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Meu direito de ser nerd

Versão desatualizada. Revise seus conceitos

Por Vini*

Ahhh, ser nerd.

Semana passada, o dia do orgulho. Confesso que queria escrever na data. Rafa me disse que L’Andreis queria escrever no dia (uma terça-feira). Nada mais justo, afinal, foi por conta de seu twitter e suas manifestações de apoio à causa que me inspirei a escrever sobre o tema. Deixei o texto para depois, o que foi uma escolha acertada.

Acabei fazendo uma pesquisa sociológica no Twitter e no MSN sobre o que é “ser nerd”. Nada melhor do que me fazer de cobaia. Vesti meu uniforme de porquinho-da-índia egocêntrico e joguei a pergunta: você me considera nerd?

Eis alguns dos resultados:

*** “Desculpe, você é muito cool para ser nerd”. Minha ex-chefe, sobre mim, o estagiário-favorito.

*** “Você é nerd, mas de um jeito legal”. Amigo porra-louca.

*** “Você é mto disciplinado e inteligente”. Um dos melhores amigos gays.

*** “Você é estudioso e não visita o omelete.com.br todo dia, nem sabe de StarTrek”. Um dos melhores amigo hétero que competia academicamente comigo.

*** “Nerds são estranhos, não tomam banho e gostam de tecnologia, você não é assim”. Alguém que terminou o doutorado.

*** “Porque vc nao faz o estilo nerd, nerd nao dança no queijo nerd nao vai pra academia”. Um dos três dilemas de minha vida.

Eu sempre achei que minha ex-chefe me achasse nerd. Fiquei chocado com tal revelação. E, sim, eu visito omelete.com.br todo dia. Meu amigo hétero apenas diz coisas para me ofender. Ele sabe que odeio pessoas que são apenas estudiosas e esforçadas. Os burros que me desculpem, mas inteligência é fundamental.

Mas a verdade é que me considero nerd. Sempre fui inteligente, ótimo aluno, boas notas. Até o fim da faculdade, tirar 90% não era uma obrigação ou vaidade e, sim. apenas uma coisa que eu sabia que tinha chances de conseguir, logo não ia me contentar com menos.

Agora muitas pessoas dispensam o elemento “bom aluno” do conceito nerd. Para uma certa facção geek, basta apenas o interesse profundo por tecnologia e ciências. O resto é mero efeito colateral.

Para muitos, eu cometi a maior heresia que um nerd poderia cometer. Largar computação e engenharia pelas ciências sociais aplicadas, no caso, direito. Há quem diga que humanas não é ciência e ponto final.

Engraçado que o ponto de vista das respostas varia. Para alguns, ser nerd é coisa ruim. Logo um “cool” para me salvar desta categoria ou adjetivos como disciplinado e inteligente. Para outros é uma honra ser parte do grupo, e eu não mereço tal regalia.

Não preciso desmontar computadores e saber com funcionam por dentro. Gosto de estudar e aprender, só que outras coisas. Não preciso ver Star Trek. Tenho minha lista de seriados e meus quadrinhos. Se quiserem me achar, tudo bem. Se não quiserem tudo ótimo também.

Apenas evolui do nerd tímido que fui quando criança, pro nerd phino que sou hoje. Antes mais estereótipo, hoje criei meu próprio tipo. Não troco meus óculos por lentes de contato por nada deste mundo. Apenas troquei a primeira armação brega preta por outras mais bonitas.

Nerds aprendem rápido. Alguns nerds aprendem mais rápido que os outros. Apenas aprendo o que gosto dos vários mundos que conheço. Só isso.

*Vini, como todo bom nerd, quer dominar o mundo e mostra pedaços de seus planos de world-global-domination aqui, às terças.

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Dia Mundial do Orgulho Nerd

* L´Andreis

Não lembro quando foi que entendi o que era um nerd. Certamente foi em alguma parte dos anos 80 e com certeza a minha felicidade veio exatamente por a palavra estar no plural. Eram mais de um, um grupo e eu poderia pertencer a ele. Jogar RPG, videogame, escutar as músicas que não estavam na rádio e ler os livros que a professora não pedia, tudo isso fazia parte desta cultura que hoje é comemorada e me deixa  mais feliz que Han Solo quando soube que Léia e Luke eram irmãos. Você pode perguntar como de nerd virei phina e vai ficar sem resposta. Não há nada mais phino que um nerd cheio de orgulho e malícia.

Parabéns a todos!

* L´Andreis é nerd. Se você também for, siga o twitter @nerdDEZ e ganhe kits nerds.

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Estar perto não é físico

Por Rafa*

Sei que faz tempo que não apareço por aqui. Na verdade, não tenho muita coisa pra dizer ultimamente sobre a phinesse, cada vez mais rara. Mas não pensem que abandonei vocês.

É que há tantos filmes pra ver no cinema, tantas bandas novas pra escutar, outras coisas pra escrever. E, quando decidi me manifestar neste espaço, era pra sair engraçado, divertido.

Não estou triste, não fiquem preocupados. Mas estou melancólico. Sinto frio, mesmo com muita roupa. Sinto saudades de algo que nunca tive. E claro, sinto falta de você, que hoje não vai me ler, muito menos me ver. Dormir comigo então…

Nem espero mais, e tu sabe disso. Mas é que, sei lá, tanto tempo ausente por aqui; tantas ausências das duas partes.

Leitor, não me leve a mal, mas hoje você não vair rir. As piadas são as velhas, nada supreendente aconteceu. E eu nunca trabalhei tanto. E estou tão feliz.

A lição do dia: estar perto não é físico. Não entendeu. Vai ver “Os Famosos e os Duendes da Morte”. O nome não ajuda, mas é tão bom. Fica mais fácil compreender.

Volto em breve, mais engraçado. Ou triste. Phino, com certeza.

*Rafa escreve aqui às segundas. Adiantou porque faz tempo que não aparece.

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Love and real life

Ela sempre sabe o que dizer

Por Vini*

Love, love, love. People cry, pray, and they beg. Até que é bonitinho ouvir Nina Person cantando e fazendo biquinho. Na prática, codependência emocional define a situação. E não é legal, amiguinhos, simplesmente.

Exemplos me cercam a todo lado. Pessoas tweetando freneticamente na minha timeline. Carentes que precisam de atenção. Deixam uma folha de papel cair no chão e relatam em 140 caracteres a emoção de ver a força da gravidade atuando. Demonstrações de amor gratuito, não tão gratuitas assim. E eu tendo que ler, com o dedo coçando para dar unfollow e não posso, por uma questão de “educação”. (Mentira que não leio e saio pulando com os olhos.)

Tudo bem que sou meio amargo e estou praticamente morto por dentro, segundo opinão popular consagrada. Mas emoções vazias não me interessam.

Igual família. Sangue não é afeto. Um exemplo. Meu pai. Não vejo desde meados da década de 90. Não falo desde o fim desses anos. E pra mim tá ótimo. Porque ele não é boa pessoa. De fato e com provas objetivamente avaliáveis. Para que eu vou querer alguém assim perto de mim? Para no futuro eu ter que pagar pensão alimentícia? Não, obrigado. E eu não sinto falta, simplesmente porque não conheço o cara. E para que eu vou ter traumas de “papai-não-me-ama” se eu não sinto nada?

A gente tem alguns pré-esquemas montados na cabeça. Alguns “valores” que nos foram passados. Ideias de casa, família, cachorro e todo mundo comendo junto na mesa.

Eu respeito quem partilha desses valores mais tradicionais. Pessoas que querem casar, ter uma relação séria e duradoura. Afinal, cada um faz o que quer. O problema é quando as pessoas passam a viver em busca desses ideais, que são justamente ideais, ou seja, estão num outro plano. Aí não conseguem e sofrem. E muito.

A vida concreta tem tantas oportunidades reais e imperfeitas. E os defeitos são a melhor parte. Nem sempre, é claro, mas que alguns têm seu charme, isso é fato. E o mais engraçado de tudo é que o ideal não necessariamente há de se concretizar. Então, para que sofrer por algo que você nem tem, teve e sabe como é?

E se você teve e deu errado? Gente, deu errado. Não existem vilões e mocinhos nas histórias. Princesas em castelos, grandes reviravoltas, fadas e bruxas. No, no, no.

Pessoas de carne e osso que erram e acertam. E existem muitas pessoas fantásticas por aí. Pessoas para serem amadas de várias formas, gêneros e gostos. E pessoas que vão te amar em jeitos que você não esperava. E lembre-se que isso não é um conto de fadas, apenas a vida real. Vale a máxima, sempre: “Second best is never enough, you’ll do it much better on your own”.

*Vini é pragmático e cético, mas espera encontrar as tais pessoas fantásticas por aí. No meio tempo, filosofa aqui, às terça-feiras.

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Música para seus (phinos) ouvidos

Seriously: DON'T.

Por Vini*

De vez em quando, paro e penso no livre arbítrio. Não raro, chego à conclusão de que foi uma das grandes falhas da Criação. Tal assertiva é facilmente corroborada pela série de escolhas visivelmente erradas que as pessoas fazem cotidianamente. Ainda que exista uma área cinzenta, onde o certo ou errado são nubolosos, algumas situações são claras como água. Nessas horas, me questiono sobre onde estará o grande carimbo celestial vermelho dizendo “DON’T” em letras garrafais.

Semana passada, tivemos o exemplo maior disso. O retorno de Christina Aguilera em seu vídeo Not Myself Tonight. Não vou ficar batendo na tecla, porque este gravíssimo atentado à phinesse já foi debatido a exaustão em vários meios de comunicação. Claro que existem os pró-Xtina, os contra, e aqueles “who cares, she’s dead anyway” (bjomeliga, Rodrigo).

Sim, ela se autosepultou. Mas aí voltamos à questão do livre arbítrio. O ouvido é seu, os olhos também. Ninguém é obrigado a aceitar imposições das grandes gravadoras.

Não entendo porque Christina insistiu em copiar Madonna (com “Human Nature” e “Express Yourself”), Britney (“3”) e Lady Gaga (er, tão óbvio que me faz me sentir desconfortável só de falar). E a letra? “Não sou eu mesma essa noite?” “Quero pegar meninos e meninas?” Preguiça. Se você quer pegar meninos e meninas, pegue porque você gosta, não porque quer pirar o cabeção e fazer uma loucura pseudo drogas-sexo-rock’n’roll numa noite.

Quando a gente é menor, forçosamente é influenciado pela MTV. É praticamente uma Igreja Católica musical que nos dá o primeiro batismo.

No meu tempo, MTV era boa. Hoje dispenso. Porque se o canal chama Music Television, pressupõe-se, no mínimo, que vai falar de música. É tanto reality show pra adolescente desmiolado que nem me digno a saber mais. E olha que eu visitava todos os dias os sites da MTV USA, BR e Latina.

VH1 é bom. Música para os pós-adolescentes e adultos de toda espécie. Mas não aguento os reality e especiais. I’m a junkie, I need my music 24/7.

Lembra do livre arbítrio? Pois então. Para você fugir deste main stream louco, duas sugestões cibernéticas.

Last.fm. http://last.fm

A melhor rede social do cosmos. Você baixa um aplicativo no seu pczinho. Toda vez que você ouvir música, é feito um scrobble da faixa. Tudo que você escuta fica listado no seu perfil. Assim você tem tabelas organizadas por faixas, artistas e álbuns do que você escuta. Os usuários colocam informações sobre os artistas, no melhor estilo wikipedia. Fotos, imagens e tudo mais. Além disso, há um serviço de rádio (hoje pago, infelizmente), nível de compatibilidade com seus amigos, vizinhos (outros usuários com gosto musical semelhante) e indicação de artistas parecidos aos que você escuta.

Hype Machine http://hypem.com

Faixas que são colocadas em blogs do mundo todo, em um só site. Você consegue pesquisar, ouvir faixas recently blogged, achar links para download e tudo mais. O áudio funciona em um player no próprio site, em streaming. Também tem histórico e você pode favoritar faixas, tal como last.fm. E agora, você consegue fazer scrobble no seu last.fm das faixas que aqui escuta.

Sites que já estão no mercado há um tempo. Mas só outro dia eu descobri as maravilhas do HypeM. Censurei profundamente um amigo que conhecia e não tinha me apresentado. E ainda me ironizou pq há “séculos” já estava no ar. Egoísta ele.

*Vini escuta música o dia todo, o dia inteiro, 24/7 e compõe versos não musicais aqui, às terças-feiras.

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Cacao Sampaka

A caixa de "ousadias gourmet" está nesta loja

Por L’Andreis*

Ir ao restaurante El Bule, do chefe catalão Ferran Adrià, é um sonho em lista de espera. Juro que pensamos em ir nesta última viagem, mas, veja bem, coincidiu de estar fechado. Pulamos então para a sobremesa.

Cacao Sampaka é a chocolateria gourmet do irmão de Ferran, Albert. Anchovas, queijo parmesao, curry, alecrim, por lá tudo pode ser recheio de chocolate. Uma caixa com 16 bombons custa, em média, 10 euros. Fomos a loja de Barcelona e experimentamos a caixa “grandes origens”, que vem com dois bombons de cada nacionalidade: Costa do Marfim, Grenada, Camarões, Equador, Venezuela, Costa Rica, Madagascar.

Meu namorado ficou com a Venezuela, com um aftertaste picante; já eu preferi a Costa do Marfim (afinal, a África do Sul é logo ali), com um sabor mais próximo ao caramelo. O cacau africano me pareceu mais adocicado, enquanto o latino, mais terroso.

Recomendo o investimento. E juro até o final da viagem voltar lá para experimentar a caixa de “ousadias gourmet”.

*L´Andreis escreve aqui todas as quintas em troca de bombons.

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Arquivado em correspondente internacional, fica aí a dica, Glamour consagrado, lição de vida

A phinesse e o vinho

I need some fine wine, and you, you need to be nicer


Por Vini*

De vez em quando, paro e reflito sobre o que é ser phino. Alguém mais desavisado, ou um leitor desatento de primeira viagem neste barco da phinesse, poderia confundir o conceito com ser pedante, frívolo, superficial ou formalista pela forma. Conceituar e definir, de modo categórico e absoluto, é deveras difícil, considerando a vastidão da mente humana. Mas existem aquelas situações em que o alarme soa freneticamente, e você vê que um atentado à phinesse é cometido.

Este fim de semana, vivi um episódio que me incomodou. Esboço do cenário: pequena reunião de amigos da matriarca aqui em casa. Pessoas nos seus late 40s, early 50s e 60s. Eu era um dos poucos representantes da galerinha “jovem”.

Cidade do interior tem aquela ligeira obsessão por coisas que acham que é status: viagens assim e assado (leia-se “internacionais”), certos lugares, certas bebidas e assim vai. Nada contra, acho ótimo. O que eu sou contra é o uso que se faz disso. Vamos ao caso prático.

Pessoa X, “n” taças de vinho depois, para e solenemente anuncia: “só tomo vinhos chilenos, portugueses e italianos. Mas o vinho tal (que pasmem, era chileno) está abaixo da minha de qualidade”.

O vinho chileno que a senhora em questão desmereceu é bom. E, por ocasião, a senhora bebia um vinho nacional, que a matriarca gentilmente ofereceu porque considera um vinho de boa qualidade. E foi por questão de gosto, afinal, vinhos de várias nacionalidades habitam a adega doméstica, incluindo chilenos, portugueses, etc. Isso porque estava sendo servido whiskey, espumante e uma série de outras bebidas a sua escolha. Fartura é o que não falta e o livre-arbítrio etílico imperava.

Senti-me incomodado. Se ela só gosta de tais vinhos, tal vinho que ela bebia era de má qualidade? Sendo de má qualidade como ela bebeu mais de uma garrafa e meia e ficou bem alegrinha?

Gosta de viajar ao exterior, mas não sabe uma linha de inglês. No mundo atual, saber inglês não é luxo, é básico, elementar. Se a senhora gosta de desbravar o mundo, por que não faz melhor proveito de seu tempo e aprende uma outra língua? Conhecimento nunca é demais e não tem idade.

Voltemos ao vinho. É bom, eu gosto, eu bebo. Mas não porque eu acho que dê status, e sim porque eu gosto do gosto e pronto. Tem gente que aprende umas três ou quatro regras sobre a bebida e se julga o sommelier do ano. E decora certas frases para jogar em eventos sociais e demonstrar a sua “profunda” cultura.

E são essas pessoas que acompanham as listas de best-sellers e compram na livraria os mais vendidos. Sabe aquela história idiota que vende rios e rios e o povo vai lá e lê degustando aquele vinho ma-ra-vi-lho-so? Preguiça eterna, me dê uma cama que vou dormir, por favor.

Gosto é gosto. Cinema, por exemplo. “Avatar” é o mais visto da história? Maior bilheteria? Nossa, que coisa, não? Seres azuis com rabo não me interessam. Nada contra o filme, porque não vi e não vou julgar, mas a princípio não me atrai. Eu não vou ver “Avatar” só para conversar “socialmente” (ao lado daquele vinho que o pseudosommelier me oferece).

Em nome de uma suposta phinesse, as pessoas cometem atentados. A senhora do episódio narrado foi um tanto quanto indelicada, ao dar a entender que o vinho servido seria ruim. Mas pra quem bebe uma garrafa e meia, até vinho de garrafão deve servir, né? Incongruência.

Então, amiguinhos, fica aqui um aviso. Desconfiem de práticas e hábitos sociais erroneamente taxadas de phinas. Não seja escravo de modismos. Porque ser phino não tem a ver com a forma ou procedência, e sim com o conteúdo. Você não é o que bebe e sim o que você pensa. Por si próprio e não porque te mandaram pensar assim.

*Vini tem preguiça de pessoas engarrafadas em série e destila suas palavras etílicas aqui, às terça-feiras.

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Arquivado em fica aí a dica, vergonha alheia, Vini