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Compromissos

Por Vini*

A sociedade gosta disso. Fazer oficial, solene. Dar publicidade. Colocar os pingos nos is. Cortar os ts. Assinar, rubricar, datar. Mil e uma formas de se atestar a veracidade e a importância de um ato.

Um anel de compromisso. Namoro, noivado ou casamento. A sociedade tem regras: mão direita é uma coisa, mão esquerda é outra. Eu nunca vou saber o que é o que. É apenas um mecanismo de controle, visível e de reconhecimento imediato.

Eu tenho aversão a compromisso. Note-se que isso não me faz irresponsável. É a não possibilidade de liberdade que me irrita e que me tira o ar.

Sex and the city, quarta temporada: Carrie tem falta de ar com o vestido de noiva e usa o anel como pingente pro cordão. Se eu fosse mulher, a entenderia completamente.

Gilmore girls, todas as temporadas: além do café em doses descomunais, falar rápido, ser irônico e sarcástico com tudo e com todos, não gostar de pessoas ricas e fúteis, a eterna fome e capacidade de comer em doses cavalares, também partilho do medo de compromisso de Lorelai Gilmore.

Eu fico de mau humor, quando me dão ultimato e sempre caio fora.

Mas, como tudo nessa vida, maturidade vem eventualmente. Depois de dois cursos de graduação e vestibulares para todos que existem praticamente, consegui ser fiel e me graduei. Compromisso espontâneo. Não me perguntem como. Eu não sei.

Não há uma lógica para o compromisso com qualquer coisa ou pessoa. Ou você tem aquele medo aterrorizante ou não tem e é fácil e simples e feliz. 8 ou 80. Se alguém souber do 44, me avisa que eu quero aprender, obrigado.

Em 2001, no começo da febre dos blogs, tentei fazer um. Depois 2002, 2003, 2004. Larguei a idéia. Em 2009 escrevi ocasionalmente para cá. Em 2010, seis meses se passaram e eu mantive o compromisso toda terça. Motivo de orgulho e conquista pessoal, eu diria. Não sou hiperativo, mas me entedio facilmente e não é qualquer coisa que me prende.

Meu ponto é, caros leitores: tem muita coisa nessa vida que a gente faz obrigado. Muita coisa e muita gente não vale a pena. Se alguns desses compromissos te sufocam, melhor buscar ar.

*Vini é um espírito livre que passeia neste cyber espaço às terças-feiras.

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Vinte e cinco, vinte e seis

Dividir um teto: meloso e feliz assim?


Por Vini*

Sábado à noite. Com a vida social em espera, fico baixando músicas e batendo papo no Windows Live Messenger, depois de tentar colocar em dia alguns dos meus seriados (sem muito sucesso nesta tarefa, todavia).

Conversa vai, conversa vem, eis que meu amigo me solta a frase: “Namorido está com a família”. Eu, neófito na arte de relacionamentos e compromissos, vou no meu dicionário emocional e confirmo aquilo que já tinha em mente, mas relutava em admitir: namorido é o namorado que mora junto.

Fiquei feliz pelo meu amigo. Afinal, quando vi o casal há meses, o namorido estava indeciso entre os vários relacionamentos paralelos e meu amigo. Cinco meses fazem toda a diferença. Foram morar juntos.

Meu dileto amigo é seis meses mais novo que eu. Atualmente, tem 25 e meio (quase). O seu namorido, uns 28, 29, penso. E aí a ficha cai: eu entrei na faixa etária onde as pessoas estão moving in together? Dividindo apartamentos? Alguém dá um stop no relógio biológico, porque fiquei tonto obrigado.

Eu sempre andei na contramão da evolução das espécies. Darwin iria adorar bater um papo com Freud e discutir minha pessoa.

Aí me veio à mente o seguinte pensamento: se eu não tive nenhum relacionamento sério, duradouro e monogâmico, como lidar se eu encontrar um ser que já teve isso tudo e espera se mudar com a sua próxima cara-metade (eu, hipoteticamente falando)?

Não tenho mais paciência para pessoas de vinte e poucos anos. Não que eu seja melhor que elas, mas é que já estou em um outro degrau da vida. Sei que existem coisas que não posso exigir delas. Fico muito feliz com o que tem a me oferecer, e agradeço se me surpreenderem. Mas não tenho muitas expectativas.

No outro lado da corda, os balzaquianos me dão uma certa preguiça. Porque muitos dos exemplares que conheci são arrogantes e prepotentes. De tão obcecados com sua estadia na idade adulta, assumem posições inflexíveis como se tivessem a maturidade de decisões eternas, corretas e imutáveis. Mecanismo de autoproteção, porque não querem sofrer como antes, talvez.

E nós? Seres do meio desses vinte anos? O que fazemos? Como se estabelecer uma vida profissional de sucesso já não fosse o difícil suficiente e consumisse tantas energias. Temos que colocar um freio na vida loca e dizer adeus aos mais novos sedentos por novas experiências? Já é hora de achar alguém para viver feliz e consolidado na próxima década?

Mas como não me encaixo em nenhum desses modelos, vou buscando uma terceira via. E novas pessoas que queiram uma saída diferente para esses dilemas se apresentem, por favor.

*Vini expõe seus dramas de um quarto de século aqui, às terça-feiras.

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Estar perto não é físico

Por Rafa*

Sei que faz tempo que não apareço por aqui. Na verdade, não tenho muita coisa pra dizer ultimamente sobre a phinesse, cada vez mais rara. Mas não pensem que abandonei vocês.

É que há tantos filmes pra ver no cinema, tantas bandas novas pra escutar, outras coisas pra escrever. E, quando decidi me manifestar neste espaço, era pra sair engraçado, divertido.

Não estou triste, não fiquem preocupados. Mas estou melancólico. Sinto frio, mesmo com muita roupa. Sinto saudades de algo que nunca tive. E claro, sinto falta de você, que hoje não vai me ler, muito menos me ver. Dormir comigo então…

Nem espero mais, e tu sabe disso. Mas é que, sei lá, tanto tempo ausente por aqui; tantas ausências das duas partes.

Leitor, não me leve a mal, mas hoje você não vair rir. As piadas são as velhas, nada supreendente aconteceu. E eu nunca trabalhei tanto. E estou tão feliz.

A lição do dia: estar perto não é físico. Não entendeu. Vai ver “Os Famosos e os Duendes da Morte”. O nome não ajuda, mas é tão bom. Fica mais fácil compreender.

Volto em breve, mais engraçado. Ou triste. Phino, com certeza.

*Rafa escreve aqui às segundas. Adiantou porque faz tempo que não aparece.

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Love and real life

Ela sempre sabe o que dizer

Por Vini*

Love, love, love. People cry, pray, and they beg. Até que é bonitinho ouvir Nina Person cantando e fazendo biquinho. Na prática, codependência emocional define a situação. E não é legal, amiguinhos, simplesmente.

Exemplos me cercam a todo lado. Pessoas tweetando freneticamente na minha timeline. Carentes que precisam de atenção. Deixam uma folha de papel cair no chão e relatam em 140 caracteres a emoção de ver a força da gravidade atuando. Demonstrações de amor gratuito, não tão gratuitas assim. E eu tendo que ler, com o dedo coçando para dar unfollow e não posso, por uma questão de “educação”. (Mentira que não leio e saio pulando com os olhos.)

Tudo bem que sou meio amargo e estou praticamente morto por dentro, segundo opinão popular consagrada. Mas emoções vazias não me interessam.

Igual família. Sangue não é afeto. Um exemplo. Meu pai. Não vejo desde meados da década de 90. Não falo desde o fim desses anos. E pra mim tá ótimo. Porque ele não é boa pessoa. De fato e com provas objetivamente avaliáveis. Para que eu vou querer alguém assim perto de mim? Para no futuro eu ter que pagar pensão alimentícia? Não, obrigado. E eu não sinto falta, simplesmente porque não conheço o cara. E para que eu vou ter traumas de “papai-não-me-ama” se eu não sinto nada?

A gente tem alguns pré-esquemas montados na cabeça. Alguns “valores” que nos foram passados. Ideias de casa, família, cachorro e todo mundo comendo junto na mesa.

Eu respeito quem partilha desses valores mais tradicionais. Pessoas que querem casar, ter uma relação séria e duradoura. Afinal, cada um faz o que quer. O problema é quando as pessoas passam a viver em busca desses ideais, que são justamente ideais, ou seja, estão num outro plano. Aí não conseguem e sofrem. E muito.

A vida concreta tem tantas oportunidades reais e imperfeitas. E os defeitos são a melhor parte. Nem sempre, é claro, mas que alguns têm seu charme, isso é fato. E o mais engraçado de tudo é que o ideal não necessariamente há de se concretizar. Então, para que sofrer por algo que você nem tem, teve e sabe como é?

E se você teve e deu errado? Gente, deu errado. Não existem vilões e mocinhos nas histórias. Princesas em castelos, grandes reviravoltas, fadas e bruxas. No, no, no.

Pessoas de carne e osso que erram e acertam. E existem muitas pessoas fantásticas por aí. Pessoas para serem amadas de várias formas, gêneros e gostos. E pessoas que vão te amar em jeitos que você não esperava. E lembre-se que isso não é um conto de fadas, apenas a vida real. Vale a máxima, sempre: “Second best is never enough, you’ll do it much better on your own”.

*Vini é pragmático e cético, mas espera encontrar as tais pessoas fantásticas por aí. No meio tempo, filosofa aqui, às terça-feiras.

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Acordou meio falcatrua hoje?

Mentiras sinceras não me interessam

Mentiras sinceras não me interessam

Por Dany Darko*

Quando o nono me contava dos velhos tempos, ele dizia que o que ele mais sentia saudades daquelas épocas era a importância da honra da palavra. Segundo ele, lá no início do século passado, os contratos eram verbais e as pessoas davam importância àquilo que prometiam.

O nono se foi no final do século, nem viu a chegada do XXI. Mas reclamava frequentemente da falcatruagem do fim de seus dias e nos advertia com uma frase que ficou na memória da família: « se não fossem os tontos, os ladinos não existiriam ».

A verdade, lá em casa, sempre foi prioridade justificada com a origem. « Essa tem franqueza até no nome », diziam de mim na escola, enquanto eu saía me esgoelando pelo mundo e dizendo tudo o que eu pensava, na inocência de que a sinceridade é sempre a melhor solução.

E, claro, só me fodia.

Passei anos dessa longa estrada da vida a levar na cara por conta das verdades proferidas. Nunca aprendi a mentir. Mas apoio até hoje o sentimento do nono que uma das qualidades mais phinas que se pode ter é a franqueza.

Mas definitivamente, não é a mais prática.

Eu realmente espero a ligação quando alguém diz que vai me telefonar. Espero o convite para a saída no final de semana, mesmo que a promessa seja feita dias antes. Acredito quando me juram qualquer nonsense que seja. Não sou a mais pontual das pessoas – admito –, mas marco presença em todos os rendez-vous combinados.

Ah, se o nono estivesse vivo, ele sentiria muito orgulho, muito mesmo. Dele, não de mim. Porque ele teria a concretização pura do seu ditado. Eu sou a tonta perfeita para todo « ladino ». É vero. Mas se serve de consolo ou justificativa, o malandro só tem uma vida comigo. E ele aprende que meu limbo é pior que o inferno.

Em uma visita recente, uma amygue que se mudou para São Paulo contou que a maior dificuldade na capital era de manter os compromissos por conta dos desencontros que gera a cidade grande. « São Paulo é imensa e às vezes as pessoas não conseguem chegar a seu destino. No meio do caminho, elas esquecem que marcaram com você ».

Acreditaram? Nem eu, nem ela.

Insatisfeita com suas próprias justificativas, a amygue me garantiu que, na metrópole, é tudo uma questão de espaço x tempo. NOT. Eu ainda acho que, em qualquer lugar do mundo, ela deveria mesmo era rever seu conceito de amizade…

A boa parte disso tudo é que de tanto levar balão na vida a gente se habitua amadurece. Com tanta falcatruagem solta por aí no mundo, fica mais fácil enxergar as verdades. Mais simples organizar as prioridades. E tão mais prazeroso dizer não.

* Dany Darko acordou meio intolerante hoje. Combate a falcatruagem às quartas-feiras, no EBDP.

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E se não tiver legal?

toda trabalhada pra flertar no baile

toda trabalhada pra flertar no baile

Por Rafa*

No supermercado, em frente a ameixas lindas, amiga gata diz pro bofe:

– Olhando pra essas ameixas lindas, dá até vontade de ser saudável… (abre um semisorriso, à espera de uma resposta)

(silêncio)

O flerte é uma arte. Uns nascem com o dom. Outros não; entre estes, eu, claro. Já tive meus momentos de superação, quando disse uma vez pro gatinho que, se ele fizesse de novo a “quebradinha” na dança, eu me apaixonava. Bola dentro.

Mas na maioria das vezes falo merda, erro, nunca sai como tem que sair, mesmo depois de ensaiar horas e horas. Tem uns que se dão bem no esporte, outros na escola, outros no jogo da conquista…

O mais doído é ser cantado e vir o galanteio errado. Tu tá lá, louco pra dizer um sim, e o cara diz merda.

– E aí, tudo bem?

– Melhor agora.

Sério, não dá, não consigo, não aceito.

Pior foi uma vez que eu tava lá, louco pra dar uns beijos e o gatinho manda SMS assim:

E AI, VAMOS TOMAR UM DRINQUE?

E eu lá sou homem de convidar pra tomar DRINQUE, EM CAIXA ALTA?

Enfim, hoje passei aqui só pra dizer que tá difícil. Ninguém mais coopera nesse mundo. Não sei até quando aguento ir pra buaty, sei lá, parece que as pessoas enfenharam e a idade começou a pesar mais e mais. O que se diz, como se chega?

Daí o jovem me ensina que não se chega mais. Que se beija direto, sem enrolação. E eu acredito. E tento. São 5h30 da madruga, já na famosa hora da chepa, e vislumbro um gatinho. Mas estou cansado, minha cara deve estar péssima, mas, vamos lá, seguir os conselhos da juventude.

E começo a beijar o gatinho sem nenhuma comunicação inicial. Só que está não-bom, o beijo não encaixa. Ele se afasta dois passos pra trás e me diz, sem rodeios:

– Não tá legal.

Juro e repito, ele proferiu as seguintes palavras, com uma carinha de nojo pra mim: – Não tá legal. E desaparece.

Enfim, no meu tempo, a gente inventava uma desculpa e ia no banheiro, fingia que ia pegar uma bebida e não voltava mais. Então é essa a vida melhor que nos prometeram, “sem a hipocrisia que insiste em nos rodear”?

Vai, me colore que tô bege.

*Rafa segue na luta aqui, às segundas, e tenta não desistir por aí, nos outros dias.

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Me, myself and the world wide web


John Mayer e o hino dos inocentes

Por Vini*

A gente nasce chorando. Não é rindo, não é plantando bananeira, nem dizendo “olá, mundo, cheguei”. É na lágrima mesmo. E, se você não chora, o médico dá um tapinha na bundinha. Isso me fez pensar: nascer dói? Não sei se alguém saberia responder categoricamente.

Pouca gente tem lembranças sólidas da primeira infância. Eu mesmo tenho um esboço do dia em que rabisquei com giz de cera a parede branca do apartamento novo que tínhamos acabado de mudar. Um flash aqui e outro acolá.

Estou meio nostálgico estes dias, confesso. A razão? Meu fotolog.

Ninguém mais usa fotolog hoje em dia. Lembro-me de como era difícil conseguir registrar um domínio por lá. Claro que na época era muito oba-oba. Uma moda de internet que veio e se foi, aparentemente. Resolvi entrar na onda também.

Claro que um fotolog não é feito apenas de boas ideias. Mas, felizmente, Deus inventou o botão “Delete”, como forma de balancear nossa andança na corda bamba da dignidade. Fotos egocêntricas, fotos trash, fotos amadoras-querendo-ser-profissionais, fotos genuinamente boas, uma salada de fruta com megapixels variados. É engraçado acessar o endereço e rever aquilo tudo. Parece que foi em outra vida.

E, realmente, acredito que tenha sido em outra vida. Claro que o que sou hoje se deve ao que fui. Mas às vezes me pego analisando detalhes, circunstâncias, pessoas e contextos e chego à conclusão de que estamos constantemente renascendo. Mais de uma vez, se for preciso. Às vezes, morrendo com dor, outras nascendo mais felizes.

Ter a internet como diário-vivo da mudança é agradável, mas incomoda ao mesmo tempo. Somos filhos da globalização, não há como negar. Fui pioneiro da internet dial-up, como todo bom nerd, e confesso sentir falta do barulhinho do modem se conectando.

A internet, forçosamente, foi e é um meio de comunicação muito presente. Os registros ficam por aí. Alguns já apagados, outros salvos, alguns indeléveis. Quem nunca se arrependeu de um ato de má comunicação feito pela web que atire o primeiro teclado. Para alguns, o nosso amigo “Delete” resolve; para outros, resta a ressaca moral e a espera pelo nosso outro grande amigo “Tempo” fazer sua mágica.

Mas nada levado a muito ferro e fogo, afinal, nenhum crime foi cometido. Tropeços e desacertos todo mundo comete. E é gostoso lembrar deles com a certa inocência ou falta de experiência que trazem consigo. Aliás, ouso dizer que a internet nos encoraja a errar mais, porque há aquela certa segurança de haver um monitor entre nós e os nossos interlocutores.

E mesmo achando que foi em outra vida, deixo meu fotolog lá. Um dia, se der vontade, publico novas fotos, para mostrar meus novos eus. Ou no meu flickr, ou em qualquer outra nova ferramenta que o Google ou o Yahoo! nos der.

*Vini narra sua saga, onlinemente, tentando galgar degraus na escala da dignidade, aqui, às terça-feiras.

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