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Yin/Yang, Brega/Phino

Forças Duais


Por Vini*

Recentemente, um amigo compartilhou comigo um pouco de sua sabedoria.
Ele me disse: “existem pessoas que nascem bregas”.
É verdade. Em alguns casos, a breguice é congênita e está impregnada
na pele. O problema é tão sério que deveria ser tratado como de saúde
pública. Como converter essas pessoas e livrá-los deste mal de que
padecem desde que nasceram?

A internet é uma ferramenta útil nesta empreitada. Tome-se este
cyberespaço como exemplo. Posts e posts com reflexões, histórias,
experiências em função de um bem maior, ou seja, a promoção da
phinesse entre os que escrevem e os que lêem. E este é apenas um
exemplo dentre os vários que a internet nos oferece.

Só que há o outro lado da moeda. A internet também serve como meio de
canal para a difusão das forças do mal, nossa grande inimiga, a
breguice.

Comecemos com o orkut. Eu não dou conta daquilo mais. Já fui fã,
usuário de carteirinha e já tive crises de abstinência quando cometi o
meu primeiro orkutcídio, medida drástica que tomei em razão do grande
vício que a rede se tornou. Voltei, usando de forma moderada. Saí e
não penso mais em voltar, porque não aguento. Confesso que não
aguento.

Eu não sei o que me dói mais: se são as fotos dos perfis ou os textos
do “about me”. Refletindo um pouco melhor, na verdade eu sei. O que me
dói mais são as fotos DENTRO do texto do perfil. E tem “about me” de
todo o jeito: com letra de música (brega), com textos do tipo “sou uma
pessoa muito legal, simpática que acredita em Deus” ou então quando o
namorado ou namorada “invade” (seriam bárbaros no orkut romano?) o
perfil do cônjuge para falar o quanto ama a “cara-metade” (usando já o
jargão brega) em textos como “fulaninha é dez”. Isso sem contar os
perfis conjuntos “Sr. & Sra. Brega – Para Sempre”, onde dois seres
humanos abrem mão de sua individualidade em favor de uma única conta
conjunta. É breguice demais para o meu coração, Brasil. Ele sofre.

E que fique bem claro não faço neste meu protesto qualquer vinculação
com condição social. A breguice não enxerga dinheiro ou divisão
marxista em classes. Para ela não importa se é A, B, C, D ou G. É uma
doença da alma, repito.

O leitor mais atento poderia argumentar: “mas, Vini, você não é
obrigado a conviver com essas pessoas”. Exato, não sou. Mas é muito
difícil manter um ambiente virtual sem elas. Invariavelmente você
conhece alguém que seja é e tem que manter algum tipo de contato
social, seja familiar, profissional, ou amigos em comum, por exemplo.
Tais relações tendem a ocorrer também no orkut e é difícil evitar. Por
isso, optei pela alternativa radical e saí.

Além disso, querido leitor, os bregas perseguem sem dó. Vez ou outra
alguém visita seu perfil e ainda, se você tiver azar, deixam um scrap
insólito que te faz olhar para os céus e perguntar: “Oh, meu Deus, por
quê?”

Fui para o Facebook. Poucos amigos, menos de 50. Mas confesso que já
estou estressando. Amigos começam a adicionar pessoas bregas e disso o
Facebook me informa, poluindo o meu NewsFeed. Sem contar os
comentários do tipo “beijos no coração” ou “saudade de sentir essa sua
energia boa” que amigos de amigos deixam e aparecem para eu ler. Tento
evitá-los ao máximo.

“Nossa, Vini, como você é chato. Vai morar numa ilha deserta, vai”.
Ah, se eu pudesse, em certos momentos, acho que iria.

Mas nem tudo está perdido. Ou quase. Temos o Twitter, onde você segue
quem quer e só deixa quem você também quer te seguir. Problema (1):
ter que seguir os bregas por educação – aquela mesmo problema do
orkut. Problema (2): ser apresentado a um brega enrustido, que só
depois, que você está seguindo surge como um avatar das forças do mal
em sua timeline. O dedo coça por unfollow, amigos, não tenham dúvida.
Problema (3): descamisados. Como no Twitter só tem uma imagem de
exibição, os indivíduos maximizam (ou ao menos tentam) sua capacidade
de atenção, exibindo fotos sem camisa. E olha que até quem não tem
corpo se arrisca nesta empreitada.
Pior que isso é só quando colocam sua própria imagem como background.
Breguice maior não há.

E no meio disso tudo temos o Photoshop. Existem pessoas que usam e
abusam, sem dominar a arte. São basicamente açogueiros que se passam
por cirurgiões plásticos, só que no mundo dos pixels e bytes. E
mostram com orgulho – o que é pior – para os outros breguinhas como
fazem bom uso da ferramenta.

Por fim, temos o MSN. Breguice instanânea. Outro dia recebi a seguinte
“cantada” (não sei
como definir tal proposta): “vamos para somewhere only we know”. Argh.
Quase precisei tomar um Dramin. Keane é brega.

Você pode até gostar do brega, como Keane, mas reconheça que é um
guilty pleasure. O problema não é gostar e sim negar a natureza brega
da coisa. Porque o brega e phino são Yin e Yang. Duas forças
antagonistas que estão a andar pelo mundo.

Um pouco de brega é necessário. Eu diria que tem uma certa função
lúdica, tomando o cuidado de se ter ciência da breguice. E não se pode
esquecer da Teoria da Dignidade como elemento de equilíbrio desta
equação.

O problema é que breguice não deve ser estilo de vida. E as redes
sociais estão aí para nos mostrar que muitos vivem assim, às escuras,
sem saber.

*Vini procura se esclarecer na arte da phinesse e compartilha seus
sucessos e insucessos aqui às quarta-feiras.

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Dúvidas da humanidade: de onde vêm os PowerPoints?

Phino não sonha com praia, phino abala praia

Phino não sonha com praia, phino abala praia

L’Andreis*

A vida de empresária pode trazer muitos benefícios, como o exercício do carão de poderosa, da eloquência e da sedução, mas traz um aspecto que muito pode denegrir sua imagem: o uso do PowerPoint. Não há reunião que não peça um slide, uma apresentação, uma ilustração do que você quer explanar. E não adianta, pode salvar em pdf, todos sabem que você usou PowerPoint.

Mas não deixe sua auto-estima ser afetada. PowerPoint de conteúdo não é o problema da humanidade. Todo mundo sabe que o câncer da internet tem o mesmo nome de arquivo, mas não é apresentado em reuniões. Ele chega até você por fowards da sua mãe, pai, tia, colega de trabalho (affe!) ou qualquer pessoa sem noção que te cerca.

A questão é que nenhuma destas pessoas para e vai colar imagens de praias paradisíacas com poesia do Fernando Pessoa, elas simplesmente encaminham. Então, a dúvida é: de onde vem os PowerPoints que enchem sua caixa de e-mail?

Bom, segundo minha investigação, estas pessoas sem bom gosto são, em sua maioria, funcionários burocráticos, que conseguem tempo para pegar uma mensagem IMPERDÍVEL que leram no best-seller de auto-ajuda da hora. As imagens que acompanham não poderiam ser mais bregas: cartões-postais de Costão do Santinho, anjinhos, fotos de crianças, de bichinhos. Ai, o inferno.

Seguindo este conceito, lanço aqui no EBDP a campanha POWERPOINT: DELETE ESTA IDÉIA e convido os amigos phinos de todo o Brasil a deletarem e, principalmente, jamais darem forward nesta maldição. Em breve, lançarei uma cartilha para os pais dos phinos explicando que a internet é mais do que mensagens de incentivo ao seu dia-a-dia chato. Até porque phino que é phino não tem dia-a-dia chato.

*L´Andreis tem muita emoção no seu dia-a-dia, não sobrando espaço para PowerPoint. Dê forward em seus textos toda a quinta aqui ou todos os dias no twitter.

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Estresse, Fernandinho, Es-tres-se

Não posso agora, Mona. Tô na correria.

Clichê do final do ano é dizer que se está na correria. A economia aquece e pessoas brotam do chão em shoppings, ruas, avenidas, e até na Praça da Encol, onde a galere decide que vai colocar aquele biquíni de 95 correndo todo (e só) dezembro.

Aqui no meu universo não foi diferente. Trabalhos novos, duas viagens pra organizar, eventos, eventos, eventos, eventos. E o que é de praxe não pára: pagar impostos, ver a família, cuidar da casa, fazer as unhas, hidratar a pele.  Tô bem loca. Adrenalina em chamas.

Mas tem aquele bálsamo, pensar que o ano terminou BEM. Muito amor, muita beleza (1,5 kg a menos), mais dinheiro e poder (hohoho) e todos os pecados capitais muito bem atendidos.  Mas chega d´eu. Hora da oferenda. Correria pede bullet point, e aí vão:

AS DICAS DEFINITIVAS PARA VOCÊ CONTINUAR PHINA E BEM PENTEADA NO FINAL DO ANO

* Por  L´Andreis

  • PRESENTES

Triste é ter que correr pra dar presente na firma, pra família, pro peguete, pro formando e pro aniversariante filho de carnaval. Minimalismo é a dica: não vire o papai Noel.  Dê presente pra quem significa mesmo algo pra você. Além de mais barato, é mais fácil escolher. Você nem precisa ler as dicas de presente da Gloss. Muito simples: escolha algo que tenha o seu toque misturado com a personalidade da pessoa.

  • ROUPAS PARA NATAL E ANO NOVO

Toda família reunida e aquela sua prima que sempre volta de NY mais magra, mais loira e mais rica faz você ficar HORAS em lojas tentando encontrar o vestido perfeito? Bem, você pode ser prática e fazer um MELHORES DO ANO com as suas roupas pra escolher a que vai vestir. Se já ficou bem não traz insegurança. Não tem nada que preste no armário? Vá direto nas lojas que têm o seu estilo. Não se iluda que vai achar uma pechincha linda naquela loja com a vitrine cheia de babados que é perda de tempo.

  • EVENTOS NO MESMO DIA

Aniversário, festa da firma, formatura, happy hour imperdível. Deixe de ser boba, você sabe quais são as suas prioridades. Diga não para aquele amigo que já te deixou na mão algumas vezes e siga o seu coração: onde é que você vai se divertir mais? Um e-mail dizendo que não pode comparecer ou um cartão resolve e você não precisa aturar o que não quer. É final do ano, bora ser feliz, ok?

  • MALA PRA VIAGEM

Falta uma semana para sair da cidade e você nem sabe se tem um biquíni decente? Bom, gata, não é hora de passear no shopping. Alguns dias antes dê uma olhada no guarda-roupa e já combine mentalmente os looks que vai levar. Esqueça aquela peça TUDO que não combina com nada e só vai ocupar espaço na mala. Faça uma lista do que precisa levar e não esqueça do pijama (todo mundo sempre esquece). Pra não ficar insegura, os três itens básicos: confira o cash e a possibilidade de pegar mais no banco no destino, guarde a chave de casa em um compartimento fechado na bolsa pra não voltar homeless (uma cópia com um amigo phino também vale)  e certifique-se que o roaming do celular está ok esteja onde você estiver.

  • ATUALIZAÇÃO DE REDES SOCIAIS

Você está na correria e seu último tweet foi em novembro? O número de seguidores não cresce, não há retweets, enfim, a vida online está tão dura quanto a off? Aproveite aquela coisa pra desabafo coletivo e ganhe tempo não precisando conversar com cada amigo pra contar que você está esgotada com o final do ano.

  • VIVER SEM O EBDP

É o item mais difícil. Nós sabemos. Infelizmente, apesar da phinesse translúcida, somos alminhas ainda no samsara e precisamos correr tanto quanto você pra chegar em 2010 gatos e com a agenda em dia. Em caso de emergência, acesse o twitter.

* L´Andreis termina 2009 quase como Tieta voltando ao Agreste: magra, rica; porém, não loura que a cor da pele dela não combina com o dourado.  Em 2010 estará aqui toda quinta e pra sempre no twitter (@carolandreis) e em nossos corações.

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Dá-me dos (o trés, o…)

Dá-me dos!

Dá-me dos!

Por L’Andreis*

Nos tempos de jovem, era comum garotos com várias namoradas que justificavam isso sublinhando uma característica envolvente e necessária de cada uma, mas que faltava na outra. E ele, claro, não poderia viver sem. Não acreditava nisso. Achava a mais pura galinhagem. Importante notar o verbo no passado.

No mesmo mood, li em um livro que reunia marketing e maconha (não se assuste, isso é muito comum na área). Dizia que, para atingir o consumidor, deveríamos estar dispostos a alcançar sua águia interior (inteligência), seu leão (orgulho) e outro bicho que não vou lembrar, mas que representava a sexualidade (cobra?).

Eu, como não discuto com gente que usa drogas, concordei com tudo e fiquei pensando em outras utilidades pra tanta sabedoria. O tempo me ensinou que mercadologia e relacionamentos têm tudo a ver.

Eles são incompletos. Se tem a águia, falta a cobra; se tem a cobra, falta o leão. Antes, achava bonitinho e soltava meu instinto maternal pra colocar o imbecil no colo, levar na terapia, fazer comer menos carboidratos, correr na Encol, apresentar a literatura, a música e o cinema, ah, e que se foda, até o kama sutra.

Pergunta se alguma vez algum ser feminino ou masculino viu algum defeito em mim e me levou pro conserto? Nada. Fazia a fila andar. Ia pra outra, até cansar de achar uma sem defeito e ficar com aquela primeira namorada gordinha, sem sal, mas que nunca incomodou muito (e a mãe dele adora).

Jamais você me encontrará novamente achando problema pra consertar. Achei a fórmula do amor. Bora criar um Frankstein com vários gatinhos que daí dá pra aproveitar o que cada um tem de bom. Sem putaria, seu pervertido, que já viu um gang bang. Até porque achar mais de um bom de cama neste mundo em que quem não é bicha tem pau mole é algo muito muito complicado.

E falta a cobra
E falta a cobra

Então, confere a lista de compras pra ter um namorado Frankstein:

1 – Gatinho supridor de necessidades sexuais (a.k.a gatinho sedutor off-line)

Vamos e convenhamos, é pra isso que eles foram criados. Não vou me estender nisso porque cada um sabe onde aperta o, ãhn, sapato. Mas fato é que tem que ter um semi-fixo e merecedor do prazer uma ou duas vezes por semana. Mais pode estragar com o FOGO, menos vira brasa.

2 – Gatinho sedutor online

Se você, mulher, é como eu e trabalha na frente do computador, deve ficar entediada várias horas do dia e querer chamego e tesão em várias outras. O gatinho supridor de necessidades sexuais não fica online? Nem tem twitter? Passa o dia fora de casa e mal responde e-mail? Seus problemas acabaram, sempre há um gatinho louco pra te chamar de linda, bonita e gostosa online a qualquer hora do dia. Você nem precisa querer levar ele pra sua cama e ter que trocar o lençol de linho pra outro, é tudo muito virtual.

3 – Gatinho carinhoso online

Você tem atenção online fulltime pro ego e cama na medida certa, mas o no. 2 está querendo webcam demais e pergunta de menos como foi seu dia. Hora de chamar no gatinho carinhoso. Aquele que se conecta dando bom dia e fecha o MSN dizendo bons sonhos.

4 – Gatinho carinhoso off-line

Papai nunca te deu a atenção necessária e você precisa de colo, carinho, filminho e chazinho quente? Certifique-se que ele mora perto ou tem carro pra atender sempre seus chamados. Alerta, este pode querer o que o no.1 tem também, e você se ver obrigada a trocar lençóis. Só recomendo se valer a pena.

5 – Gatinho guru ou ficha no. 1

O último e importante componente, esperança. Acreditando ou não que um dia você ainda terá seu match point ou que um dia você terá força de vontade suficiente para se envolver em um projeto, vislumbrar isso é necessário. Ele tem que aparecer volta e meia e não ser onipresente. Como um jedi, dizer sempre as palavras certas, aliviar qualquer angustia e, claro, ser uma mistura de 1, 2, 3 e 4. Acessível, mas não neste momento. Porém, que não demore muito.

andreis_avatar *L’ Andreis abusa do cinismo, mas sabe que tudo se resume a atenção e pegada. Desenvolve fórmulas amorosas e fama de conquistadora barata aqui, toda quinta.

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Etiqueta na demissão (o mínimo necessário)

Por O Outro Lado*
(Em Busca do Feno)

Confesso já ter feito longas e constrangedoras cartas de demissão. Ia pelo sentimentalismo, acreditando que as pessoas estariam sentindo a falta do grande colega de trabalho que acreditava ser. Errado. O mais indicado é ser curto. Não grosso, mas breve.

Um bom começo é agradecer pela oportunidade. Em momentos tão difíceis, é natural a gratidão por ter recebido a chance de exercer sua profissão por uns trocadinhos. Esquecer os ressentimentos sempre. Não cabe usar a “demissiva” para ajustar contas seja com quem for.

Recordo de uma pessoa que se demitiu com um “desejo paciência a todos”. Coisa mais sem classe. Passa-se o dia inteiro exercitando a paciência pelo simples fato que é assim o mundo corporativo. Engolir em seco.

Nomear um a um os colegas e fazer mensagens supostamente pessoais não dá. Sempre faltará alguém, e esta pessoa se sentirá preterida. Lembre-se: sempre pode-se precisar de alguém, por mais insignificante que a pessoa pareça. Humildade é um sentimento pragmático.

A escolha do bar para o bota-fora tem que ser de acordo com o que a maioria prefere. Não pense em você e no que mais gosta, prefira o bar em que o pessoal do trabalho mais vai. Além de agradar, é bem possível cooptar gente que estaria lá sem relação com a saída da empresa, o que dá a boa impressão de que é querido.

Com estes valiosos conselhos, peço minha demissão do phino. Esta é minha última colaboração como fixo. Agradeço a oportunidade ao Rafa. E a todos pela leitura. Mas não vamos confundir as coisas: isto não é uma empresa. Desejo sorte na vida a todos.

ooutrolado_avatar*O Outro Lado se despede do EBDP nesta terça com muita classe e com o melhor avatar da trupe. Aparecerá aqui sempre que achar pertinente se manifestar em nome da phinesse.

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Darwin & Andy na bananeira 2.0

*Por Vini

Começo com o óbvio e de conhecimento geral. Andy Warhol já disse que no futuro todos teriam seus quinze minutos de fama. Confesso que não sou profundo conhecedor de sua obra. Conheço apenas as referências clássicas, que os pseudo-cults citam por aí. Não sei em que contexto ele fez tal declaração, mas acredito no tic-tac dessa profecia do século XX.

Eu ganhei meu primeiro celular aos 17 anos. Criei perfil no orkut aos 19. Fotolog aos 20. Last.fm aos 23. Twitter aos 24. Batizaram essa parafernalha toda de Web 2.0. Muita gente critica esta nomenclatura. O pessoal da área diz que é uma jogada de marketing. Talvez seja, talvez não.

Só sei que as crianças nascem jogando videogame, falando no celular, navegando na internet. E eu não trocaria a minha infância com Lego ao som de LPs em vinil por nada nesse mundo. E não me venham com aquele papo de avó que o bom era brincar na rua. De vez em quando, um pique-esconde, um pique-bandeira. No geral, confesso a vocês: era feliz com meus Legos, Comandos em Ação e afins, criando enredos e histórias só para mim. Começava um dia, continuava no seguinte. Meu pequeno mundo, plausível e coerente, porque sempre fui racional. O fantasioso precisa ser verossímil, afinal, a esperança é de que a ilusão se concretize um dia, certo?

“Ai, Vini, que que tem a ver Twitter com Comandos em Ação e pseudo-filosofia-de-bêbado-de-madrugada?” Calma, leitor(a) amigo(a), tudo se encaixará como um quebra-cabeça.

Outro dia mesmo vi um trailer de Comandos em Ação (G.I Joe – Rise of Cobra). Simples assim: joguei o nome no YouTube e pronto. O trailer é detestável: pura pirotecnia. E os personagens? E a história? Zero, ao menos no trailer. Fiquei um pouco desiludido e triste, afinal, não lembrava nada daquilo que eu gostava na infância.

De certo modo é compreensível. Com tanto “conteúdo” online, apenas os mais aptos sobrevivem. Darwin puro e aplicado. Um filme para ser sucesso de bilheteria deve ser atrativo. Deve chamar atenção para se perpetuar. Que estúdio de Hollywood não quer uma continuação?

E o mesmo acontece com as pessoas. Tantas redes sociais, tantos perfis, comunidades, fóruns. Pessoas postam e escrevem alucinadamente. Coletam amigos como chaveiros. Colocam fotos em poses sensuais. Algumas pessoas praticamente gritam, imploram para serem notadas. Sem contar aquela “lei” básica: siga-me que te sigo; “mi add” que te adicionarei também; comente-me e serás comentado.

Coisas da Web 2.0. E essas pessoas me lembram G.I. Joe – Rise of Cobra: muito paft! boom! zuuuuum! para nada. E o enredo dessas pessoas? Será que elas não têm clímax?

Todo o paft! boom! zuuuuum! para chamar atenção das outras espécimes. Na selva de bytes e bits, claro. Novamente Darwin. Puro e aplicado. O desafio phino, no meio dessa macacada toda, é achar a(s) banana(s) que prestam. Os mais “fortes” e “aptos” sobreviverão. Por quinze minutos, ao menos.

*Vini ama a internet e não consegue viver sem ela. Ainda sente saudades dos bonequinhos de Comandos em Ação. Perfeccionista e exigente como um general, apenas gostaria que a média geral fosse um pouco mais elevada.

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O twitter e o corpo são meus, ok?

nerd e gostoso: por que não?

nerd e gostoso: por que não?

Por Vini*

Chego da academia, alegre, cansado, feliz e serelepe. Abro o meu twitter e me deparo com a seguinte mensagem: “vou dar unfollow gostoso agora. odeio gente egocêntrica e monotemática que só fala de coisa fútil”.

A mensagem era para mim. A razão de tanto ódio e ofensa gratuita, phinos leitores? Tweets nos quais narro o meu novo treino de musculação.

Quando estava na sétima série, em 1997, percebi o quanto a mídia falava sobre a globalização. Nos anos seguintes, o tema virou febre. Todos comentavam sobre ser globalizado. Globalização existe desde Roma, se você pensar bem. Ou desde bem antes. Ad infinitum.

Em 1998, fiquei online pela primeira vez, aos treze anos. Na época, eu tinha internet discada. Não raro, quando eu tentava conectar, a chamada dava engano e na caixinha de som do meu computador ouvia-se a voz de uma secretária de um colégio de uma cidade vizinha. Eu, pacientemente, tirava o telefone do gancho e informava à minha amiga secretária sobre o intuito mal sucedido de me conectar à rede mundial de computadores.

Hoje, onze anos depois, tenho dois computadores em casa, conexão a cabo 24 horas, wireless.

Perfil no Orkut? Sim.
Perfil no Last.fm? Sim.
Perfil no Fotolog? Sim.
Gmail? Sim.
Hotmail? Sim.
Twitter? Sim.
Blog? Pretendo.

O Twitter tem como base a seguinte pergunta: “what are you doing?” 140 caracteres é muito pouco. O Twitter NÃO é um blog, caros amigos. Entretanto, como o ser humano segue a lei do menor esforço, a engenhoca serve como “microblog”. Aliás, assim se refere a mídia ao Twitter.

Então, respondendo em alto e bom tom à pergunta acima, vos digo que eu estou malhando, escrevendo ocasionalmente, estudando, lendo, vendo seriados. Basicamente isto, caros leitores. E não tem nada de errado. Vida calma e pacata, porque eu mereço um break. Quem quiser me seguir, me siga. Quem não quiser, tudo bem também.

Obviamente, como sou phino, não vou responder ao tweet mal educado em questão. Ser moderno, globalizado, antenado e online é muito bom. Eu durmo com meu celular ligado, esperando que algum amigo bêbado me acorde de madrugada. Odeio lugares sem sinal. Vejo os meus emails diariamente. Leio notícias e tento me manter bem informado.

E, no meio desta parafernalha globatal toda, não há nada de errado em aproveitar as coisas pequenas do dia-a-dia. Não, não sou Poliana. Eu fico pensando no @rafinhabastos, por exemplo. Deve ser chato ter que pensar em uma frase engraçada de meia em meia hora para colocar no Twitter. Não apenas chato, deve ser um pouco angustiante.

Eu sou inteligente. Sei ser engraçado. Mas não quero ter que ficar provando isso a cada linha que escrevo ou mensagem que passo nesses megabytes e ondas eletromagnéticas da vida. Eu quero aprender a ser desprentesioso. Se é para seguir alguém online, eu quero seguir seres humanos. Gente de carne e osso. Com o que eles têm de bom e ruim, oras. Emocionante e coditiano. E não tem nada demais em querer um pouco mais de carne.

*Vini já leu de Flaubert a Kant, ama historinhas em quadrinhos, gosta de comédias românticas e filmes de super-heróis e não tem preguiça de malhar duas horas de segunda à sexta, ao contrário de pessoas de bunda gorda que ofendem os outros gratuitamente na internet por pura inveja.

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