ver com óclão na primeira fila de desfile de moda, grifes estampadas nas roupas ou presença em camarote VIP.

Chegando mais perto, então, são poucos os que se salvam. Pele bem cuidada, bons modos à mesa, roupas no tamanho certo e ausência de barriga. Tudo isso ajuda a compor a personalidade de um phino, mas tem algo que é maior que tudo isso junto.

Phino que é phino tem que ter “leveza pra grupo”. Isso significa saber a hora certa para se manifestar ou, mais importante, reconhecer o momento de calar.

Nada tem a ver com “pura simpatia” ou falta de personalidade. Mais phino ainda é aquele que sabe ser firme e mostrar sua inteligência sem espalhar arrogância. Que sabe ouvir e opinar, mas sem parecer pedante.

Ter “leveza pra grupo” é chegar triunfal sem precisar que “seja um arraso”. É saber dançar e aparecer, sem a necessidade de parar no meio da roda e descer até o chão.

O conceito tem a ver com sorrisos sinceros, cordialidade e paciência. Passa longe de puxa-saquismos, de subserviência e de ataques histéricos.

Quem tem “leveza pra grupo” faz falta e certamente será chamado paro o próximo encontro. E nada será como deveria ser se essa pessoa resolver que os outros, desta vez, não estão dignos de sua companhia.

*Rafa aprendeu o conceito de “leveza pra grupo” com Nina, uma amiga elegante, inteligente e agradável, para quem dedica a coluna de hoje. Tenta ser leve, aqui, às segundas, e menos bruto, por aí, nos outros dias.

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Preguiça de mim – o preço da phinesse

final de semana lindo e phino, mas em preto e branco

final de semana lindo e phino, mas em preto e branco

Por Rafa*

É sexta à noite, e eu tenho que dar uma passada no pub pra me despedir de amiga querida que tá indo embora morar no Rio. Dou ois, sou simpático. Dou beijos e tchaus, afinal, tenho que acordar cedo no outro dia pra minha primeira aula de alemão do ano: pontos na escala da phinesse.

Acordo atrasado, com sono, mas levanto e vou. A esperança é que tenha algum gatinho pra olhar na aula que vai me custar todas as manhãs de sábado do semestre. Só mulher na sala. Depois chego o primeiro homem: amante latino versão murcilha. Daí, meia hora depois, entra um gatinho. Pra meu azar, errou a sala. Tava quase desistindo e então chega o bofe que vai me dar motivos pra acordar cedo no próximo sabadão.

Depois do alemão, mais dignidade: academia. Malhação pesada, pra não precisar voltar no domingo, afinal, sonho que o primeiro dia da semana será ensolarado e poderei correr no parque.

Amigo cancela almoço. No fundo, gosto, preciso ficar quietinho um pouco em casa. Encosto 2009 se manifesta. Quer me ver antes de ir pra nunca mais voltar. Despedida íntima. Sinto preguiça, mas dou trela. Nem eu me aguento nessas horas.

Tento arrumar uma companhia pro cinema. Ninguém pode ou quer. O outro lá não toma uma atitude que alimenta. Assisto ao filme, adoro e volto pra casa a fim de capotar.

O domingo acorda chuvoso. Me meto na exposição brega do Roberto Carlos. Depois uma peça de teatro.

Finzinho do domingo tiro pra estudar um pouco. E quando vejo já é segunda. Aula de inglês, academia no lombo, uns flertes via web na hora do almoço, que ninguém é de ferro. “Você teve um final de semana ótimo, que inveja”, me diz o gatinho que não quis/pode sair/transar comigo no domingão.

Muito trabalho no lombo, fazer tudo rápido pra dar tempo da aula de cinema e discutir expressionismo alemão. Chego em casa, lavo louça, estendo camisas e cuecas no varal, boto mais roupa na máquina. Ah, tem que escrever o phino, me lembra o outro.

E estou aqui. Preguiça da phinesse. Preguiça de ser eu mesmo. Preguiça do preço que se paga. Alguém interessante me chama pra tomar um martíni hoje? Urgente.

*Rafa está naqueles dias que nada faz sentido. Procura um motivo aqui, às segundas, quase sempre. Hoje, na terça. Amanhã, quem sabe?

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