Arquivo da categoria: trip phina

De volta

* Por L´Andreis

Voltar de viagem é triste. Sei que tem gente que viaja só pra voltar, pra valorizar o conforto de casa e do conhecido e, claro, pra mostrar as fotos pra todo mundo. Não faço parte desse grupo. Tenho banzo da visita.

A Europa, mesmo em crise, nos permite andar com a mochila nas costas sem nos preocuparmos se alguém vai roubar, nos deixa caminhar de noite e até de madrugada por ruas vazias sem paranóia e nos oferece a melhor comida do mundo por quaisquer 10 euros, como aconteceu conosco em Algeciras, cidade que foi nossa passagem para o Marrocos, de onde pegamos uma balsa até Tangêr.

Ao chegarmos na cidadezinha portuária eram 10 horas da noite e as ruas estavam vazias. Tínhamos que caminhar da rodoviária até o hotel e nos perdemos. Alguns bares estavam abertos e dentro havia apenas marinheiros maus da turma do Brutus do Popeye. Só ficamos calmos quando chegamos ao hotel, mas daí faltava comida. Pensei em ficar na água, mas meu namorado insistiu pela janta. Percorremos ruelas pontuadas de tipos com cara marroquina e jaqueta de couro preta até chegar à simpática praça principal da cidade. Foi aí que nos acalmamos: os mesmos caras de jaqueta preta estavam ali, com seus notebooks ligados e abertos no meio da praça. Não era, definitivamente, um lugar perigoso.

Talvez por estarmos mais seguros, foi aí que vimos uma taberna, cheia de secretárias e funcionários públicos, que servia tapas e bebida. Pedimos direto uma porção de jamón ibérico e vinho. Foram os 10 euros mais felizes da viagem. A adrenalina baixou e aproveitamos aquele jamón como o melhor de nossas vidas, e, naquele ponto da viagem, era mesmo.

Daí eu chego aqui e vou no Zaffari e o melhor que me oferecem é uma copa da Perdigão.

*L´Andreis é brasileira e não desiste nunca (de sair daqui). Escreve aqui todas as quintas, esteja onde estiver, e sempre no twitter @carolandreis.

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Utilidade pública

* Por L´Andreis

Vamos fazer deste blog hoje um espaço de utilidade pública, sendo este público meus amigos que estão perguntando “cadê as fotos?”. Não sou do tipo turista japonês que fotografa a coisa antes de ver. Tirei poucas fotos e em nenhuma delas perdi mais de 10s querendo transformar o registro em obra de arte, mas taí um pouco de Barcelona:

Parque Miró: A Mulher e o Pássaro (BCN)

Sagrada Família: como nós, sempre em construção

Saudades de casa. NOT.

* L´Andreis está como miss que acabou de receber o título: ainda não consegue falar. Mesmo assim, dá um jeito de se expressar toda a quinta aqui e sempre no twitter @carolandreis.

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Volta ao mundo antes do vulcão

Por L’Andreis*

Tenho que pensar para saber que dia é hoje. Sinto que faz um tempo que a jornada de trabalho dobrou e tirei horas não sei de onde para fazer turismo em seis países. Da visão de uma viajante líquida, que passou longe do aprofundamento, como se soubesse que o vulcão ia explodir e era melhor parar de voar antes dos aeroportos fecharem, saiu a lista abaixo:

MADRID
Adoro essa cidade. Foram duas passadas até agora e não cansei.

LONDRES
O problema de Londres é o excesso de pessoas com bom senso no mundo que escolheram a cidade para morar. Se não fosse pelo atrolho, não tinha pra nenhuma outra cidade no mundo.

BERLIM
Os amigos apaixonados pela capital alemã, por favor, me desculpem, mas não foi dessa vez que Berlim me convenceu.

ROMA
Em um mundo ideal, eu fecharia Roma para uma festa com meus amigos que terminaria com banho na Fontana di Trevi. No mundo atual, eu tenho que dividi-la com pencas de turistas.

BARCELONA
Já Barcelona me convenceu. Se da primeira vez me pareceu um parque de diversões para estudantes de arquitetura, desta vez adquiriu vida e personalidade.

GRANADA E SEVILLA
Vá. Não morra sem ver.

TANGER
Ver a Baia de Tanger da janela do hotel vale os achaques que começam no porto e só acabam no saída. As diferenças culturais chegam a incomodar ao mesmo tempo em que são perdoadas por serem responsáveis por aquela arquitetura fabulosa.

L’Andreis ainda está no velho mundo. Dá sinais de vida aqui, toda a quinta.

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Os 30 são tão Paris

* Por Dany Darko

NY: pelas calçadas do Marais, Paris te despreza

Paris desbancou todas as cidades por onde passei até hoje. Depois de quase três anos morando en France, cheguei a pensar que meu favoritismo se devia ao apego à nova casa. Mas os franceses não-parisienses rechaçam tanto a sua capital que nenhuma influência positiva poderia ter brotado dali.

Foi paixão à primeira vista, e amor cultivado aos poucos – nos finais de semana não-turísticos passados, às vezes por acaso, na capital francesa, e geralmente motivado por alguma banda blasée demais para vir até o pé dos Alpes. Tudo bem, Paris me merece e merece a chegada aos meus 30 anos, muito bem comemorados e que confirmam que Paris está sempre em ebulição – exatamente como a terceira década de vida deve ser.

Ah é, Paris também pode ser clichê, ou as filas pra subir a Tour, os turistas fazendo bundalelê na Trocadero, Champs-Elysées como parque de diversðes dos bregas, o pré-conceito sobre os parisienses e sua vibe antipática. Pode. Basta comprar o mais chinelo dos mapas e seguir todas as indicações. Se você fez isso provavelmente deve ter achado Paris um saco e eu não discordo.

Mas vá se perder pelas ruelas (e vitrines) charmosas do Marais e conhecer suas multi-facetas judia, gay, trash, cult, passear pelas as galerias de arte da Place de Vosges, tomar um café naquele clima bobo (bourgeois-bohème) de Saint Germain de Près, ou o apéro com o pessoal da Sorbonne no Quartier Latin, se jogar nas livrarias lindas de Saint-Martin, desvendar as soirées escondidas no final da Oberkampf. Paris é muito mais que um guia turístico e reserva boas surpresas por todos os cantos.

Por tudo isso, sugiro Paris como o lugar ideal para passar os 30. Tem diversão sem as obviedades do começo da juventude, arte e cultura sem a culpa de exacerbar intelectualidade (já que é inerente ao quotidiano da capital), diversidade sem ostentação, boa comida, bons vinhos, pessoas magras, glamour na medida e simpatia limitada – porque sarcasmo é o combustível de todo filho de Balzac.

Tunda de laço em quem diz que viu tudo de Paris em dois dias. Dizem – palavra de parisiense – que por mais que se nasça e se viva na capital francesa, nunca é possível a conhecer completamente. Nada a ver com mistério, Paris é sedução. É por isso que os seus nativos tem tanta dificuldade de abandoná-la. E que a gente tem tanta facilidade de se apaixonar por seus nativos.

*Dany Darko não escreveu a coluna da semana passada porque estava muito ocupada se jogando na noite parisiense. Leva todos os phinos para passear às quartas, no EBDP.

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