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O ataque do veludo roxo

Ela pode. E não é veludo.

Por Vini*

Não, não é Halloween. Mas as bruxas estão à solta. E não é o frio da
estação que me faz arrepiar. Outro sentido humano meu que tem sofrido.
Pobre de minha visão.

Morar no alto de uma serra do interior das Minas Gerais te garante um
certo período de frio, mesmo em tempos de globalização, aquecimento,
efeito estufa e derretimento das calotas polares. Não é como dez anos
atrás, mas mesmo assim, algum tipo de agasalho é necessário.

Depois de um período vivendo em uma cidade quente, abracei minhas
raízes tropicais e virei amante do calor: ar condicionado, sorvete,
aula de natação no fim da tarde e por ai vai. Voltar a morar na serra
não me trouxe de volta a paixão pelo frio.

Respeito quem gosta de frio, pelo argumento mais convencedor de todos:
no frio, as pessoas podem se vestir bem. Notem bem, queridos leitores,
o verbo utilizado – poder – que indica a mera possibilidade. Para a
concretização do fato, precisa-se do elemento decisivo que todo phino
deve ter em abundância: bom senso. Sem ele, não há frio que te dê
glamour.

Voltemos ao contexto de cidade do interior – onde uma dita elite acha
que tem dinheiro e bom gosto – para que a história seja o mais
verossímil possível.

Mesmo com frio, é necessário malhar e cuidar do corpitcho para exibir
a boa forma no verão. A academia na qual malho é frequentada por essa
dita elite, digamos, na medida em que uma cidade do interior permite.
Pois bem.

Não é para o meu espanto que, em tempos frios de malhação, a academia
fique ligeiramente menos ocupada. Acho bom.

Mas mesmo assim vejo em dias diferentes algo que queimou meus olhos.
Duas mulheres, uma mais moça e uma senhora, usando um
agasalho/abrigo/conjunto/insira-o-termo-certo aqui de veludo roxo.

O que aconteceu com tecidos de tectel? Um simples moleton?

Veludo é um tecido muito complicado. A lembrança de um tecido
aveludado levemente canelado me assombra desde os anos 90. Com todo o
revival/comeback possível dos anos 90, alguns tecidos JAMAIS devem
voltar.

Veludo tem que ser discreto. Veludo não combina com academia e não tem
propriedades que beneficiam o aeróbico ou a musculação. É errado.

Agora, roxo. Roxo, meo deos? Roxo? A pessoa acha que é uma uva
aveludada e foi malhar. Calça e blusa da mesma cor. Okay, é o conceito
de conjunto. Mas roxo é uma cor vibrante.

Roxo não é cor do inverno. Isso é um mito, uma idéia do senso comum.
Roxo é muito 2006, quando Madonna resolveu que Confessions on a Dance
Floor teria tons de roxo. Hung Up, Sorry etc. Mas ela é a Madonna. Não
que isso a isente de erros, mas isso lhe dá uma certa licença para
poder errar. O que não ocorreu, claro, roxo pra ela foi lindo.

Agora, amigas da academia, vocês não são Madonna.

Eis que por fim, andando pela rua, encontro o terceiro exemplar roxo:
a senhora que costumava trabalhar na casa de minha finada avó. E
estava gorda, gorda, gorda. Pior que nem podia mandá-la malhar, porque
com roxo não dá.

*Vini defende bom senso na moda e aconselha todos a praticarem
atividades físicas regulares com frequência, agora, toda quarta-feira.

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Eu e Copa

O dia em que Dunga acertou...

O dia em que Dunga acertou...

Por L’Andreis*

Enquanto Brasil empatava com Portugal, eu estava na Praça de Alimentação vazia de um shopping center em São Paulo colocando a vida em dia. Sim, porque é para isto que estão me servindo os jogos da seleção, aproveitar o cenário de filme de zumbi que se forma ao meu redor para responder emails, escrever pro EBDP, adiantar projetos.

Claro que nem tudo pode ser feito, as lojas estão fechadas e as cornetas em chamas, nada de compras e concentração. Ao ver algum ser vivo, ele normalmente vem com cores berrantes que deve se ter muito cuidado ao combinar, que, no caso, esses não tem: verde e amarelo.

(Alguém, por favor, avisa que jogo a seleção não é desculpa para cafonice.)

Não me chamem de anti-patriota, só não tenho paciência para assistir TV por 90 minutos acompanhada de gente fazendo comentários ou assoprando vuvuzela. Entendam, eu acho o Dunga uma pessoa ótima, estou do lado dele contra o Tadeu Schmitt e sua arrogância, mas, não, eu não vou ficar na poltrona me emocionando com dribles e chutes.

Sei que vocês não esperavam que eu fosse uma torcedora exemplar, mas, caso tenham se decepcionado, saibam que eu torço muito para que nosso técnico fã de Herchcovitch venha com aquela taça dourada horrorosa dentro da Louis Vuitton.

*L’Andreis não queria ter nascido Argentina, porque lá também acham que jogo é igual travesti: bagunça. Escreve aqui entre e quinta e sábado, mas fique sabendo sobre ela sempre no twitter @carolandreis.

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Música para seus (phinos) ouvidos

Seriously: DON'T.

Por Vini*

De vez em quando, paro e penso no livre arbítrio. Não raro, chego à conclusão de que foi uma das grandes falhas da Criação. Tal assertiva é facilmente corroborada pela série de escolhas visivelmente erradas que as pessoas fazem cotidianamente. Ainda que exista uma área cinzenta, onde o certo ou errado são nubolosos, algumas situações são claras como água. Nessas horas, me questiono sobre onde estará o grande carimbo celestial vermelho dizendo “DON’T” em letras garrafais.

Semana passada, tivemos o exemplo maior disso. O retorno de Christina Aguilera em seu vídeo Not Myself Tonight. Não vou ficar batendo na tecla, porque este gravíssimo atentado à phinesse já foi debatido a exaustão em vários meios de comunicação. Claro que existem os pró-Xtina, os contra, e aqueles “who cares, she’s dead anyway” (bjomeliga, Rodrigo).

Sim, ela se autosepultou. Mas aí voltamos à questão do livre arbítrio. O ouvido é seu, os olhos também. Ninguém é obrigado a aceitar imposições das grandes gravadoras.

Não entendo porque Christina insistiu em copiar Madonna (com “Human Nature” e “Express Yourself”), Britney (“3”) e Lady Gaga (er, tão óbvio que me faz me sentir desconfortável só de falar). E a letra? “Não sou eu mesma essa noite?” “Quero pegar meninos e meninas?” Preguiça. Se você quer pegar meninos e meninas, pegue porque você gosta, não porque quer pirar o cabeção e fazer uma loucura pseudo drogas-sexo-rock’n’roll numa noite.

Quando a gente é menor, forçosamente é influenciado pela MTV. É praticamente uma Igreja Católica musical que nos dá o primeiro batismo.

No meu tempo, MTV era boa. Hoje dispenso. Porque se o canal chama Music Television, pressupõe-se, no mínimo, que vai falar de música. É tanto reality show pra adolescente desmiolado que nem me digno a saber mais. E olha que eu visitava todos os dias os sites da MTV USA, BR e Latina.

VH1 é bom. Música para os pós-adolescentes e adultos de toda espécie. Mas não aguento os reality e especiais. I’m a junkie, I need my music 24/7.

Lembra do livre arbítrio? Pois então. Para você fugir deste main stream louco, duas sugestões cibernéticas.

Last.fm. http://last.fm

A melhor rede social do cosmos. Você baixa um aplicativo no seu pczinho. Toda vez que você ouvir música, é feito um scrobble da faixa. Tudo que você escuta fica listado no seu perfil. Assim você tem tabelas organizadas por faixas, artistas e álbuns do que você escuta. Os usuários colocam informações sobre os artistas, no melhor estilo wikipedia. Fotos, imagens e tudo mais. Além disso, há um serviço de rádio (hoje pago, infelizmente), nível de compatibilidade com seus amigos, vizinhos (outros usuários com gosto musical semelhante) e indicação de artistas parecidos aos que você escuta.

Hype Machine http://hypem.com

Faixas que são colocadas em blogs do mundo todo, em um só site. Você consegue pesquisar, ouvir faixas recently blogged, achar links para download e tudo mais. O áudio funciona em um player no próprio site, em streaming. Também tem histórico e você pode favoritar faixas, tal como last.fm. E agora, você consegue fazer scrobble no seu last.fm das faixas que aqui escuta.

Sites que já estão no mercado há um tempo. Mas só outro dia eu descobri as maravilhas do HypeM. Censurei profundamente um amigo que conhecia e não tinha me apresentado. E ainda me ironizou pq há “séculos” já estava no ar. Egoísta ele.

*Vini escuta música o dia todo, o dia inteiro, 24/7 e compõe versos não musicais aqui, às terças-feiras.

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A phinesse e o vinho

I need some fine wine, and you, you need to be nicer


Por Vini*

De vez em quando, paro e reflito sobre o que é ser phino. Alguém mais desavisado, ou um leitor desatento de primeira viagem neste barco da phinesse, poderia confundir o conceito com ser pedante, frívolo, superficial ou formalista pela forma. Conceituar e definir, de modo categórico e absoluto, é deveras difícil, considerando a vastidão da mente humana. Mas existem aquelas situações em que o alarme soa freneticamente, e você vê que um atentado à phinesse é cometido.

Este fim de semana, vivi um episódio que me incomodou. Esboço do cenário: pequena reunião de amigos da matriarca aqui em casa. Pessoas nos seus late 40s, early 50s e 60s. Eu era um dos poucos representantes da galerinha “jovem”.

Cidade do interior tem aquela ligeira obsessão por coisas que acham que é status: viagens assim e assado (leia-se “internacionais”), certos lugares, certas bebidas e assim vai. Nada contra, acho ótimo. O que eu sou contra é o uso que se faz disso. Vamos ao caso prático.

Pessoa X, “n” taças de vinho depois, para e solenemente anuncia: “só tomo vinhos chilenos, portugueses e italianos. Mas o vinho tal (que pasmem, era chileno) está abaixo da minha de qualidade”.

O vinho chileno que a senhora em questão desmereceu é bom. E, por ocasião, a senhora bebia um vinho nacional, que a matriarca gentilmente ofereceu porque considera um vinho de boa qualidade. E foi por questão de gosto, afinal, vinhos de várias nacionalidades habitam a adega doméstica, incluindo chilenos, portugueses, etc. Isso porque estava sendo servido whiskey, espumante e uma série de outras bebidas a sua escolha. Fartura é o que não falta e o livre-arbítrio etílico imperava.

Senti-me incomodado. Se ela só gosta de tais vinhos, tal vinho que ela bebia era de má qualidade? Sendo de má qualidade como ela bebeu mais de uma garrafa e meia e ficou bem alegrinha?

Gosta de viajar ao exterior, mas não sabe uma linha de inglês. No mundo atual, saber inglês não é luxo, é básico, elementar. Se a senhora gosta de desbravar o mundo, por que não faz melhor proveito de seu tempo e aprende uma outra língua? Conhecimento nunca é demais e não tem idade.

Voltemos ao vinho. É bom, eu gosto, eu bebo. Mas não porque eu acho que dê status, e sim porque eu gosto do gosto e pronto. Tem gente que aprende umas três ou quatro regras sobre a bebida e se julga o sommelier do ano. E decora certas frases para jogar em eventos sociais e demonstrar a sua “profunda” cultura.

E são essas pessoas que acompanham as listas de best-sellers e compram na livraria os mais vendidos. Sabe aquela história idiota que vende rios e rios e o povo vai lá e lê degustando aquele vinho ma-ra-vi-lho-so? Preguiça eterna, me dê uma cama que vou dormir, por favor.

Gosto é gosto. Cinema, por exemplo. “Avatar” é o mais visto da história? Maior bilheteria? Nossa, que coisa, não? Seres azuis com rabo não me interessam. Nada contra o filme, porque não vi e não vou julgar, mas a princípio não me atrai. Eu não vou ver “Avatar” só para conversar “socialmente” (ao lado daquele vinho que o pseudosommelier me oferece).

Em nome de uma suposta phinesse, as pessoas cometem atentados. A senhora do episódio narrado foi um tanto quanto indelicada, ao dar a entender que o vinho servido seria ruim. Mas pra quem bebe uma garrafa e meia, até vinho de garrafão deve servir, né? Incongruência.

Então, amiguinhos, fica aqui um aviso. Desconfiem de práticas e hábitos sociais erroneamente taxadas de phinas. Não seja escravo de modismos. Porque ser phino não tem a ver com a forma ou procedência, e sim com o conteúdo. Você não é o que bebe e sim o que você pensa. Por si próprio e não porque te mandaram pensar assim.

*Vini tem preguiça de pessoas engarrafadas em série e destila suas palavras etílicas aqui, às terça-feiras.

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Verdade ou consequência?

Era uma vez o meio-termo

Era uma vez o meio-termo

Por Dany Darko*

Numa soirée com o meu grupo de mestrado, observamos que nossa turma é formada por um grupo nem um pouco homogêneo. A maioria, claro, é composta por colegas franceses, mas cada um vem de uma região diferente do país. A outra parte somos, nós, os estrangeiros: um russo, quatro chinesas, um argelino, uma vietnamita e eu, uma brazuca.

Nessa vibe BUNITA e ÚTEL de discutir nacionalidades e diversidades, entramos no delicado assunto mitos, com a sutileza de uma colega francesa, como só os franceses sabem ser ogros diretos:

– É verdade que na China vocês comem cachorro? – se dirigiu a uma colega chinesa.

A coitada da oriental ficou branca, vermelha, roxa, transparente, muda, suou frio e interrompeu a resposta setenta e sete vezes antes de se esquivar num “não é bem assim” e instaurar um clima de inconformidade no recinto.

Cachorro na China, só quente

Por fim, ela explicou, toda cheia de dedos que, sim, os chineses comem carne canina, mas – não -, não são todos os chineses que se alimentam da iguaria. Segundo ela, o hábito de comer carne de cachorro vem de uma região do seu país. “E não é qualquer cachorro que vai pra mesa”, acrescentou, com medo que a gente estivesse pensando em sair dizendo por aí que todos os chineses servem totós em todos os almoços de domingo.

Imaginem, a gente fazendo essa maldade! Nem abri meu laptop na hora e vim publicar esse post no EBDP.

Afim de botar lenha na fogueira salvar a pobre da colega que estava sendo apedrejada por uma onda de perguntas que jamais teriam respostas definitivas, eu confessei que no Brasil a gente come coração de frango. Pronto, falei.

Ok, vocês não devem achar nada demais, mas a galère teve uma ânsia de vômito coletiva. Todo mundo acha nosso petisco um NODJO por aqui. Até tentei argumentar que o coração era salgado, temperado, assado, maquiado, etc.

Claro, não melhorou nada.

Pra acalmar a galère, fiz o favor de informar que não eram todos os corações de todas as galinhas que a gente usava, só os bem gordinhos. E que toda a galinha tem três corações, por isso ela tinha mais duas chances de vida depois de extraírem, com carinho, o primeiro coração (minha mãe realmente me contou essa história quando eu era pequena). E que não era todo mundo que comia coração de galinha. Os vegetarianos, por exemplo, dispensam.

Como todo mundo já estava no banheiro mesmo, fiz questão de completar que a gente come corações no churrasco, nas pizzas, no pastel, no bolo de fubá, no sorvete, no café com leite, na pamonha, na goiabada e nos lanches. (Lancheria do Parque, miliga!).

Só sobrou eu e o colega argelino, que estava comendo um kebab com molho branco. E ele me disse que reza a lenda que, para um bom molho branco, os árabes adicionam sêmen na iguaria. De boca cheia, meu colega garantiu que era tudo mito.

É gostoso e faz bem

É gostoso e faz bem

E foi a vez de eu dar uma passada estratégica no banheiro. Nunca mais pedirei molho branco em dobro.

Na volta, o grupo tinha entrado numa discussão sem fim sobre o uso do véu nos países árabes e o coitado do argelino é que estava na fogueira. Teve a infelicidade de dizer que concordava com a bagaça, já que não era somente uma questão religiosa, mas também cultural, de afirmação da identidade árabe.

Explicou também que não eram todas as mulheres árabes que usavam o véu. E que não era toda a população árabe que apoiava o uso do véu, que nem é obrigatório em todos os países.

Colega árabe desviou a atenção confessando que ele achava vergonhoso mesmo eram os russos cuja fama de seu povo se deve ao álcool. Mas nosso amigo eslavo explicou que as garrafas de vodka que ele havia trazido para a festa eram polonesas. E ameaçou ir embora com toda a cachaça se continuássemos colocando sua integridade na roleta. Como havia ainda cinco garrafas fechadas de vodka polonesa que não poderíamos dispensar, todo mundo se acalmou e ficou tudo bem.

Ou não. Porque os franceses resolveram dar sequencia ao quebra-pau a essa inteligente e saudável discussão:

– E o que falam da gente no país de vocês?
– Nada demais, não – a galère se esquivou.
– Nada memorável, por exemplo?
– Só que vocês não tomam banho, não usam desodorante, estão sempre mau humorados, são mal educados, blasés, xenófobos, racistas e se alimentam de coisas nojentas como escargot, foie-gras, boudin noir e que vocês elegeram o Sarkozy pra representar todas essas belezuras nacionais…

Salve, salve simpatia!

Salve, salve simpatia!

Nesse momento, todo mundo se levantou para a briga. A chinesa pegou uma adaga, o argelino puxou uma faca, o russo pegou uma garrafa de vodka polonesa (sem antes esvaziá-la no bico) e os franceses levantaram os braços.

Já eu saquei meu pandeiro de dentro da bolsa e sugeri:

– Ei, GERAU, vamos todos ser amygues? Vou tocar uma musiquinha bem legal e todo mundo vai dançar junto até o chão, chão, chão!

Foi quando a francesa me perguntou se era verdade que no Brasil existia uma dança em torno da garrafa. Tive muito medo. E eu poderia ter dito que não, que era tudo mito, enganação, lenda, mentira, não poderia?

Não poderia, não, pessonhas! Já esqueceram do post da semana passada?

– E você conhece essa dança da garrafa? – todo mundo quis saber.

Então argumentei que não era bem assim, que essa música já era antiga, passada, fora de moda, que hoje em dia a gente dançava mesmo era a surra de bunda

, que não era todo mundo que tinha molejo pra esse estilo musical, que…

– Mas você faria a dança da garrafa pra gente, em nome da phinesse?

FIM.

* Dany Darko escreve para os EBDP às quartas e faz performances em soirées, aniversários de criança, formaturas e casamentos no resto da semana. Contatos pelo email oquevaleéaintenção@ebdp.com.br.

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O boogie woogie, o tempo e a phinesse

Tiozão na Balada: Don't.

Por Vini*

A saga de uma pessoa phina nunca termina. Para reles mortais, ela pode começar a qualquer tempo, até mesmo após os trinta e cinco. Entretanto, devo advertir que, com o passar do tempo, a caminhada pode se tornar mais penosa, afinal, o corpinho já não tem mais o vigor de outrora (especialmente se você não se dedica à atividade física de forma regular).

Eu, 25, prestes a fazer 25-bis. (A idéea de fazer 26 é uma coisa com a qual não me acostumei ainda, logo estou “in denial”, obrigado por perguntar.) Sexta-feira à noite. Belo Horizonte. Talvez um edredon tivesse sido a pedida mais indicada, acompanhado de um livro. Mas ter vida social é supostamente necessário, e é sempre bom desfrutar da companhia dos amigos.

Após uma pesquisa, achamos a balada da noite: Demodée. A proposta era excelente. O melhor das décadas de 60, 70, 80 (Bjomeliga, Dany!) e 90 em um ambiente bem legal. Algo à moda antiga, sem nenhuma referência a uma década específica. Um quadro com uma photo de Uma Thurman ao melhor estilo Pulp Fiction que por si já fazia valer a noite.

O problema é que ao olhar ao meu redor, o alarme soou com força: Danger, Will Robinson, DANGER!!!! Aparentemente, as pessoas deixaram suas faixas e compressas em seus sarcófagos e, após assinar os papéis do divórcio, deixaram seus filhos Tereza Cristina e Tadeu Robledo com a babá Zuleika Andréia e foram chacolhar o esqueleto na balada. Aquela coisa, paquerar um broto, mora?

Se havia pessoas com trinta e cinco, eram bebês. Eu era um feto. Quarentões e quarentonas. Cinquentões e cinquentinhas. Havia apenas um outro casal de amigos nos 20 e poucos que, como eu, só foram lá dançar até a panturilha doer (Dany, bjomeliga de novo, gateenha).

O nome do bar deveria ser 2nd Chance. Ou Last Chance. (Ou Take Me Home Now Cause I Don’t Wanna Be Old and Single Club.) A ironia do destino é que as pessoas escutavam músicas que originalmente escutavam quando eram jovens. Toda recriação do ambiente para tentar consertar os erros do passado. Porque os senhores e senhoras do recinto queriam pegação, phino leitor. Nada mais que isso.

“Nossa, Vini, limpa o veneno que não para de escorrer”.

Eu ainda não acabei.

O que mais me chocou foram as danças. MEU DEUS, AS DANÇAS! Jesus Luz me chicoteia porque Madonna teria um derrame se visse a cena. Descobri vários passos de dança novos (ou antigso, questão de ponto de vista):

* “Bracinhos de Tiranossauro Rex”: Junte-os bem rente ao corpo, forme um ângulo de 45 graus e comece a balançar.

** “Marco o tempo com a mão, porque não tenho ritmo”: Ainda com os braços bem próximos ao corpo, desça-os até a altura das coxas e faça movimentos verticais ao som da música.

*** “Eu tenho braços e me sinto desconfortável”: Finja que você é um polvo com braços soltos ao ar.

**** “Ombreiras pelo México, olé!”: Finja que você tem molas nos ombros e os jogue para cima e para baixo, freneticamente.

Claro que experimentei ao vivo todas estas danças com os mestres. Quase fui lá pedir ajuda para saber se eu fazia certo, mas me contive pois a emoção seria tamanha. Ou então ia agarrar uma quarentona gateenha e cheia de swing e gingado, fácil.

Do outro lado da cidade, um evento de axé, no Mineirão. Não consigo entender o contexto de um estádio de futebol cheio de gente loira de abadá. Não tecerei maiores comentários, portanto. Acho que os tios e tias neo-solteirões deviam ter ido para lá.

E a balada estava ótima. Dancei, ri, me diverti. Mas não entendo as pessoas. A noção e auto-crítica são perdidas com a idade? Estarei eu sendo preconceituoso e inventando limites temporais que não existem?

A verdade é que não sei e nem posso responder. Quando eu virar um quarentão, talvez eu saiba. Mas espero, sinceramente, que eu saiba me portar. Porque dançar eu sempre saberei.

*Vini está na fase nerd-recluso-quero-livro-e-dvd. Balança a pema, ocasionalmente, e a pena aqui, às terças-feiras.

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Vini e os erros de Mr. X


Por Vini*

“Não tá legal”. Na verdade, na verdade, a frase foi “você vai me odiar
muito se eu falar que isto não está bom?”

Uma das minhas características mais marcantes é a sinceridade. Tem
horas que é defeito, tem horas que é qualidade. Pro bem ou pro mal, eu
simplesmente falo. E, de fato, amigos, não estava bom. E é a coisa
mais frustrante do mundo, porque na maior parte das vezes é bom.

Vamos ao contexto. Depois de anos sendo inimigos, viramos amigos numa viagem. Saídas despretenciosas aqui, encontros esporádicos na academia e, eis, que um belo dia, me deparo com a criaturinha no meu quarto.

Tecnicamente no meu sofá (sim, tinha um em meus aposentos) e depois, por breves minutos, em minha cama. E eu ainda tentei ser legal, do tipo, “não vá embora, vamos conversar que tava melhor”. Mas levei um “você não vai me odiar se eu for embora?” bem apropriado.

Hoje somos amigos, sem maiores traumas ou sentimentos de vingança.

Ah, minto. Houve mais um episódio engraçado com o mesmo indivíduo que devo narrar.

“Alô, quem fala?”

“É o Mr. X, Vini”

“E aí, tudo bom?” Perguntei eu estranhando a ligação, já que nosso
contato maior é via internet e não telefone.

“Tudo e você? Que anda fazendo?” E mais um bando de small talk depois, me vem a frase final: “então vamos combinar de tomar uma cerveja um dia desses”.

Eu não bebo cerveja, jamais. Já provei Heineken e foi a única que
gostei. O resto, nem morto. Achando tudo mais estranho, disse ao
final: “Mr. X, eu não moro mais nessa cidade. Não tem como a gente se
encontrar qualquer dia desses”.

Foi então que Mr. X percebeu que ele confundiu os Vinis. Mr. X havia
ficado com um Vini-genérico-qualquer-no-fds e ligou para este Vini-phino-que-vos-escreve, por engano.

Novamente, incidente superado e somos amigos.

Analisando as duas situações, vejo o principal erro de Mr. X: ir com
muita sede ao pote. Não foi legal, porque ele não aproveitou o momento. Errou ao ligar, porque pegou o primeiro número que estava na
frente, provavelmente porque estava com vontade de … isso mesmo,
vocês sabem, não vou usar termos vulgares.

Eu, particularmente, me considero bom nas artes de flertar e de “…,
isso mesmo, vocês sabem, não vou usar termos vulgares”. Justamente
porque tais tarefas são artes. Por isso, mesmo correndo risco de ser
minoria, vou levando as coisas ao meu tempo. Os muito apressados como Mr. X, que me desculpem.

*Vini sinceramente narra seus acertos e desacertos, bem como os
alheios, preservando o anonimato quando necessário, por aqui, às
terça-feiras.

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