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O ataque do veludo roxo

Ela pode. E não é veludo.

Por Vini*

Não, não é Halloween. Mas as bruxas estão à solta. E não é o frio da
estação que me faz arrepiar. Outro sentido humano meu que tem sofrido.
Pobre de minha visão.

Morar no alto de uma serra do interior das Minas Gerais te garante um
certo período de frio, mesmo em tempos de globalização, aquecimento,
efeito estufa e derretimento das calotas polares. Não é como dez anos
atrás, mas mesmo assim, algum tipo de agasalho é necessário.

Depois de um período vivendo em uma cidade quente, abracei minhas
raízes tropicais e virei amante do calor: ar condicionado, sorvete,
aula de natação no fim da tarde e por ai vai. Voltar a morar na serra
não me trouxe de volta a paixão pelo frio.

Respeito quem gosta de frio, pelo argumento mais convencedor de todos:
no frio, as pessoas podem se vestir bem. Notem bem, queridos leitores,
o verbo utilizado – poder – que indica a mera possibilidade. Para a
concretização do fato, precisa-se do elemento decisivo que todo phino
deve ter em abundância: bom senso. Sem ele, não há frio que te dê
glamour.

Voltemos ao contexto de cidade do interior – onde uma dita elite acha
que tem dinheiro e bom gosto – para que a história seja o mais
verossímil possível.

Mesmo com frio, é necessário malhar e cuidar do corpitcho para exibir
a boa forma no verão. A academia na qual malho é frequentada por essa
dita elite, digamos, na medida em que uma cidade do interior permite.
Pois bem.

Não é para o meu espanto que, em tempos frios de malhação, a academia
fique ligeiramente menos ocupada. Acho bom.

Mas mesmo assim vejo em dias diferentes algo que queimou meus olhos.
Duas mulheres, uma mais moça e uma senhora, usando um
agasalho/abrigo/conjunto/insira-o-termo-certo aqui de veludo roxo.

O que aconteceu com tecidos de tectel? Um simples moleton?

Veludo é um tecido muito complicado. A lembrança de um tecido
aveludado levemente canelado me assombra desde os anos 90. Com todo o
revival/comeback possível dos anos 90, alguns tecidos JAMAIS devem
voltar.

Veludo tem que ser discreto. Veludo não combina com academia e não tem
propriedades que beneficiam o aeróbico ou a musculação. É errado.

Agora, roxo. Roxo, meo deos? Roxo? A pessoa acha que é uma uva
aveludada e foi malhar. Calça e blusa da mesma cor. Okay, é o conceito
de conjunto. Mas roxo é uma cor vibrante.

Roxo não é cor do inverno. Isso é um mito, uma idéia do senso comum.
Roxo é muito 2006, quando Madonna resolveu que Confessions on a Dance
Floor teria tons de roxo. Hung Up, Sorry etc. Mas ela é a Madonna. Não
que isso a isente de erros, mas isso lhe dá uma certa licença para
poder errar. O que não ocorreu, claro, roxo pra ela foi lindo.

Agora, amigas da academia, vocês não são Madonna.

Eis que por fim, andando pela rua, encontro o terceiro exemplar roxo:
a senhora que costumava trabalhar na casa de minha finada avó. E
estava gorda, gorda, gorda. Pior que nem podia mandá-la malhar, porque
com roxo não dá.

*Vini defende bom senso na moda e aconselha todos a praticarem
atividades físicas regulares com frequência, agora, toda quarta-feira.

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Got to be real

Carrie on

Carrie on

*Por Vini

É como diz uma amiga minha: “gosto é igual braço, tem gente que não tem, né?”

“Nossa, que horror, Vini, como vocês são cruéis”.

Verdade, queridos, somos cruéis e adoramos. Humor negro à parte, eu tento respeitar os gostos alheios. Afinal, sou jurista e tenho embasamento teórico vasto neste sentido. Viva o plurarismo e que cada um cuide de sua vida, não é mesmo?

Mas, sempre há um porém. Existem certas pessoas que me deixam com a pulga atrás da orelha, para usar uma expressão bem mil novecentos e guaraná de rolha. São os enrustidos.

Para o bem ou para o mal, eu malho em uma academia infestada deles. Cidade do interior, as pessoas têm medo e tudo mais, e lá vai a história.

Eu não gosto de rótulos e respeito muito a diferença de cada um. Não acho que todo homem que gosta de Madonna é gay, assim como acho que gay pode gostar de futebol e assim vai.

Ilustremos. Eu tenho um grande amigo que se veste super bem, gasta com produtos de beleza, vai para balada, escuta todo o dragpop e está bem casado com uma guria no Canadá. E as pessoas me perguntam: ele é? Eu digo categoricamente que não e acredito nisso numa boa e somos todos felizes.

Agora, existem pessoas que forçam demais. Vamos ao meu personagem favorito: “o muito estiloso para ser hétero”, apelido dado a um guri da academia.

Alto, malha muito. Se você prestar atenção, verá que o rosto é feio. Corre na esteira com um micro-short, alegando ser bom para corrida. Sai da esteira e vai se alongar, suado, conversando na frente dos demais colegas. E faz aquele alongamento bem explícito e exagerado, com movimentos circulares. Já vi até rolar abraço. E, cuidadosamente, joga um “pra caralho” na frase. Ah, claro, não esqueçamos da camisa do time de futebol.

E ele se veste bem, até. Roupas diferentes do senso comum. Mas, não dá, o radar apita. E isso é praticamente o sétimo sentido, meus caros. E, dae, eu não entendo. Realmente ele parece se esforçar demais para estar no clima da suposta heterossexualidade.

“E daí, Vini? O problema é dele”.

De fato, é. Não é meu amigo, nem nada. Mas é que se eu estiver correto, o jogo que ele faz deve ser muito cansativo, porque me parece ser tudo muito planejado. E se eu estiver errado quanto a ele, com certeza tem muita gente nessa situação.

Eu, por exemplo. Sou na minha. Não sou machão, nem faço estilo. Não sou militante. Tento ser apenas eu.

E isso tem dado certo. Neste meu tempo, fora do armário, não sofri preconceito, nem nada, obrigado. Talvez seja porque eu não me preocupoe muito com isso. Talvez porque eu conviva com pessoas evoluídas. Talvez eu tenha sorte. Talvez os tempos estejam mudando.

A questão é que muitas vezes a nóia reside na cabeça da própria pessoa, que, justamente, é a primeira a se rotular. Abstraia e mostre seu conteúdo, seja lá o sabor que ele tiver.

Faça igual a Carrie: pegue a calcinha brilhante (para quem tiver e curtir) e se jogue na passarela. Se cair, levanta, sem ligar pra plateia, porque é isso que as pessoas reais fazem.

*Vini está com o radar sempre ligado e desfila aqui às terças-feiras.

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De volta à guerra

ai, que delícia de pistinha

ai, que delícia de pistinha

Por Rafa*

Mais uma vez, entrego os pontos. Desta feita, para o hype. Juro que tentei: festas com gente descolada e bom som. Mas, sem ofensas, nas baladinhas do rock só tem bicha feia e com a aparência de descuidada. Quem disse que não dá pra ser gostoso e gostar de música boa?

Barba onde não precisa, óculos por demais estilosos, roupas bregas (camisa xadrez, até quando?). Cansei, não dá. E quase todos são muito baixinhos… Ou altos demais e muito magros. Por quê? Daí tu acha um com altura compatível, gostos parecidos e um mero detalhe: ele não está a fim de você.

Então, no sábado, resolvi me jogar naquele lugar que é considerado a casa noturna gay mais sensacional da América Latina, para onde as bichas partem do Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre etc nos feriados para desfrutar: a famigerada The Week.

A primeira e única vez que eu havia colocado meus pés lá havia sido em 2005, quando meu único amigo “Barbie” para lá me arrastou. Confesso que, aos 25 anos, fiquei um tanto chocado com os boys sem camisa, se abraçando e se esfregando. Senti nojinho.

A primeira grande dúvida: “com que roupa eu vou”. A primeira dica: ao retornar a um lugar que você julgava não fazer mais parte, tente manter seu estilo. Não corra para a Diesel mais próxima atrás de uma calça justa nem se jogue no Nike shock (é isso?) se isso não faz a tua cabeça. E passe longe da seção de camisas pólo. Elas são tão 2007.

Mantendo o seu estilo, você tem grandes chances de se diferenciar da massa e achar alguém mais adequado ao seu perfil.

Evite com forças tirar a camisa, mesmo que você esteja com o corpo em dia. Quer dizer, sabemos que lá é o lugar pra isso, mas, enfim, não evoluímos tanto pra na primeira noite já sair mostrando os músculos, não é mesmo? Atenção: você é uma “wanna be” barbie. Calma.

O segundo passo: como dançar. Juro que até tentei imitar os gatinhos bombados. A piração do povo é tanta que TODOS os descamisados, eu disse TODOS (assim mesmo, em caixa alta), dançam da mesma forma. Não sei nem como descrever. É uma coisa meio socando os braços no ar, como se tivesse fazendo alguma aula de ginástica, mas, ao mesmo tempo, meio travado, como se os músculos impedissem movimentos mais livres. Após 30 minutos tentando, juro que me achei completamente ridículo e optei por seguir o meu ritmo.

cansei

cansei

O mais difícil, claro, fica pra hora da paquera. A cena: Rafa se interessa por gatinho loiro lindo de morrer e vai atrás. Encara o moço, que está a uns três metros de distância. Ele retribui a mirada e vai além: abre um sorriso. Retribuo. Então, a surpresa: ele tira a camisa e revela o corpo perfeito, todo trabalhado na academia.

Paralisei. Barbies amigas do EBDP, me ajudem, o que se faz numa hora dessas? Se retribui tirando a camisa também? Bom, não foi possível manter o nível de paquera. Final da história: gatinho me abandonou.

Daí que, mais tarde, me interessei por mais um descamisado. Mais acostumado com meus novos amigos, não cheguei a achar a situação estranha. O gatinho me deu bola. Enquanto rolava o clima de paquera e azaração, ele começou a se esfregar no amigo que o acompanhava. Daqui um pouco tava beijando o cara. E me olhava mesmo assim. Daí eu já não entendi mais nada e achei que era melhor desencanar. Muita informação.

Daí aparece a bicha pobrinha (de espírito, no mínimo), ostentando uma camiseta com os dizeres: EXCHANGE ARMANI MILANO. Pelamor, evite. Enquanto eu me chocava com a aberração, meu melhor amigo seduzia o moço e em cinco minutos estaria atracado com o cara no meio da pista. Melhor deixar pra entender mais tarde, na hora da meditação.

Após muito clima de paquera, azaração e jogação na pista, olhei para o relógio: 6h. Hora de começar a preparar o meu espírito para partir. Mesmo saindo da festinha com as mãos abanando, tinha gostado da experiência. E confesso: adorei dançar as músicas de refrão fácil que falavam de amor na pista.

Enquanto aguardava na parede a fila diminuir um pouco para encarar o retorno à minha casa e o fim de toda aquela ilusão, um gatinho parou do meu lado. Após as devidas apresentações, eu comentei sobre o meu retorno à casa. Ele, por consequência, perguntou o que eu estava achando.

“Bom, sou um cara do rock”, eu disse. E abusei de mais um sorrisão. Ele não retribuiu. Se aproximou com seu corpo descamisado, me deu um beijo bom e demorado, emendou um sorriso na sequência e foi-se.

Chegando em casa, resolvi por bem escutar alguma canção pop melancólica. Afinal, tudo tem limite e uma hora tem que acabar, não é mesmo?

*Rafa não mostrou o dorso desnudo na balada, mas gostaria de ter tirado a camisa entre quatro paredes para alguém. Hedonista aqui, às segundas. Espalhando amor por aí, nos outros dias.

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Dez verdades sobre a beleza e a academia

gostou? entra na fila... e malha

gostou? entra na fila... e malha

Conversava com um gatinho esses dias no balcão do bar. Estava frio, então o charme ficava por conta do papo, das boas roupas e da malemolência nossa de casa dia. O brabo dos dias de temperaturas baixas é que não há como averiguar o nível de murcilha do outro (revise o conceito aqui).

Mas gatinho era mais esperto que eu. Perguntou se eu curtia e frequentava academia. Minha resposta entregaria o meu nível de gostosura – ou a falta dela. Achei melhor dizer a verdade: que conseguia malhar de duas a três vezes por semana, apesar de não gostar muito, porque tenho que puxar ferro de manhã cedo. Acrescentei que corria e jogava vôlei sempre que sobrava tempo.

Então veio a humilhação. Gatinho me explicou que aprendeu a gostar de malhar e que ia na academia seis vezes por semana, religiosamente. Fiquei um tanto quanto chocado, porque aprendi que os que dedicam muito tempo pro corpo acabam não exercitando tanto a mente. Detalhe: ele era inteligente e tinha um ótimo papo. E, após o meu choque, o moço se levantou da sua cadeira, foi ao banheiro e não voltou nunca mais, para meu desespero.

Não preciso nem contar pra vocês que acordei cedíssimo no outro dia e fui direto pra academia ter uma conversa séria com o meu personal trainer. Que queria uma explicação praquele fora, já que eu estava me esforçando bastante para manter o corpitcho em dia. Então, personal trainer começou a disparar verdades verdadeiras. Refleti bastante neste final de semana e eu compartilho com vocês minhas conclusões aqui:

1 – A genética, apesar de todos os avanços da tecnologia, continua sendo muito importante quando o assunto é beleza. Não adianta fazer plástica nem malhar feito um louco, que tu nunca vai ter a bunda do Nadal, a melhor do mundo. Confira abaixo.

quer ter uma igual? vai ficar querendo, sorry

quer ter uma igual? vai ficar querendo, sorry

2 – Quem não foi beneficiado pela genética deve recorrer à malhação diária, seis vezes por semana, se possível. Cai bem madrugar, se alimentar direito e puxar ferro com afinco. Valem também plásticas e bons cremes. Fica nas tuas mãos querer isto ou não, mas se preferir o não, melhor pegar aquele ajeitadinho que te dá bola na firma e não reclamar.

3 – Não adianta cuidar do corpitcho e se atolar na cerveja, na batata Pringles e no McDonald’s, principalmente se tu tiver uma genética favorável à murcilha.

4 – Essa vai doer. Sempre vai ter alguém muito gostoso que, além disso, vai ser mais inteligente e bem sucedido que tu. Diferente do que nos ensinaram, a vida não é justa.

5 – Não basta só malhar. Inteligência é fundamental e até os gostosos hoje vão ao cinema e lêem livros difíceis. Foi-se o tempo que um corpo perfeito era suficiente para ser feliz.

6 – Roupas boas sempre ajudam e valorizam os músculos trabalhados na academia. Não jogue fora todo o seu tempo da malhação desfilando por aí com aquela calça branca justésima que não fica bem nem na Gisele Bündchen.

7 – Para frequentar a academia, também é importante escolher bem o vestuário. Segundo as últimas pesquisas, muitos casais têm se formado na sala de musculação. A explicação: níveis de gostosura compatíveis ajudam no sexo e embalam bem qualquer romance. Foi constatado também que os casais que seguiram malhando ficaram juntos por muito mais tempo. Quem parou foi trocado por um parceiro muito melhor.

8 – Na hora de escolher o personal trainer, opte pelos feios que viraram gostosos. Estes foram os que mais precisaram da academia e sabem transformá-la em um ótima aliada.

9 – Esta só vale para os homossexuais: se o corpo estiver em dia, vale mostrá-lo nu no vestiário. Sempre vai ter alguém avaliando o material.

10 – Nunca, jamais, diga, em uma conversa com quem quer que seja –pode ser até aquele bonito com doutorado na Sorbonne- que tu não liga pra academia e acha fútil. Diz o estudo que a pessoa conclui que está tudo caído no seu corpitcho, mesmo que isso não seja verdade.

rafa_avatar*Rafa bebe, lê, come bem, malha e segue em busca de um tanquinho pra chamar de seu. Malha os que não mantêm o corpo em dia aqui, às segundas; nos outros dias, malha o bíceps, o quadríceps e outros músculos responsáveis por seu nível de gostosura.

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Olhos nos olhos

quero ver o que você faz

quero ver o que você faz

Por Dany Darko*

Leonardo da Vinci disse que os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo. O gesto singelo da troca de olhares comprova a sentença. Não existe verdade sem olhos nos olhos, assim como (quase) nenhuma mentira resiste ao encontro das pupilas.

Inesperado ou proposital, o olhar cria um vínculo que pode ser fugaz ou permanente, pode compartilhar opiniões e sentimentos, inspirar segurança, complacência, mas também discordância e reprovação. E dizem que há coisas que só o olhar transmite, rechaçando a necessidade da expressão oral, visto que os olhos falam por si – ou por mim, você e todos nós.

Vinda de um país onde facilidade de expressão é uma das especialidades nacionais, das conversas soltas que correm por horas a fio e das aberturas e liberdades de convivência e relacionamentos ilimitadas, me surpreendi com a inversão de valores do denominado Velho Mundo. Ao contrário da terrinha, aqui, os olhares evitam encontros, estão sempre flutuando no vazio, se constrangem ao esbarrar nos olhos alheios, fogem.

Já as pupilas mais ousadas acreditam que troca troca é uma alusão sexual. E aí abordagens acontecem sem qualquer indício de interesse dos desavisados. Até que me aconselharam: pare de olhar nos olhos das pessoas porque a troca de olhares indica concessão, intimidade e abertura. Passei a fazer jogging olhando para o chão depois que fui parada por uma criatura dizendo que tinha química nos nossos olhares. NOT.

E aí a contradição: como um povo que preza tanto modos, maneiras e educação consegue conviver com essa fuga constante das pupilas? Os vizinhos que dizem bonjour (tradução: bom dia) não importa quantas vezes passarem por você num mesmo dia. Os passantes que desejam bon appétit (tradução: bom apetite) para os desconhecidos que almoçam nas terraças pelas ruas. Os comerciantes que emendam cumprimentos para os clientes no final de cada compra. O circo todo é armado, mas o espetáculo é para (os opcionalmente) cegos.

Ou para os tendenciosamente cegos. Porque vejo (porque faço questão de enxergar) que é assim que a cousa toda evolui. Primeiro, a gente nega os olhares, depois as ações, depois as vontades, depois a sensibilidade… e chega uma hora que nada mais importa. Fechamos todas as janelas, quebramos todos os espelhos. E aí a gente vira gelo.

* Dany Darko é a favor de emoções, das explosões e expressões. Chora com a mesma facilidade e frequência que ri, mas não é emo nem freak (viu, editor?). Luta contra a cegueira emocional, apesar dos seis graus de miopia, aqui, às quartas, e , com os olhos sempre abertos.

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Desabafo: abomino Caminho das Índias

Heinze, corazón, me salva desses indianos

Heinze, corazón, me salva desses indianos

Por SextaSessão*

A última novela que acompanhei foi “O dono do mundo”. Não sei o ano, mas lembro dos atores e da trama. Desconheço o motivo porque parei. Não foi por ideologia, apenas acabei desenvolvendo outros interesses noturnos incompatíveis com o horário.

Depois veio a Net e tive argumentos para esquecer da existência da teledramaturgia brasileira: ER, The X-Files, Millenium, A Sete Palmos, Simpsons, Lei e Ordem, Sex and the City, CSI, Monk, Without a trace, As if, Supernatural, House, Desperate Housewives, Weeds, Lost, Heroes, True blood, In treatment.

Peguei gosto por cenários verossímeis, edições ágeis, movimentos de câmera originais, roteiros inteligentes e atores talentosos e bonitos que trabalham com textos que não foram escritos por alguém com acentuado distúrbio cognitivo. Qualidades que novela brasileira não tem.

Esse de vermelho é do Caminho das Índias, bate nele, bate

Esse de vermelho é do Caminho das Índias, bate nele, bate

Daí vocês pensam: “Arrá, se tu não assistes, como sabes que é ruim?” É simples: eu vejo Caminho das Índias. À força. Três vezes por semana.

A academia onde treino dispõe de três televisores gigantes na sala de musculação. Antes eram distribuídos assim: um sintonizado em canal de seriado, outro na GloboNews e o terceiro em um canal de esportes. Harmonioso, democrático, sensato.

Pois tudo acabou por causa dessa coisa indiana. A única TV resgatada da lobotomia é a que fica em frente a halteres e barras livres, após os marombados se amotinarem e exigirem o futebol de volta.

Yes! Eu não vou para a Copa, mas a novela vai acabar!

Yes! Eu não vou para a Copa, mas a novela vai acabar!

Reclamei para o gerente, mas ele me pediu paciência e explicou que sua vida correria risco se tirasse a novelinha de mais uma TV. Eu tento, mas não consigo desviar os olhos sempre, porque os aparelhos de musculação são todos voltados para o mesmo lado.

Nesses meses, por mais que eu me distraisse observando a anatomia dos passantes ou as eliminatórias da Copa do Mundo, o que vi da novela foi o suficiente para ter idéia da trama. É, phophas…. enquanto meu quadríceps endurece, meu cérebro derrete.

Quarta, por exemplo, de tanto desviar o olhar, acabei assistindo boa parte de Argentina x Chile. Apesar de não gostar nadinha de futebol, foi uma experiência gratificante limpar os olhos com uns argentinos bonitos, suados, cabeludos e (ninguém é perfeito) treinados pelo Maradona.

A propósito: Heinze, miliga.

sextasessao_avatar*SextaSessão vai voltar à natação ou se mudar para Buenos Aires se não abolirem o monopólio da novela na academia. Soca a mesa aqui nas sextas-feiras, e, nos outros dias, simula calma em seu blog.

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Ain’t no mountain high enough

minha mãe sempre dizia: se subiu tem que descer

minha mãe sempre dizia: se subiu tem que descer

Dany Darko*

Quando meu grupo de amis começou a organizar uma aventura alpina na fronteira entre a França e a Itália, pensei: “ainda bem que vou estar me contaminando com o H1N1 no sul do Brasil”. Beijos, não irei.

Mas, com o desespero da famiglia diante da vulnerabilidade da sua integrante mais ranhenta, a passagem cancelada e a solidão de final de agosto garantida na França (durante as férias de verão, até os esquilos dos parques somem), meus pensamentos e considerações sobre a trilha nas montanhas mudaram. “Vou passar quatro dias me entupindo de Häagen-Dazs e fazendo maratona dos filmes do James McAvoy”. Em casa, claro.

Poucos dias antes da indiada, numa conversa entre amigos, alguém me disse que, sem ou com Brasil, gripe suína, Häagen-Dazs ou McAvoy, eu não seria mesmo capaz de fazer a tal da randonnée (como eles chamam essa coisa de subir montanha por aqui). E aí, vocês já conhecem essa sequência: molharam o gremlin, feriram o orgulho do Rocky Balboa e aflorou a voz do Batman bravo. Aceitei o desafio.

O plano incluía quatro dias de trekking, entre 12 e 15 quilômetros de caminhada, entre 700 e mil metros de subida, sete a oito horas subindo e descendo montanhas. Por dia, claro. E mais: acampar nas altitudes, tomar banho nos lagos ou rios que encontrássemos (5 graus era festa na sauna), se alimentar exclusivamente de carboidratos al dente e levar, no mínimo, 10 quilos por mochila.

Claro que foi tudo muito pior que isso porque ninguém teve a coragem de me contar a verdade: todas as dificuldades seriam elevadas a vigésima sétima potência. E eu pensei que fosse morrer de insuficiência respiratória nos cinco primeiros minutos de subida. E que eu nunca iria usar a bolsa retrô cor de ameixa da Zara que ganhei de petit-ami como chantagem incentivo à aventura.

Mas, tirando o fato de que eu não tomei banho por três dias, que minha barraca ficou sobre um monte de cocô de cabra, que eu tive dor de barriga e fiz minhas necessidades no pico de uma montanha, que eu fui mordida no fuça por um inseto e que estou virando Gregor Samsa pela narina, e que eu vou mandar amputar as pernas essa semana ainda porque elas simplesmente não existem mais, foi uma baita experiência. Imagens que provam:


E, oi, sobrevivi (i mean, da derrière pra cima), vi lugares lindos, me desentoxiquei da humanidade, meditei e orei muito (por mim, por vocês e pela phinesse).

Tudo o que eu pensava nos momentos de dor e dificuldade é que superação é muito, muito phino. Observar um bando de machos esportistas que esqueceram do protetor labial se lambuzando com o meu gloss e subindo as montanhas com as bocas mais rosa-cintilante dos Alpes é muito mais phino ainda.

dany_avatar*Dany Darko está imobilizada por tempo indeterminado, mas com o coraxaum cheio de lindas paisagens. Independente dos estragos, volta ao EBDP às quartas, mesmo que ao estilo O Escafandro e a Borboleta.

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