Novembro 26, 2009

Pessoas com PH – Martín Sastre do it better

mamãe, quando eu crescer eu quero pegar o Martín Sastre

Eu era apenas uma pequena e rechonchuda aficionada por arte contemporânea (ainda sou?) quando conheci Martín Sastre em uma revista de museu. Me encantei pela ironia, pelo humor, pela acidez. A instalação era Rose Conspiracy, que conta como Lady Di não morreu, apenas foi viver no Uruguai com seu amante de 17 anos. A partir daquele momento, eu tinha o meu artista (de arte mesmo, não de palco e holofote) pop star, e ele era gato e latino.

Fiquei frente a frente com ele em Porto Alegre em 2008. Não só paguei pau na palestra-apresentação, como também o entrevistei para a Bravo! e ainda fiquei encarando a correntinha com pingente da Torre Eiffel que ele tinha no pescoço. Confesso que, no final da entrevista, eu já usava meu pouco conhecimento de psicanálise pra saber se o gajo era gay ou não, mas isso eu vou deixar pra vocês descobrirem.

Sastre X Sr. Bjork

Martín mora em Madrid [e no meu coração] e continua fazendo vídeos para os maiores e melhores museus e galerias do mundo. O que isso influencia na sua vida phina? Bom, primeiro, ele faz com que você possa assistir a um vídeo em museu sem encarar coisas chatas e descoladas da realidade como as que os videoartistas contemporâneos enfiam goela baixo nos curadores. (Em tempo, o arqui-inimigo de Martin é o Sr. Bjork, Mr. Matthew Barney).

Segundo: ele trabalha a latinidade da melhor forma possível, é um antropófago da cultura pop do nosso continente, nossa forma de arte mais verdadeira e, por incrível que pareça, original. E terceiro: quando você ia pensar que Madonna era mais latina que a descendente de árabes colombiana Shakira, hum?

No momento em que o EBDP se direciona para a expressão além da phinesse, minha coluna de hoje homenageia esse muso latino. Porque phino mesmo é ter ídolo gato, uruguaio e que trabalha pra Guggenheim. Martín Sastre é gente com ph.

*L’Andreis já foi artista, hoje prefere dinheiro [pero perder la ternura jámas]. Ainda pinta e borda sem ganhar um euro aqui toda quinta y siempre en lo twitter @carolandreis. Pra conhecer mais sobre Martín Sastre, acessa aqui.

Novembro 24, 2009

Cansei de ser phina, quero ser…

...Tina

...Tina

Por Rafa*

Tem uma cena do filme “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” em que Pepa, interpretada pela diva espanhola Carmen Maura, pede para a secretária da firma onde trabalha fazer (mais) uma ligação para o seu amado, Iván (leia-se “i-ban”). Metida que só ela (não teria como ser diferente em um filme de Almodóvar), a secretária diz que ela está fazendo papel de boba.

Pepa sabe disso e rebate: “Bem, um pouco mais, não importa”.

Como a entendo e acho chique. Pois amigos, é isso, basta. Eu já havia dissertado sobre como eu não aguento mais tanta poker face na vida e, olha como são as coisas, me pego, nesses dias de primavera, justamente fazendo a blasé nas situações em que não devia.

Fora os momentos de trabalho como modelo (beijo, fãs da Casa dos Criadores!), onde o carão não é uma necessidade e, sim, obrigação, sou total contra a indiferença. E isso tem me afetado forte a saúde. Não fiz ainda 30 e me pego com uma ÚLCERA no estômago, segundo me informou ontem o médico após revisar meus exames. A bichinha ainda é pequena, mas eu não quero que ela aumente. (Quero que morra, na real.)

Sentiram o drama? É por isso, amados, que chega. Cansei de ser phina, quero -e preciso- ser Tina. A piada não é minha. Tirei ela de uma comunidade do Orkut que eu amo (confira aqui).

O conceito: “Para todos que depois de presenciarem um momento de extremo bom gosto sentem a irresistível vontade de abrir o peito e cantar: ‘I’m a private dancer!’”. O vídeo abaixo não é ilustrativo, galere. Aumenta o volume e canta comigo.

Amiga querida explica que 2009 é o ano da virada, segundo apontaram os astros. E, se eu continuar assim, levando as coisas desse jeito, fingindo que está tudo bem, eu vou morrer na praia mais uma vez e começar 2010 nadando na areia. Não fui a favor.

E vocês que já me conhecem sabem que eu não sou desses e que gosto mesmo é de nadar numa piscina cheia de gostosos lindos me amando. Então, te prepara, gato, PORQUE EU AVISEI QUE EU ERA BAFONA.

Eu sei que tu aí, gatinha, deve tá um pouco assustada com tudo que lê agora, mas se trata da minha saúde, e eu tenho MUITA coisa pra resolver antes que o ano acabe. O corpo tá em forma, a espinha e otras cositas más estão e podem ficar a qualquer momento super eretas, mas a mente não está tranquila.

Estou precisando dizer tanta coisa pra uns aí que a Mrs. Dalloway, personagem mais phina ever de Virginia Woolf, que existe dentro de mim vai ter que ficar quietinha no seu canto pra outras aí, menos glamourosas, baixarem na minha entidade pessoal.

Pode criticar, falar mal, eu aceito. Juro que eu tentei nesses meses de 2009 ser o mais germânico possível, mas não deu. A cara e o charme são alemães, fato. Mas existe um Almodóvar dentro de mim louco pra dizer umas palavras sinceras.

Sim, cariño. Vai ter choro, grito, bafão, noites mal-dormidas e óculos escuros pra disfarçar as olheiras. Uns até sentirão pena e vão dizer: “Então é esse o cara que escreveu aquele texto que pedia mais phinesse?”

“Bem, um pouco mais, não importa”.

“Bem, um pouco mais, não importa”.

Estou tranquilo, dentro do possível. Porque, depois da tempestade, tenho certeza que alguns –poucos e bons- ainda estarão do meu lado. Sempre foi assim. No fundo, vocês sabem, eu sempre quis ser apenas uma private dancer. E tu aí que me lê todo cheio de medinho com o que pode acontecer sabe que não foi merecedor da minha performance exclusiva, apesar de ter se aproveitado do meu corpo.

Lamento informar, mas chegou a hora de aguentar as (piores) consequências.

*Rafa é uma bicha à beira de um ataque de nervos. Adora cores de Almodóvar, de Frida Kahlo, mas tem um pouquinho de preguiça da Adriana Calcanhoto. Faz bafão aqui, toda segunda. Nos outros dias, aguenta firme a poker face, cujos dias estão contados.

Novembro 23, 2009

“A vida é cruel, mas os gays são mais”: boa sorte!

Rosângela, me ajuda, pls, cansei!

Rosângela, me ajuda, pls, cansei!

*Por Vini

Então é isso. Homens do mundo, me despeço, foi bom enquanto durou, mas não dá mais. Não entendo a necessidade de terem que ocupar o pinto todo instante. Dentre as várias cabeças do corpo, a maior e com mais circulação sanguínea (a que tem esse órgão fantástico e misterioso chamado “cerébro”) deveria pensar e tomar todas as decisões.

Porque a lógica da cabeça de baixo (a menos oxigenada) é a seguinte: por que desperdiçar uma oportunidade? Não importa o quão feia a “oportunidade” seja.

É fato biológico. Homens produzem zilhões de espermatozóides a vida inteira. Querem dar cabo deles e colocar pra fora. Se acharem um óvulo para fecundar, melhor, porque estão assegurando a perpetuação da própria genética.

Agora, amigos e amigas, me expliquem o que se passa quando dois supostos machos se encontram. Óvulos não serão fecundados, genética não será perpetuada. Por que a necessidade constante de se colocarem os espermatozóides sempre para fora?

Um amigo meu, que acredita em Deus, me revelou o papel dos gays na criação e evolução: a terra é superpopulada, quando dois seres não podem procriar, eles contribuem de algum modo para o balanço no sistema, dentro de um plano divino.

Eu sou ateu; ele, gay. Lembro-me do momento que ele me disse isso claramente, porque faz sentido. Não é certo, mas é plausível.

Hoje, um amigo meu -bicha também- que lia um romance espírita disse que os gays de hoje são pessoas que estão resgatando algo da vida passada. Foram preconceituosos e hoje de certo modo devem resgatar esse preconceito.

Outra visão. Nem certa, nem errada, porque não existem absolutos.

A questão é que eu ando, sim, magoado com os homens do mundo. E não sou feio, chato, burro ou qualquer coisa. Posso me dar bem, se quiser, obrigado.

Mas é que rola uma hipocrisia, meus amigos. O povo se produz, vai pra balada, querendo arrasar e pegar geral. E, secretamente, odeia ter que entrar no espírito de competição e duelar na pista cheia de glitter por atenção e um pedaço de carne para chamar de seu.

Já disse que, quando vou pra balada, eu quero sair com a panturilha doendo de tanto dançar (Danny gostou disso e me deixou feliz e lisonjeado com o comentário). Eu não sou bom com olhares e todo aquele ritual de acasalamento purpurinado.

E isso gera ansiedade. Quem nunca sentiu ansiedade pré, na ou pós-balada por conta de uma possível cara-metade-de-talvez-uma-noite-só que atire a primeira pedra!

E a regra do jogo parece ser clara: no strings attached.

Acho que os héteros inventaram o conceito de aliança como sinal de demarcação de território. Uma amostra externa e visível de que aquela cabeça de gado tem dono.

O conceito existe no mundo gay. Mas, aqui, ao contrário, o proibido instiga e provoca ao cubo. Comprometidos se sentem superiores ao trair. Quem pega um comprometido pode se sentir poderoso, querendo acabar com a união alheia.

Ninguém fica junto por obrigação. Não tá bom? Cai fora. Querer pegar um novo e manter o velho é egoísmo. Não é legal.

Não, amigos, não sofro do mal de corno. Se já traí mesmo quase comprometido? Sim, várias vezes. Se já me comprometi de verdade? Não, porque não queria ser traído. Hipocrisia de minha parte? Muito provavelmente, obrigado.

Fidelidade deveria ser um simples desdobramento da honestidade. Eu não vou trair porque te prometi que jamais o faria. Do mesmo modo que se promete todo o resto. Quem promete deveria cumprir. Então, não prometa.

Porque é muito difícil, pessoas, querer dizer algo, ouvir algo, e não poder confiar. E ter insegurança e ter medo.

Regras são necessárias. Se assim não o fosse, não teríamos saído da barbarie ou do incesto. Elas vêm com a evolução.

Não creio que tenhamos evoluído a ponto de abdicar delas. Não creio que o mundo aparentemente livre e sem regras gls seja tão livre assim.

É como um amigo me disse: “A vida é cruel, mas os gays são mais”. E são mesmo. A traição e a pegação ocorrem preventivamente. “Vou te machucar, antes que me machuques”.

Eu confesso mais e abro meu coração para os senhores e senhoras. O meu melhor relacionamento foi com uma garota. O que me deixou mais feliz, mais tranquilo. Por que não deu certo? Porque eu tenho medo de compromisso, afinal, sou homem.

Certa feita, um amigo meu me chamou de esquizofrênico. Isso doeu e vai continuar machucando um bocado. Porque eu não quero colocar uma cara blasé, ignorar tudo que sinto, colocar numa caixa e tchau. Digo, porque quero dizer, porque deixar preso faz mal.

Eu penso mais com a cabeça de cima. Quisera eu ser só um pedaço de carne sem maiores questões filosóficas. Seria mais feliz, talvez.

Mas tenho quase certeza de que não sou o único a sentir estas coisas que sinto. Tiro as luvas, dou a cara a tapa e me despeço.

*Vini é um espermatozóide dissidente e nada contra a corrente.

Novembro 23, 2009

Trabalho de modelo cansa

modelos a postos

modelos a postos

O colunista das segundas começou e terminou hoje sua curta carreira de modelo. Está esgotado. Por isso, seu artigo semanal, excepcionalmente, será publicado na terça.

Acima, detalhe dos pisantes dos modelos -entre eles, Rafa (o primeiro da esquerda)- do desfile de Carla Bal na Fashion Mob da Casa dos Criadores. A guria arrasou mais uma vez e ficou com o segundo lugar entre os 53 participantes no evento. A função toda movimentou uma galera e foi pura diversão.

Fiquem hoje com a participação especial de Vini, que também está esgotado. Mas os motivos são outros. Confira em instantes. Boa leitura e até amanhã!

Rafa

Novembro 20, 2009

A phinesse de Woody Allen

Por Rafa*

Estou cansado. Semana difícil, muito trabalho, poucas alegrias. Mas sempre há uma esperança quando se vive em uma cidade como São Paulo. Na quarta, começou uma mostra com todos os 40 filmes do Woody Allen. Ontem, vi o último filme dele, “Tudo Pode Dar Certo, que, desculpem phinos, só estreia no ano que vem. Não preciso nem dizer que tudo mudou após a sessão.

E pra manter essa felicidade, vou correndo pro CCBB rever os clássicos do cara -confere a programação aqui. “Poxa, Rafa, mas eu moro em Salvador, aqui não tem essa mostra”, reclama a gatinha. Vem pra Sampa! Cidade tá vazia. Precisa de uma desculpa? Te dou: ver no telão filmes que tu já viu na televisão ou no DVD de um cara que sempre defendeu a sala de cinema como refúgio perfeito para as tristezas do mundo. Fui a favor. Te vejo no CCBB!

*Rafa acha que suportar o mundo fica bem mais fácil com os filmes do Woody Allen, exemplo claro e óbvio de phinesse.

Novembro 19, 2009

Não é montanha russa, é carrossel

* Por L´Andreis

A sensação que eu acordei hoje é a de tudo resolvido. Sabe quando tu passa [ o que parecem ser anos] sofrendo angustiada por uma decisão e um belo dia, em que tu achava que nada mais ia funcionar, tu vê tudo com uma clareza que te deixa até entediada? Sabe? Bem-vindo ao meu mundo.

A busca pela resolução de problemas é movimentação saudável, não se preocupem. Estamos sempre pensando em algo pra nos incomodar, pra evitar pensar no inevitável e toda aquele blábláblá que seu professor de filosofia já deve ter dito. Acontece que quando algo ocupa toda a tua ansiedade por meses e um belo dia se resolve, rola um luto, um vazio, uma saudade do problema. Por favor, não façam como eu e arranjarem outro bem igualzinho.

Não poderei escrever hoje, phino, porque não consegui pensar em nenhuma reclamação ou celebração da vida.  Ao contrário dos contos de fada, filmes e livros, a nossa vida tende a não ter switches ou dramas muito profundos.  O que deixa a vida dessa colunista comum demais pro gosto dela. Por exemplo, o falecido escritor Kurt Vonnegut fez um gráfico que mostro abaixo comparando nossas vidas aos dramas e fantasias da ficção.

Se em Cinderella, a dor e o prazer se mesclam em altos e baixos de deixar qualquer Jimmy Choo na rasteira, na gata borralheira de todos nós, o salto fica ali em uns 5 cm no máximo, sem bico fino. Os poucos que conseguem aproveitar essa montanha russa de parque de diversões de praia gaúcha como se fosse uma do Busch Gardens, é que vivem felizes para todo o sempre.  Estamos em busca.

* L´Andreis não acredita em contos de fada, mas drama, ah, esses trabalhamos horrores. Está toda a quinta fazendo um aqui e todo o dia no twitter @carolandreis.