Arquivo da categoria: moda versus phinesse

Hips no hype

Hips don't lie

Hips don't lie

Por L’Andreis*

Eu já tinha apontado no meu Twitter a tendência às curvas como padrão de beleza. Não querendo puxar a brasa para o meu assado, mas já fazendo, hoje no EBDP nem vou dizer nada, só mostrar o que está se falando por aí.

Lilian Pacce fez um texto muito bom evidenciando a volta das curvas na moda. Leiam, leiam, leiam: aqui .

Já a Prada engordou as modelos na marra, com enchimentos mesmo: aqui .

E se sua preocupação é agarrar um broto, entorpeça ele: aqui .

Hips don’t lie. E o hype também não.

*L’Andreis quase não pode escrever nada com a desculpa de casada depois de 25 anos: muita dor de cabeça. Mas tomou um Doril e apareceu aqui, como toda a quinta.

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Tavi aos leões

De adolescente a ícône

De adolescente a ícône

Por Dany Darko*

A Vogue francesa de fevereiro trouxe uma reportagem com a norte-americana Tavi Gevinson – o novo ícône do mundo da moda, ou « a verdadeira estrela da fashion week [de NY] », como o jornal inglês The Guardian a definiu. Ao que parece, no fashion world, ela é unanimidade. Vocês ainda não sabiam? Nem eu.

Mas quem diabos é Tavi Gevinson? – vocês devem estar se perguntando. A matéria da revista francesa também responde: « é a pessoa que encantou Miuccia Prada, que cria projetos com Rei Kawakubo, assiste ao desfile de Marc Jacobs no front-row e conquistou milhares de leitores com seu blog ». Ahhhhhhh tá.

De fato, Tavi tem um blog legalzinho, o Style Rookie, como vários blogs de moda pelo mundo afora, que fazem compilações diárias do que acontece no fashion world, trazem dicas, fazem comentários, fotos, etc, e são, indubitavelmente, bem divertidos. Vale a pena visitar: http://tavi-thenewgirlintown.blogspot.com/ . Eu mesma confesso que sou frequentadora de vários desses sites – mesmo que eles não sejam liderados por ninguém no auge do estrelato, como a Vogue pinta Tavi Gevinson.

Porque, acalmem-se, Tavi não é estilista, não é modelo, não é nada além de uma adolescente blogueira. No futuro, quem sabe, ela será jornalista ou estilista ou fotógrafa – relata a revista que insiste em traçar um perfil glamouroso da pequena. Complexa? Indecisa? Gênia? Nada disso, o « mini-ícone US », (sic Vogue), tem apenas 13 anos de idade. E nada mais é do que uma adolescente de 13 anos de idade – por mais que a própria Tavi admita e a Vogue insista o contrário.

Acho lindo crianças talentosas e acredito, moderadamente, na precocidade. Também apoio, com orgulho, que a força criativa da humanidade venha majoritariamente da juventude, mas por que diabos a gente insiste em fazer deles um ícône do momento?


Nossa mini Lady Gaga despreza Tavi Gevinson

« Tavi cultiva seu senso da moda, através de um só estado de espírito: ‘As roupas, a maneira de as associar, é às vezes se divertir e passar emoções’ ». Muito profundo, para uma garota recém-saída da infância. Mas, apesar das declarações infantis, a Vogue insiste que a pequena não é uma adolescente ordinária: toda a inspiração de Tavi foi descoberta através da música, dos filmes e dos livros, além das ruas japonesas, dos anos 80 e de séries de televisão como Vogue, Pop e Dazed & Confused. Ainda não te convenceu que a pequena é o máximo? A mim, também não.

Última tentativa, então. Diz ainda a matéria: « Tavi gera tranquilamente sua vida de celebridade. Em sua escola, ninguém ainda a percebeu ». Jura? Por que será? (Talvez porque ela seja uma adolescente como qualquer outra?). Tavi explica: « Minha vida é supernormal. Não tenho nada a ver com a Hannah Montana ». Aham, entendemos. Mas a revista fecha o texto sedificando o que torna a menina tão especial: « com sua mini-altura, sua aura improvável e seus grandes óculos, Tavi vai em direção à moda (…). Deslocada, sarcástica, eminentemente simpática ».

Deslocada, sarcástica e eminentemente simpática também é a nossa mini Lady Gaga. E vê se ela mereceu três páginas da Vogue francesa.

Independente disso, é de uma crueldade imensa que o mundo precise criar esses pseudo-espetáculos de miniaturas pra endossar o freak-show que já é a nossa realidade. A gente não duvida que Tavi Gevinson ou mini Lady Gaga sejam futuros fenômenos da moda e da música, respectivamente. Mas antes que elas sejam devoradas pelos leões, seria possível, ao menos, demolir a arena?

* Dany Darko defende as injustiças do mundo aqui, sempre em nome da phinesse, às quartas.

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Phinos vídeos

* Por L’ Andreis

David Lynch já fez o seu, Scorcese fará para Channel,  e não adianta fugir, toda estrela que se preze, da frente ou de trás das câmeras, vai se render e brilhar em um vídeo feito para uma Mason. Vanguardistas não apenas em estilo, as grandes grifes sabem que estar com um vídeo online é necessário e investem pesado em conceito, produção e equipe.

Desde a última coleção, estamos sendo agraciados não apenas com grandes nomes, mas também com os novos talentos que só chegariam até aqui, se não fosse a moda e a internet, em museus. Phino? Decida por você.

Yang Fudong para Prada


Animação para Marni

Marion Cotillard para Dior

(este tem que clicar!)

* L’ Andreis escreve aqui toda a quinta e todo o dia no twitter (@carolandreis).

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Fugir do comum é o que há de mais banal no momento (cantinho do leitor**)

Rafa, consultor de estilo

Rafa, consultor de estilo

Por Rafa*

Recebi esses dias um e-mail pedindo dicas para comprar um óculos. Achei a pergunta tão pertinente, que sou obrigado a compartilhar com vocês, phinos amados. O nome do leitor/leitora será omitido porque não foi consultado para publicação:

“rapha querido, me dá uma ajuda?

eu to procurando óculos de grau pra mim, não encontro nenhum que eu goste. ou é muito comum ou é esses retrôs que indies usam, não quero…

e aí que eu achei o teu lindo, tu poderia me dizer que marca é? =) prometo não comprar um igual, só parecido.

vi um da rayban que se aproximava do que eu queria, mas queria um pouquiiinho maior. esse é o modelo:

obrigada, um beijo”

Antes da resposta em si, vamos discorrer sobre alguns temas que são importantes para os phinos. Comecemos pela intelectualidade: bom, é algo que se conquista com muito suor, esforço e leitura. Não é para qualquer um. São anos de dedicação, muitas vezes uma vida para isso. Um preço alto a pagar.

Beleza: uma genética favorável sempre ajuda. Mas em pleno 2010, temos academias, ótimas clínicas de cirurgia plástica e a capa da Veja que sempre ensina como ficar nos trinques. A única desculpa para feiúra é a pobreza, que, sim, pode até ser bonita, vide Jesus Luz.

Inteligência: uma boa nutrição e pais que incentivaram a leitura, com uma pitada de genética e esforço, são suficientes.

Estilo: as palavras da herdeira Vanda Jacintho resumem: “Estilo é como castelos, não se compra, se herda”.

Então, leitor/leitora, não importa a marca dos óculos. O meu, por exemplo, eu comprei numa feirinha de antiguidades (não importa o país) e não é Gucci nem Dolce & Gabbana. Escolha um que você se sinta bem. E não ligue para o que os outros vão pensar. Como diria a canção, os outros são os outros, e só.

Em pânico, com medo de ter cometido uma gafe, o moço/moça mandou outro e-mail, horas depois de ter enviado o primeiro:

“não é indelicado perguntar, é?! hope it isn’t.

pulei essa aula…”

Não é. Somos (muito bem) pagos pra isso. Bom Carnaval!

*Rafa abre e fecha o consultório aqui, toda segunda. Nos outros dias, faz qualquer tipo de terapia por aí, incluindo banho de loja e meditação em templo budista.

**Dúvidas para o cantinho do leitor phino devem ser enviadas para embuscadophino@gmail.com.

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Nem tudo são soldes

O retorno das promoções: nem tudo estava à venda

O retorno das promoções: nem tudo estava à venda

Dany Darko*

Começo de ano é época de sales na Zoropa. Ou soldes, como dizem os franceses – as famosas PROMOÇÃS pós-festas. Confesso que eu não tenho lá muita paciência nem para fazer compras de Natal e minha sociopatia sua na neve só de ver as lojas lotadas pelo consumismo exacerbado. Mas o aniversário de uma amiga se aproximava e decidi que eu também merecia um mimo pelo esforço de ir à caça de um presente nessa maldita época de aquisições desesperadas.

(In)felizmente, não consegui entrar em algumas lojas porque tinha deixado minha armadura de ferro em casa. Pensei em entrar em uma loja de esportes para comprar luvas de boxe antes de encarar o desafio. Mas essas também estavam atrolhadas pelos pobrinhos do esqui.

Tive medo.

Galeries Lafayette sempre tem um pouco de glamour, certo? Não, errado. No hay brilho nenhum que se equilibre no salto nas épocas de solde. No stand da Levi’s, jovens se acotovelavam em busca do jeans com desconto de 5%. Na Cop.Copine, os preços eram os mesmos das épocas normais – o que contrastava com a anormalidade do comportamento das peçonhas. No stand da Diesel, uma atendente chegou com um imenso caixote de papelão. A euforia era tanta que tinha française dentro do caixote antes mesmo de as roupitchas serem despejadas por cima do balcão, do jeito que fosse possível.

O clima não poderia estar mais Veneza, Praça São Marcos, milho aos pombos. Na Princesse Tam Tam, me aventurei em provar uma camisa. Mal entrei no vestiário e alguém batia na porta, impaciente para entrar. Não tive estômago nem para vestir a peça. Na saída, fui interpelada por uma criatura que não tinha mais braços para segurar tanta roupa.

– Você vai ficar? – me perguntou, esbaforida.

– Deusulivre, estou indo embora agora mesmo.

– Perguntei se você vai ficar com a camisa.

– Ah, não, vou colocá-la de volta no cabide.

– Não precisa, eu vou comprá-la.

– Assim mesmo, sem provar?

– Em época de soldes, não se perde tempo nos vestiários. Enquanto eu estou provando, podem chegar novas mercadorias na loja.

– Ah, entendi. A camisa é toda sua, então. Você merece!

Feliz com a minha boa ação do dia, voltei pra casa sem o presente para a amiga aniversariante (excesso de caridade vira esmola). E o meu mimo foi uma linda salada da épicerie da esquina. Afinal, se eu não tenho vocação para economias de inverno, ao menos seguro as calorias para estar LIENDA para a coleção da primavera. A mais triste constatação desse dia de soldes é que dignidade nunca está na PROMOÇÃ.

*Dany Darko não é patrocinada pela Levi’s, Cop.Copine, Diesel ou Princesse Tam Tam, mas avisa que estará aceitando agradecimentos a sua generosidade publicitária, pelo correio, no tamanho 38. Normalmente às quartas, e, ocasionalmente, só hoje, no EBDP.

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Phasion Rio

Taís Araújo e Thiago Lacerda para TNG no Fashion Rio

Taís Araújo e Thiago Lacerda para TNG no Fashion Rio

*Por L’Andreis

Aqui na redação do EBDP, eu sou atacada por olhares faiscantes quando digo que não gosto do Rio. Não tenho nenhum tesão pela galere de bermuda e chinelo, pela água de coco, pelos apês e casas que parecem as nossas em Floripa. Má claro que não sou estúpida de negar a importância desta cidade para nosso país varonil e tampouco da semana de moda que foi criada exatamente para exportar o [nosso*] modo verão de viver mundo afora, mesmo que seja na de coleção inverno.

As críticas ao Fashion Rio vêm exatamente da comparação do mesmo à São Paulo Fashion Week, maior evento de moda do Brasil, consagrado no calendário da América Latina e otimizador da exportação de nossos estilistas e roupas por aí. É importante lembrar que mais do que mostrar o hype e celebridades bem vestidas, essas semanas são organizadas para vender, e nisso temos que dar o braço a torcer ao Fashion Rio: a moda apresentada ali é altamente vendável.0

Desde as silhuetas, o Fashion Rio é diferente do SPFW. Seja nas primeiras fileiras, ou na lista de celebridades na passarela, o visual [saudável] está presente. Nada mais coerente. As praias cariocas não estão lotadas de modelos tamanho 34 e sim de moças com o bumbum mais próximo ao da Srta. Melancia do que ao da Gisele. Confesso que também estranho, mas, como representante da turma saudável, um lado meu canta Single Ladies e balança os quadris largos super contente com a inclusão.

Além disso, é tendência deixar de lado o esqueleto coberto de carne, pelas ancas e peitos grandes. A revista feminina alemã Brigitte, inspirada pelo patrocínio da Dove, a partir deste mês só imprime em suas páginas mulheres [normais] e sem photoshop. Na internet, uma pesquisa movimentou o twitter nesta semana. Nela, três mulheres com tamanhos 36, 40 e 44 competiram pela preferência dos internautas. A 44 ganhou. Então, não me venham falar do tamanho das bundas do Fashion Rio como se nunca tivessem visto mais gordas.

Outra crítica recorrente é à falta de glamour. Quem já saiu nas ruas no Rio sabe que isso não é o forte deles. Além disso, as marcas em desfile, são, em sua maioria, menores do que as apresentadas em São Paulo, com menos recursos para inovação e produção. O foco da semana também é mais o pret-a-porter de massa, isto é, aquelas roupas prontas pra usar que você vai encontrar em qualquer arara em um shopping próximo de você.

os homens preferem as gordas

os homens preferem as gordas

A questão é muito simples: não podemos exigir do Rio o que ele não pode nos dar. Bora rolar na areia de havaianas e biquíni Salinas e tomar uma rodada de suco com a galera e Oscar Metsavah sem dispensar o Sushi Leblon com bastante [hot philadelphia] que, como diria a poeta Shakira Isabel Mebarak Ripoll, [hips don´t lie].

*Nosso quem, cara pálida? Guaíba não é praia. Fik Dik.

*L’Andreis não gosta de caipirinha nem de carnaval, mas fica acordada até de madrugada pra assistir o Gala Gay porque sabe o que esse país tem de melhor. Mexe as cadeiras toda a quinta aqui e sempre no twitter (@carolandreis).

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Das pobrezas do prêt-à-porter

Sou feia e não tô na moda. E daí?

Sou feia e não tô na moda. E daí?












Por Dany Darko*

Semana passada, fui às compras com o único critério de encontrar blusas de lã. Ok, eu sei que vocês estão exibindo seus lindos corpos sarados e bronzeados ao longo do imenso litoral brasileiro e não têm nada a ver com o fato de eu morar enterrada na neve.

Mas talvez vocês possam se identificar com o meu drama quando eu disser que eu voltei pra casa sem uma única opção decente do que eu procurava. E concordamos que não deveria ser missão impossível comprar um pulôver (oi? ainda se diz pulôver nesse mundo?) em pleno inverno europeu.

No mesmo estilo do que acontece no Brasil, a moda daqui de cima dos trópicos também se limita a determinados modelos. E olha que aqui nem tem novela pra todo mundo andar vestido de indiano durante um ano inteiro.

E o inverno desse ano foi destinado a uma única peça de lã: o cardigã. Pode procurar por tudo que todas vitrines se renderam ao charme do atual uniforme modelito das francesas. Como dizem por aí que a moda não anda descalça, elas combinam o cardigã com a bota amazona. E a bota amazona com o jeans slim. Uma pena que não tenha cavalos para vender nas lojas…

Em semanas que eu ando de mal com o prêt-à-porter, ainda me deparo com as novas tendências de penteado. Fazia bem uns dois anos que todo mundo andava desfilando cabeças à Chitãozinho e Xororó com a desculpa de ser new-punk. Assim mesmo, na maior cara de pau, como se o punk fosse um corte de cabelo brega.

Agora, como as madeixas cresceram, alguém levantou de manhã sem tomar banho e se pentear (franceses, não se ofendam, não coloquei a culpa em vocês!), e a nova tendência é o descabelamento com a franja bem escovada. Do tipo, não ligo para o meu visu, desde que a franja esteja um arraso (aka só tive dinheiro para cortar a parte da frente da juba, mas sou indie).

Pra finalizar o look, batom vermelho e Ray-Ban* colorido. Ai, que pobreza!

E, olha, eu não tenho nada com isso se uma bitch resolve sair fantasiada em pleno dezembro de neve. Sempre admirei a vanguarda e aplaudo a coragem. Mas, quando todas as bitchs resolvem fazer isso ao mesmo tempo, isso vira um problema de ordem (inter)nacional e afeta minha liberdade de, por exemplo, vestir pulôveres de lã. Afinal, quando as pessoas vão deixar de pensar que moda é obrigação de espremer suas morcilhas em calças slims? Ou sair de casa pronta pra montaria? Ou com pés para enfrentar hectares de charco?

Longa vida aos invernos dos anos anteriores que é desses que vai viver meu figurino até que o jóquei wannabe se dissipe. Um pouquinho mais de imaginação ou a just little bit of respect para si mesmo e todos nós é o que desejo pra essa quarta-feira de céu cinza e sem pulôveres de lã…

** A Ray-Ban não patrocinou esse post, mas, se quiser, avisamos que estaremos aceitando a partir de agora mesmo.

* Dany Darko se inspira nas vitrines da Burberry e é obrigada a se contentar com a Zara. Joga na Euroloto, pensando num guarda-roupas melhor, e bate ponto no EBDP às quartas, pra não perder o glamour.

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