Arquivo da categoria: teoria da dignidade

Yin/Yang, Brega/Phino

Forças Duais


Por Vini*

Recentemente, um amigo compartilhou comigo um pouco de sua sabedoria.
Ele me disse: “existem pessoas que nascem bregas”.
É verdade. Em alguns casos, a breguice é congênita e está impregnada
na pele. O problema é tão sério que deveria ser tratado como de saúde
pública. Como converter essas pessoas e livrá-los deste mal de que
padecem desde que nasceram?

A internet é uma ferramenta útil nesta empreitada. Tome-se este
cyberespaço como exemplo. Posts e posts com reflexões, histórias,
experiências em função de um bem maior, ou seja, a promoção da
phinesse entre os que escrevem e os que lêem. E este é apenas um
exemplo dentre os vários que a internet nos oferece.

Só que há o outro lado da moeda. A internet também serve como meio de
canal para a difusão das forças do mal, nossa grande inimiga, a
breguice.

Comecemos com o orkut. Eu não dou conta daquilo mais. Já fui fã,
usuário de carteirinha e já tive crises de abstinência quando cometi o
meu primeiro orkutcídio, medida drástica que tomei em razão do grande
vício que a rede se tornou. Voltei, usando de forma moderada. Saí e
não penso mais em voltar, porque não aguento. Confesso que não
aguento.

Eu não sei o que me dói mais: se são as fotos dos perfis ou os textos
do “about me”. Refletindo um pouco melhor, na verdade eu sei. O que me
dói mais são as fotos DENTRO do texto do perfil. E tem “about me” de
todo o jeito: com letra de música (brega), com textos do tipo “sou uma
pessoa muito legal, simpática que acredita em Deus” ou então quando o
namorado ou namorada “invade” (seriam bárbaros no orkut romano?) o
perfil do cônjuge para falar o quanto ama a “cara-metade” (usando já o
jargão brega) em textos como “fulaninha é dez”. Isso sem contar os
perfis conjuntos “Sr. & Sra. Brega – Para Sempre”, onde dois seres
humanos abrem mão de sua individualidade em favor de uma única conta
conjunta. É breguice demais para o meu coração, Brasil. Ele sofre.

E que fique bem claro não faço neste meu protesto qualquer vinculação
com condição social. A breguice não enxerga dinheiro ou divisão
marxista em classes. Para ela não importa se é A, B, C, D ou G. É uma
doença da alma, repito.

O leitor mais atento poderia argumentar: “mas, Vini, você não é
obrigado a conviver com essas pessoas”. Exato, não sou. Mas é muito
difícil manter um ambiente virtual sem elas. Invariavelmente você
conhece alguém que seja é e tem que manter algum tipo de contato
social, seja familiar, profissional, ou amigos em comum, por exemplo.
Tais relações tendem a ocorrer também no orkut e é difícil evitar. Por
isso, optei pela alternativa radical e saí.

Além disso, querido leitor, os bregas perseguem sem dó. Vez ou outra
alguém visita seu perfil e ainda, se você tiver azar, deixam um scrap
insólito que te faz olhar para os céus e perguntar: “Oh, meu Deus, por
quê?”

Fui para o Facebook. Poucos amigos, menos de 50. Mas confesso que já
estou estressando. Amigos começam a adicionar pessoas bregas e disso o
Facebook me informa, poluindo o meu NewsFeed. Sem contar os
comentários do tipo “beijos no coração” ou “saudade de sentir essa sua
energia boa” que amigos de amigos deixam e aparecem para eu ler. Tento
evitá-los ao máximo.

“Nossa, Vini, como você é chato. Vai morar numa ilha deserta, vai”.
Ah, se eu pudesse, em certos momentos, acho que iria.

Mas nem tudo está perdido. Ou quase. Temos o Twitter, onde você segue
quem quer e só deixa quem você também quer te seguir. Problema (1):
ter que seguir os bregas por educação – aquela mesmo problema do
orkut. Problema (2): ser apresentado a um brega enrustido, que só
depois, que você está seguindo surge como um avatar das forças do mal
em sua timeline. O dedo coça por unfollow, amigos, não tenham dúvida.
Problema (3): descamisados. Como no Twitter só tem uma imagem de
exibição, os indivíduos maximizam (ou ao menos tentam) sua capacidade
de atenção, exibindo fotos sem camisa. E olha que até quem não tem
corpo se arrisca nesta empreitada.
Pior que isso é só quando colocam sua própria imagem como background.
Breguice maior não há.

E no meio disso tudo temos o Photoshop. Existem pessoas que usam e
abusam, sem dominar a arte. São basicamente açogueiros que se passam
por cirurgiões plásticos, só que no mundo dos pixels e bytes. E
mostram com orgulho – o que é pior – para os outros breguinhas como
fazem bom uso da ferramenta.

Por fim, temos o MSN. Breguice instanânea. Outro dia recebi a seguinte
“cantada” (não sei
como definir tal proposta): “vamos para somewhere only we know”. Argh.
Quase precisei tomar um Dramin. Keane é brega.

Você pode até gostar do brega, como Keane, mas reconheça que é um
guilty pleasure. O problema não é gostar e sim negar a natureza brega
da coisa. Porque o brega e phino são Yin e Yang. Duas forças
antagonistas que estão a andar pelo mundo.

Um pouco de brega é necessário. Eu diria que tem uma certa função
lúdica, tomando o cuidado de se ter ciência da breguice. E não se pode
esquecer da Teoria da Dignidade como elemento de equilíbrio desta
equação.

O problema é que breguice não deve ser estilo de vida. E as redes
sociais estão aí para nos mostrar que muitos vivem assim, às escuras,
sem saber.

*Vini procura se esclarecer na arte da phinesse e compartilha seus
sucessos e insucessos aqui às quarta-feiras.

4 Comentários

Arquivado em etiqueta na rede, teoria da dignidade, Vini

Na balança

A eterna inimiga

Por Vini*

1,72m. Não, não sou um hobbit. Um hobbit é um homem com menos de 1,70m, ou seja, 1,69m de altura. Nada contra baixinhos e estou satisfeito com a minha altura.

50kg. Era o que tinha aos 17 anos. Muito magro. Muito mesmo. Fotos daquela época são vergonhosas. Dignas de blackmail. Fui levado à praia, inclusive. O que pensavam meus familiares ao me expor publicamente assim? Não sei.

Hoje: 69kg récem-descobertos, na última quinta-feira, pois havia mais ou menos quase dois anos que não me pesava. Uma boa revelação, mas ainda há trabalho a se fazer.

Na eterna guerra contra a balança, os magros sofrem mais. Muito mais. Eu não aguentava ir à academia todos os dias e pesar. Afinal, a balança estava lá e minha curiosidade e paranoia eram tamanhas. Um belo dia, revoltei-me e pensei: chega, não quero saber. Então abstraí.

Vivemos na ditadura dos números. Alguns números queremos para mais outros para menos. Dinheiro na conta bancária? Mais. Idade? Queremos um pouco menos, mas isso não é possível. E por aí vai. Ficar nessa luta aritmética cansa e é muito frustrante.

Abstraí e fui feliz durante esses quase dois anos.

Mas resolvi marcar uma consulta com uma nutricionista e lá enfrentei minha antiga algoz, a balança. Cheguei à conclusão de que não estou comendo tão bem como poderia, o que não é bom para minha gastrite. Senti que podia melhorar meu desempenho na malhação, sem apelar para bombas. Resolvi dar uma chance à ideia.

Realmente, como disse um amigo meu “nutrição é bom senso”. Uma dieta balanceada é alcançável com uma certa dose de discernimento.

Estou gostando da experiência, por enquanto. A nutricionista foi muito simpática e ficou alarmada com os altos níveis de carboidrato da atual dieta. Proteínas precisam ser aumentadas e por ae vai. Tudo discutido, explicado, levando-se em conta a minha realidade. Quinta-feira retorno e terei o novo roteiro alimentar em mãos.

Confesso que estou empolgado. Para alguns, isso pode parecer pura viadagem, falta do que fazer, de onde gastar dinheiro. Talvez seja mesmo. Mas é possível também que haja reais benefícios. Por enquanto, estou pagando para ver.

Novamente, precisamos nos valer daquele item indispensável em qualquer refeição: bom senso.

Exemplo prático (1): um amigo meu toma adoçante ao invés de usar açúcar e 35 tipos de whey por dia. Um verdadeiro culto ao corpo que não termina. Jamais trocaria açúcar por adoçante. Não tenho problemas com a glicose e adoçante é o gosto da morte em pó ou em gotas, a critério de Lucífer.

Exemplo prático (2): um tio com problemas de glicose come pratos e pratos de caminhoneiro e troca o açúcar por adoçante no café. Hipocrisia, penso.

*Vini procura o equilíbrio alimentar, agora com ajuda profissional. Procura o equilíbrio nos outros aspectos de sua vida e narra sua incessante busca, aqui, às terças-feiras.

1 comentário

Arquivado em fica aí a dica, homem phino, teoria da dignidade, Vini

Meu direito de ser nerd

Versão desatualizada. Revise seus conceitos

Por Vini*

Ahhh, ser nerd.

Semana passada, o dia do orgulho. Confesso que queria escrever na data. Rafa me disse que L’Andreis queria escrever no dia (uma terça-feira). Nada mais justo, afinal, foi por conta de seu twitter e suas manifestações de apoio à causa que me inspirei a escrever sobre o tema. Deixei o texto para depois, o que foi uma escolha acertada.

Acabei fazendo uma pesquisa sociológica no Twitter e no MSN sobre o que é “ser nerd”. Nada melhor do que me fazer de cobaia. Vesti meu uniforme de porquinho-da-índia egocêntrico e joguei a pergunta: você me considera nerd?

Eis alguns dos resultados:

*** “Desculpe, você é muito cool para ser nerd”. Minha ex-chefe, sobre mim, o estagiário-favorito.

*** “Você é nerd, mas de um jeito legal”. Amigo porra-louca.

*** “Você é mto disciplinado e inteligente”. Um dos melhores amigos gays.

*** “Você é estudioso e não visita o omelete.com.br todo dia, nem sabe de StarTrek”. Um dos melhores amigo hétero que competia academicamente comigo.

*** “Nerds são estranhos, não tomam banho e gostam de tecnologia, você não é assim”. Alguém que terminou o doutorado.

*** “Porque vc nao faz o estilo nerd, nerd nao dança no queijo nerd nao vai pra academia”. Um dos três dilemas de minha vida.

Eu sempre achei que minha ex-chefe me achasse nerd. Fiquei chocado com tal revelação. E, sim, eu visito omelete.com.br todo dia. Meu amigo hétero apenas diz coisas para me ofender. Ele sabe que odeio pessoas que são apenas estudiosas e esforçadas. Os burros que me desculpem, mas inteligência é fundamental.

Mas a verdade é que me considero nerd. Sempre fui inteligente, ótimo aluno, boas notas. Até o fim da faculdade, tirar 90% não era uma obrigação ou vaidade e, sim. apenas uma coisa que eu sabia que tinha chances de conseguir, logo não ia me contentar com menos.

Agora muitas pessoas dispensam o elemento “bom aluno” do conceito nerd. Para uma certa facção geek, basta apenas o interesse profundo por tecnologia e ciências. O resto é mero efeito colateral.

Para muitos, eu cometi a maior heresia que um nerd poderia cometer. Largar computação e engenharia pelas ciências sociais aplicadas, no caso, direito. Há quem diga que humanas não é ciência e ponto final.

Engraçado que o ponto de vista das respostas varia. Para alguns, ser nerd é coisa ruim. Logo um “cool” para me salvar desta categoria ou adjetivos como disciplinado e inteligente. Para outros é uma honra ser parte do grupo, e eu não mereço tal regalia.

Não preciso desmontar computadores e saber com funcionam por dentro. Gosto de estudar e aprender, só que outras coisas. Não preciso ver Star Trek. Tenho minha lista de seriados e meus quadrinhos. Se quiserem me achar, tudo bem. Se não quiserem tudo ótimo também.

Apenas evolui do nerd tímido que fui quando criança, pro nerd phino que sou hoje. Antes mais estereótipo, hoje criei meu próprio tipo. Não troco meus óculos por lentes de contato por nada deste mundo. Apenas troquei a primeira armação brega preta por outras mais bonitas.

Nerds aprendem rápido. Alguns nerds aprendem mais rápido que os outros. Apenas aprendo o que gosto dos vários mundos que conheço. Só isso.

*Vini, como todo bom nerd, quer dominar o mundo e mostra pedaços de seus planos de world-global-domination aqui, às terças.

3 Comentários

Arquivado em fica aí a dica, homem phino, lição de vida, teoria da dignidade, Vini

Me, myself and the world wide web


John Mayer e o hino dos inocentes

Por Vini*

A gente nasce chorando. Não é rindo, não é plantando bananeira, nem dizendo “olá, mundo, cheguei”. É na lágrima mesmo. E, se você não chora, o médico dá um tapinha na bundinha. Isso me fez pensar: nascer dói? Não sei se alguém saberia responder categoricamente.

Pouca gente tem lembranças sólidas da primeira infância. Eu mesmo tenho um esboço do dia em que rabisquei com giz de cera a parede branca do apartamento novo que tínhamos acabado de mudar. Um flash aqui e outro acolá.

Estou meio nostálgico estes dias, confesso. A razão? Meu fotolog.

Ninguém mais usa fotolog hoje em dia. Lembro-me de como era difícil conseguir registrar um domínio por lá. Claro que na época era muito oba-oba. Uma moda de internet que veio e se foi, aparentemente. Resolvi entrar na onda também.

Claro que um fotolog não é feito apenas de boas ideias. Mas, felizmente, Deus inventou o botão “Delete”, como forma de balancear nossa andança na corda bamba da dignidade. Fotos egocêntricas, fotos trash, fotos amadoras-querendo-ser-profissionais, fotos genuinamente boas, uma salada de fruta com megapixels variados. É engraçado acessar o endereço e rever aquilo tudo. Parece que foi em outra vida.

E, realmente, acredito que tenha sido em outra vida. Claro que o que sou hoje se deve ao que fui. Mas às vezes me pego analisando detalhes, circunstâncias, pessoas e contextos e chego à conclusão de que estamos constantemente renascendo. Mais de uma vez, se for preciso. Às vezes, morrendo com dor, outras nascendo mais felizes.

Ter a internet como diário-vivo da mudança é agradável, mas incomoda ao mesmo tempo. Somos filhos da globalização, não há como negar. Fui pioneiro da internet dial-up, como todo bom nerd, e confesso sentir falta do barulhinho do modem se conectando.

A internet, forçosamente, foi e é um meio de comunicação muito presente. Os registros ficam por aí. Alguns já apagados, outros salvos, alguns indeléveis. Quem nunca se arrependeu de um ato de má comunicação feito pela web que atire o primeiro teclado. Para alguns, o nosso amigo “Delete” resolve; para outros, resta a ressaca moral e a espera pelo nosso outro grande amigo “Tempo” fazer sua mágica.

Mas nada levado a muito ferro e fogo, afinal, nenhum crime foi cometido. Tropeços e desacertos todo mundo comete. E é gostoso lembrar deles com a certa inocência ou falta de experiência que trazem consigo. Aliás, ouso dizer que a internet nos encoraja a errar mais, porque há aquela certa segurança de haver um monitor entre nós e os nossos interlocutores.

E mesmo achando que foi em outra vida, deixo meu fotolog lá. Um dia, se der vontade, publico novas fotos, para mostrar meus novos eus. Ou no meu flickr, ou em qualquer outra nova ferramenta que o Google ou o Yahoo! nos der.

*Vini narra sua saga, onlinemente, tentando galgar degraus na escala da dignidade, aqui, às terça-feiras.

Deixe um comentário

Arquivado em lição de vida, sentimentos phinos, teoria da dignidade, vergonha própria, Vini

Revendo o conceito de phinesse

óculos escuros na primeira fila? tão 2001...

óculos escuros na primeira fila? tão 2001...

Por Rafa*

Um phino é facilmente reconhecido de longe. Bem-vestido, mas sem afetação; tem andar discreto, porém firme; postura correta, sem parecer estar fazendo esforço. Nada tem a ver com óclão na primeira fila de desfile de moda, grifes estampadas nas roupas ou presença em camarote VIP.

Chegando mais perto, então, são poucos os que se salvam. Pele bem cuidada, bons modos à mesa, roupas no tamanho certo e ausência de barriga. Tudo isso ajuda a compor a personalidade de um phino, mas tem algo que é maior que tudo isso junto.

Phino que é phino tem que ter “leveza pra grupo”. Isso significa saber a hora certa para se manifestar ou, mais importante, reconhecer o momento de calar.

Nada tem a ver com “pura simpatia” ou falta de personalidade. Mais phino ainda é aquele que sabe ser firme e mostrar sua inteligência sem espalhar arrogância. Que sabe ouvir e opinar, mas sem parecer pedante.

Ter “leveza pra grupo” é chegar triunfal sem precisar que “seja um arraso”. É saber dançar e aparecer, sem a necessidade de parar no meio da roda e descer até o chão.

O conceito tem a ver com sorrisos sinceros, cordialidade e paciência. Passa longe de puxa-saquismos, de subserviência e de ataques histéricos.

Quem tem “leveza pra grupo” faz falta e certamente será chamado paro o próximo encontro. E nada será como deveria ser se essa pessoa resolver que os outros, desta vez, não estão dignos de sua companhia.

*Rafa aprendeu o conceito de “leveza pra grupo” com Nina, uma amiga elegante, inteligente e agradável, para quem dedica a coluna de hoje. Tenta ser leve, aqui, às segundas, e menos bruto, por aí, nos outros dias.

4 Comentários

Arquivado em lição de vida, Rafa, teoria da dignidade

Preguiça de mim – o preço da phinesse

final de semana lindo e phino, mas em preto e branco

final de semana lindo e phino, mas em preto e branco

Por Rafa*

É sexta à noite, e eu tenho que dar uma passada no pub pra me despedir de amiga querida que tá indo embora morar no Rio. Dou ois, sou simpático. Dou beijos e tchaus, afinal, tenho que acordar cedo no outro dia pra minha primeira aula de alemão do ano: pontos na escala da phinesse.

Acordo atrasado, com sono, mas levanto e vou. A esperança é que tenha algum gatinho pra olhar na aula que vai me custar todas as manhãs de sábado do semestre. Só mulher na sala. Depois chego o primeiro homem: amante latino versão murcilha. Daí, meia hora depois, entra um gatinho. Pra meu azar, errou a sala. Tava quase desistindo e então chega o bofe que vai me dar motivos pra acordar cedo no próximo sabadão.

Depois do alemão, mais dignidade: academia. Malhação pesada, pra não precisar voltar no domingo, afinal, sonho que o primeiro dia da semana será ensolarado e poderei correr no parque.

Amigo cancela almoço. No fundo, gosto, preciso ficar quietinho um pouco em casa. Encosto 2009 se manifesta. Quer me ver antes de ir pra nunca mais voltar. Despedida íntima. Sinto preguiça, mas dou trela. Nem eu me aguento nessas horas.

Tento arrumar uma companhia pro cinema. Ninguém pode ou quer. O outro lá não toma uma atitude que alimenta. Assisto ao filme, adoro e volto pra casa a fim de capotar.

O domingo acorda chuvoso. Me meto na exposição brega do Roberto Carlos. Depois uma peça de teatro.

Finzinho do domingo tiro pra estudar um pouco. E quando vejo já é segunda. Aula de inglês, academia no lombo, uns flertes via web na hora do almoço, que ninguém é de ferro. “Você teve um final de semana ótimo, que inveja”, me diz o gatinho que não quis/pode sair/transar comigo no domingão.

Muito trabalho no lombo, fazer tudo rápido pra dar tempo da aula de cinema e discutir expressionismo alemão. Chego em casa, lavo louça, estendo camisas e cuecas no varal, boto mais roupa na máquina. Ah, tem que escrever o phino, me lembra o outro.

E estou aqui. Preguiça da phinesse. Preguiça de ser eu mesmo. Preguiça do preço que se paga. Alguém interessante me chama pra tomar um martíni hoje? Urgente.

*Rafa está naqueles dias que nada faz sentido. Procura um motivo aqui, às segundas, quase sempre. Hoje, na terça. Amanhã, quem sabe?

4 Comentários

Arquivado em avisei que era bafona, Rafa, sentimentos phinos, teoria da dignidade, vergonha própria

Nove lições para derreter com phinesse

Vivi*

Essa semana eu estava deitada esperando o sono chegar, com o ar-condicionado ligado em 20ºC, enrolada no edredom e ouvindo Beck interpretar Cohen. E aí tocou uma das músicas do álbum com a Binki Shapiro (também conhecida como namorada do Fabricio Moretti, por sua vez conhecido como o brasileiro dos Strokes).

Foi então que me veio a lembrança do show do Little Joy, banda que ela toca, ano passado em Porto Alegre. Pra quem não sabe, a Binki paga muito de gatinha indie. Mas era fevereiro, e aquele dia estava especialmente quente. E o lugar em que o show acontecia estava lotado. A Binki suava muito. O cabelo dela suava, a camiseta do Mickey dela tava suada, a maquiagem tava toda escorrida. Ela parecia uma loira de Roca Sales, meio matrona, meio branquela, não a mina que pega o Fabricio Moretti.

Disso, eu tiro a primeira conclusão: ninguém consegue ser phino depois dos 30ºC. Coloca qualquer Sophia Loren da vida pra andar na Paulista ou na Andradas ao meio-dia em janeiro pra ver se ela não estará limpando o suor com o antebraço e fazendo cara de nojinho no segundo quarteirão. A notícia ruim foi dada, mas a boa é que nem tudo esta perdido.

Se a chapinha não dura nada, se a maquiagem escorre, se a blusa fica logo suada e você ainda por cima não mora no Rio de Janeiro, bora apelar pro básico enquanto março não chega. Acompanhe, em nove lições.

1. A regra primordial é: durma todas as oito horas, beba muita água. Se não tem como mudar o calor insuportável, pelo menos a sensação de desconforto e a cara de exaustão ficam amenizadas com essas duas regras. Beba mesmo quando não estiver com sede e durma mais de oito horas quando puder. Para arrematar, aposte nos óculos escuros que dão charme e ainda protegem.

2. Protetor solar. 50 no rosto, 30 no corpo, todos os dias, seja frio ou quente, com sol ou nublado. E não me venha com Sundown, pelamor. Qualquer farmácia oferece opções menos oleosas e com menos cheiro por preços razoáveis. Mesmo o protetor da Panvel** é uma ótima dica. Podem reduzir o fator de proteção se a pele for mais escura, mas não muito.

3. Alimentação. Todos sabem que é quase irresistível ficar no ar-condicionado, mas evitem sempre que possível pedir tele-entrega e ir a shopping centers. Comida de shopping é ruim, tele-entrega, geralmente, pior e ninguém quer se embarangar, ainda mais nessa época do ano. Vale sempre mais aquele bistrozinho honesto, como diria o Rafa, com janelões bem abertos, ou mesmo ao ar livre (na sombra, claro). Em Porto Alegre, a dica é sempre o Ocidente e Margs. Evitem o Mercado Público.

4. Maquiagem. Esqueça os conceitos de pó e base pelo menos até o fim de fevereiro. Lápis e rímel, então, nem pensar. A gente já sabe que vai borrar, vai ficar feio, vai aumentar a aparência de cansaço e, claro, só vai detonar com a pele.

5. Vestidos. Mulheres, esqueçam a calça jeans em janeiro. A grande pedida são os vestidos curtos ou longos e saias, muitas saias, tudo em cores neutras e preferencialmente claras. É fresquinho, é confortável, é charmoso. Evite usar tecidos floridos e sintéticos, porque vestido por si só já chama a atenção o suficiente e ninguém aqui quer aparecer com um visual Vera Fischer, correto?

6. Casaco. (como assim?). Sim, casaco, aqui para mulheres. Considerando que você quer proteger sua pele, está usando uma blusa de alça e só quer ir pro sol entre o trabalho e o restaurante ou o trabalho e o carro/táxi/lotação mais próximos até chegar em casa ou outro lugar com ar-condicionado, vista um casaco leve e preferencialmente claro. Encha o rosto, pescoço e mãos de protetor solar, coloque os óculos escuros, beba dois copos d’água e saia fazendo carão. Minha experiência diz que vestido + casaco é menos quente e protege mais que calça jeans + blusa. O casaco obviamente não vale para os dias absurdamente quentes.

7. Homens. Duas palavras pra vocês: Camiseta Branca. Homens de camiseta branca ficam muito bonitos, por mais que insistam em usar a preta. Bermudas estão liberadas só fora do trabalho, desde que sigam a regra de evitar tecidos sintéticos e coloridos (medo de pensar nessa combinação). Evitem bermudas jeans porque sempre dão aquele aspecto de calça cortada.

8. Esporte. Não me inventem de ir correr no Parcão às duas da tarde, pelamor. Nunca se esqueçam que, quanto menos exposição ao sol, melhor. Opte por correr quando escurece ou ir pra piscina (de casa, do clube, depende do seu grau de phinesse). Na pior das hipóteses, você vai se refrescar e queimar calorias. Na melhor, vai ler um livro deitado no deck, socializar ou beber Clericot com morangos.

E por fim, mas não menos importante:

9. Internet. Não twitte, não poste, não comente nem reclame do calor. As palavras Forno e Alegre juntas nunca tiveram graça e falar do tempo só aumenta o mau-humor alheio. (mas vivi, eu vi um filme do Bergman que tinha uma personagem que tirava o casaco e reclamava do calor, é uma associação genial com o verão brasileiro, eu pre-ci-so twittar!) Em primeiro lugar, Bergman era sueco, phino e nunca daria uma fala nem parecida com essa num filme. Nem o Jean Rouch, que adorava um candomblé, reclamaria do calor. Na melhor das hipóteses, tu tá confundindo com o Glauber Rocha. Melhor evitar.

**Farmácia gaúcha, da terra da colunista convidada de hoje.

*Vivi derrete por aqui sempre que achar necessário.

7 Comentários

Arquivado em contribuição phina, fica aí a dica, teoria da dignidade